LUIZ GERALDO MAZZA
Uma relação conflitual
Não é apenas no transporte coletivo que as relações entre a prefeitura e governo estadual não vão bem, como se viu na desintegração metropolitana, ato imprudente de Gustavo Fruet tentando ganhar alguns centavos no subsídio do Palácio Iguaçu e se negando a aceitar pesquisa de origem-destino de órgão universitário. Em dispêndios da Copa do Mundo já houve bronca judicial com o município cobrando R$ 17 milhões do Estado por causa das obras da Arena da Baixada e que esse se coça para pagar e sabidamente não tem como porque não é prioridade na agenda do tzar fiscal e Beto Richa repica em cima de R$ 7,5 milhões que Fruet não teria pago ao Hospital do Trabalhador.
Claro que ambos jogam em todos esses fronts de olho no calendário eleitoral que por ser curto reclama antecipação. Pois agora pinta um problema de responsabilidade comum: a morte de um paciente que estava há quatro dias aguardando vaga para hospital numa UPA, Unidade de Pronto Atendimento, do Cajuru. Claro que seguem as justificativas como as anteriores em outras UPAs.
O apelo da Campanha da Fraternidade, que trata de ambientalismo, sempre uma bandeira comum aos dois níveis de governo, mostra a cisão irreparável na falta de interação entre a cidade e a Sanepar na fiscalização da obrigatoriedade de os proprietários utilizarem a rede coletora de esgotos e evitarem lançar os resíduos em rios, o que é crime ecológico e previsto em lei. Não é crível que para que tal se dê seja indispensável montar a própria empresa de saneamento municipal para não depender da estadual. Tanto no caso hospitalar, como nesse da insalubridade, respaldado até em convênio, seja preciso sempre que prefeito e governador devam ser da mesma base partidária. Ora já tivemos casos de sincronia e que não impediram atritos e desentendimentos como a hipótese de alianças partidárias divergentes e que não impediram bases de cooperação.
O jornalista João de Deus Freitas Neto costumava ironizar com o Tribunal de Alçada que estaria no argumento de os julgadores se recusarem à análise de um processo sob o argumento final de que aquilo não era de sua alçada. Ora como esses entes públicos atuam na atenção primária à saúde precisam de um nível de convivência em que não haja espaço para debates esotéricos em torno do mosquito se estadual, municipal e federal, já que um opera nas UPAs e outro nas campanhas de imunização, necessariamente convergentes.
STF e o momento
Ortega y Gasset tratou do tema da história e das circunstâncias, aplicável agora nessa decisão do STF autorizando a prisão de réu, após decisão de segunda instância, antes do fim do processo. A matéria, como tudo que ocorre hoje, excepcionalmente no Brasil em ações contra a corrupção e a impunidade, presentes na Lava Jato, é discutível por força do conflito entre a praxe de acomodação e de precedência de formalismo sobre a substância e o ilimitado nível de tolerância com os desvios e mormente os crimes do colarinho branco que marcam uma tal postura colocada em fundamentalismos como o da presunção da inocência mesmo quando ela se dá entre gangues públicas e privadas que transforma o Estado num contubérnio.
Tal decisão só poderia ser por margem estreita de votos diante do choque cultural entre a praxe, ora vista como direito inalienável, ainda que ao arrepio da lei, e essa esperança tênue gerada pelas decisões do mensalão e da Lava Jato e que fazem uma ruptura nos hábitos do Bananão. Voltando a Gasset, a circunstância dominante, mais do que isso, uma esperança de passar a limpo o Brasil, levou a melhor por seis a quatro. Para Sergio Moro, a abertura de uma janela para combater a impunidade. Não é tudo, mas um passo para frente, resistência a qualquer forma de recuo nessa questão.
Alcoolismo
Celebrando data de resistência aos males do alcoolismo foi lembrado ontem que a cada seis horas morre um paranaense em razão do vício e também que entre as causas dominantes da ausência ao trabalho dos trabalhadores aparece a distorção.
Teatro
Parece que a recessão atinge a cultura: a perspectiva para o festival de Teatro da Capital, sucesso de todos os anos, está sob ameaça de não atingir as expectativas criadas. Inicia-se hoje e já houve problemas burocráticos com a venda antecipada de ingressos.
Folclore
Motoristas e cobradores, por não haver um mínimo de entendimento com as empresas, entraram com pedido de dissídio coletivo e uma das questões é a do auxílio-alimentação que o Sindimoc quer de R$ 500 mensais e os patrões admitem apenas R$ 460. Tão grave a discordância quanto as da guerra civil na Síria.





