A lição do Cunha
O lulopetismo, se tivesse a décima parte da determinação e resistência do deputado Eduardo Cunha, presidente da Câmara Federal, daria tanto a Lula quanto a Dilma Rousseff maior equilíbrio na correlação de forças com a oposição. É verdade que acrobacias semelhantes para negar a existência de contas no exterior também Paulo Maluf se saiu também com louvor, mas surpreende a capacidade de contra-atacar e bloquear flancos às investigações como se já não bastasse o peito de jogar o próprio STF nas cordas com a ameaça de interromper a pauta do parlamento se o ritual do impeachment não for estabelecido, um dos mais surpreendentes meios de obstrução como chantagem institucional.
O confronto entre partidários e adversários ontem diante do fórum da Barra Funda, SP, mostrou que a mobilização petista não está à altura da causa e do imaginário supostamente revolucionário da organização isso sem falar na garra dos aliados. Aliás, quando Lula enfrentou Collor no debate presidencial, se levado à perspectiva revolucionária, seria um fracasso, pois apesar de vencer o primeiro, levou a pior no segundo, independentemente da edição da Globo. Agiu como força organizada na etapa de derrubada do Collor sob o comando de Zé Dirceu, entre os quais era capitaneado Valdomiro Diniz, aquele apanhado na mordida do bicheiro Carlinhos Cachoeira.
A interrupção da audiência pelo Conselho do Ministério Público, decorrente de liminar, mostra a obviedade de que há instâncias que podem ser acessadas e que mitigam os padecimentos da sigla, ora degradada pelo noticiário cada vez mais negativo e as denúncias pesadíssimas. Livrar Lula das suspeitas em torno do sítio e do tríplex é a prioridade. Fica, no entanto, visível que um homem só, o Eduardo Cunha, com todo o seu currículo, supera a mobilização basista, o que é um vexame para quem está no poder pela quarta vez sucessiva e bota tanta banca.

Fuga
Feitos eventuais do governo estadual submetidos ao pendularismo das circunstâncias na área da segurança se tornam quase cotidianos: a fuga de quatro sentenciados da PCE, com a captura de apenas um, desmente o feito da denúncia contra o crime organizado no interior das prisões, articulado ao Primeiro Comando da Capital. É um teste importante para ver até que ponto a inserção do Depen na polícia funciona.

Obsessão onírica
O secretário de Planejamento de Curitiba, Fábio Scatolin, só pensa naquilo e que não sai do papel, o metrô. Ainda ontem, na Câmara Municipal, debateram o absurdo, embora visível, que não há a menor condição de viabilidade dessa modernosa fonte luminosa ante a crise nacional e também a municipal, acusado agora pelo governo estadual de não repassar R$ 7,5 milhões ao Hospital do Trabalhador. Metrô é uma fuga para a imanência do aumento da tarifa dos ônibus e que afetará seriamente o cronograma eleitoral de Gustavo Fruet e a acusação do governo também aí se insere como repique àquela demanda municipal que cobra R$ 17 milhões por causa das reformas da Arena da Baixada junto ao sócio ocasional, o governo.
Os dois andam mal na opinião pública e esperam valer-se da arregimentação eleitoral para possíveis compensações: aí o governo estadual leva vantagem por sua maior capacidade de articulação, imaginando até uma dobradinha Ratinho Júnior-Luciano Ducci e que não seria impossível, posto que o cabeça de chapa não esteja disposto a mais um vexame no qual de cada dez votos Fruet ficou com sete.

Mais afano
Operação do Gaeco que investiga ações de políticos e empresários metendo a mão em dinheiro da saúde (especialmente compra de remédios) no Oeste do Paraná, entre as quais Cascavel e Toledo, denominada Panaceia, deusa da Medicina e da cura, teria o suposto envolvimento de um deputado estadual. Como o nome não foi revelado a suspeita se tornou uma sombra oleosa para os que atuam na região.

Não emplaca
O movimento jovem e primaveril que pretende reduzir remuneração de vereadores tem mais chance de emplacar no interior, como se vê pela experiência recente, do que na Capital. A lei de iniciativa popular, que pretendeu o mesmo em Altônia, foi arquivada, mas a movimentação na Capital foi muito boa, posto que sem chances de sucesso até mesmo para colher o número necessário de assinaturas. Até agora o movimento mais relevante foi o de Santo Antonio da Platina, que baixou a remuneração de prefeito e vereadores.

Folclore
Fuga de presos da Penitenciária Central foi vista como reação ao processo que enquadra quase 800 presidiários ligados ao Primeiro Comando da Capital, fruto da ida do Depen para a segurança.

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