LUIZ GERALDO MAZZA
Nada tão parecido
Nada há de tão parecido entre a perplexidade de Lula diante do mensalão como a de Beto Richa face à roubalheira dos fiscais e dos adiantamentos delinquentes das construções escolares. E ontem, ao saber do fato de que os membros do Judiciário recebem 20% a mais do que o teto legal, mostrou espanto mas ressalvando que é preciso respeitar a independência dos poderes.
Esse tom anódino do nosso principal líder é simétrico ao dos que exercem o múnus federal e talvez, por isso mesmo, andem correndo riscos iguais como o de um processo por crime eleitoral, com a denúncia de transferência de propinas da Petrobras para a campanha da reeleição e, no caso paranaense, pelo dreno de roubos fiscais em mais de R$ 4 milhões para idêntico fim. Até na argumentação parecem agir em coral sob a alegação de que a prestação de contas já foi aprovada na justiça eleitoral. Todavia, no caso federal, o juiz Sergio Moro está alertando que o afano teria sido legalizado numa perspectiva meramente formal.
Como há crime na origem, a suposta legalidade formal, o envólucro das aparências é fulminado, tanto num caso como no outro. Uma das denúncias contra Dilma-Temer não foi acatada por Rodrigo Janot, procurador da República, mas há mais duas, ambas pela perda dos mandatos.
Claro que há uma distância grande a ser percorrida pelo caso paranaense, todavia atribuída como nos nacionais a uma delação premiada. O PSDB acha que a nacional é válida, tanto que promove ação contra a presidente e o vice, mas as daqui (operações Publicano e Quadro Negro) e da traquinagem da merenda em São Paulo são coisas de lana caprina, superficiais, destituídas de fundamento. É o cinismo a serviço do malfeito.
Não são iguais certamente, todavia guardam alguma semelhança e quando um fala mal do outro é de lembrar-se daquele brocardo do roto a rir do remendado. Quem se mostra tão surpreso de repente, quando menos se espera, pode acabar, como tantos, preso em meio a tantos espantos.
Até no Big Brother
Componentes do Big Brother da casa mais vigiada do mundo falaram mal do governador paranaense por causa do massacre de 29 de abril, ora revigorado com o pedido de arquivamento na auditoria militar. Motivação para que a celebração neste ano ganhe dimensões também históricas.
Bom humor
Tadeu Veneri mostrou no seu blog a placa da construção de uma ala da Penitenciária Feminina tocada pela Valor, aquela dos desvios das construções escolares cujo comandante está preso. Pelo jeito levou a melhor sobre o pedreiro Valdemar, da marchinha carnavalesca, que faz tanta casa e não tem casa pra morar. Seria piada pronta se justamente nessa penitenciária estivesse o homem da Valor.
Sempre achei que quando o Chê Guevara falou em ser duro sem perder a ternura poderia estar se referindo ao humor que afinal ajuda a viver.
Mais uma do Gaeco
Uma operação "Alexandria" de dimensões gigantescas, desencadeada no fim de 2015, feita pela área de inteligência da secretaria de Segurança e denunciada pelo Gaeco, captou em gravações telefônicas a ação de quadrilhas no interior dos presídios no enquadramento de 778 sentenciados em aproximadamente 31 denúncias. É o feito maior até agora da transferência do Depen, da Justiça para a Segurança.
Caiu
Curitiba, maior inflação do País, teve agora alta apenas de 1,71% na cesta básica, o que a tornou numa das mais baixas do Brasil (a de Goiânia foi de 15%). Uma luz no fim do túnel, só que a da Copel subiu pra caramba e empurrou a inflação, como agora os ônibus do Fruet farão certamente o mesmo.
Folclore
O deputado Tadeu Veneri é para situacionistas mais do que um chato, já alcançando o nível de cricri. Pois levantou em requerimento uma questão pertinente: para que horizonte foram aqueles R$ 800 milhões de devoluções em encenados cheques gigantes (ora por Rossoni, ora pelo atual Ademar Traiano) em favor do Executivo. É mais fácil achar Wally.





