Até o PT foge
Para se ter uma ideia de como se foge da realidade de aumento de passagem de ônibus (e também da forma desastrada com que o prefeito Fruet trata do caso) até o PT, que está no fundo do pré-sal, se acha com o direito de fugir da companhia para não se contaminar. É o pretexto alegado para o rompimento e com ele estabelecer um cordão sanitário para o seu candidato experimental, Tadeu Veneri, guerrilheiro permanente, mas sem condições de repetir sequer Gleisi Hoffmann quanto mais o Ângelo Vanhoni, que só não ganhou o pleito por descuido e numa época em que ainda se ajustava ao partido a bandeira da ética.
Fugir do ônus de ser aliado de Gustavo Fruet (afinal em cenário nacional estão juntos, PDT e PT) é mais imperioso e por causa do tema candente do aumento da tarifa (aliás não consta que Haddad, que busca a reeleição em Sampa, tenha alguma solução para o transporte que possa ser encarada como plausível). O PT nunca foi bem recebido no Paraná apesar de eleger prefeitos três vezes em Londrina e tentar mais de uma em Ponta Grossa e nesse momento está de baixíssimo astral com a roubalheira que não se limita à Petrobras.
Como o desempenho pessoal se sobrepõe à doutrina, a figura do deputado Veneri vai ser o voto certo dos inconformados e ninguém esquece que teve que enfrentar o oportunismo dos seus companheiros na PEC sobre nepotismo que pretendia pegar Requião, mas alcançaria Beto Richa e a maioria dos políticos militantes da terra. Mesmo com a questão fechada na bancada, enfrentou defecções, todavia teve o seu momento épico na vaia monumental, a maior já havida contra um político da terra no Guairão, atingindo a soberba de Requião diante do seu ídolo bufo, o venezuelano Chàvez. Lerner também foi vaiado no Guairão, mas à "boca chiusa", algo apropriado aos aristocratas do teatro lírico, meio murmurado, meio regougado.
A chapa com o PT já havia sido um problema para Fruet, pois os oportunistas do PSDB, como não tiveram qualquer participação digna de nota no mensalão, exploravam uma suposta contradição pelo papel revelado de acusador das tranpolinagens lulistas na CPI em que outro paranaense, o deputado Osmar Serraglio, apareceu como seu bem estruturado relator.
Apesar de tudo o que acontece e de Fruet haver interrompido a sequência de gestões criativas em função da crise geral, e também da mediocridade do seu estafe, o resíduo da imagem do nosso último grande parlamentar ainda o favorece como também o seu agora desafeto circunstancial, Tadeu Veneri, que não fecha a boca ante a ditadura concreta que aqui prevalece, especialmente com a submissão de um legislativo gastador e sem talento.

Pavlov explica
A cultura digital, tormento no trânsito no uso de celulares por motoristas (isso no caso dos flagrados), assusta: em 2013 foram multados 133 mil e no ano passado houve um acréscimo de 4% com 139 mil alcançados. A teoria dos reflexos condicionados de Pavlov explica. Aldoux Huxley se impacientava com os ruminantes habituados ao chicletes, dá para pensar como veria os tempos novos com o dedilhar incessante.

Nossa 'Lava Jato'
No Paraná a nossa "Lava Jato" é tanto a Publicano quanto a Quadro Negro porque atingem duas secretarias básicas num tempo de crise, a Fazenda, encarregada do ajuste fiscal, e a Educação, exatamente o nosso presente e nosso futuro, ambos sem clareza. Começou ontem em Londrina a série de audiências que ouvirá em 25 dias os 52 réus que moram na cidade, 44 testemunhas de acusação e 187 de defesa. Tanto um processo como o outro devemos à persistência e agudeza de um Ministério Público independente, o que não houve no caso rumoroso do massacre de 29 de abril na Auditoria Militar ao postar-se pelo arquivamento e vendo coragem e não covardia nas ações dos milicianos, o que decorre da cultura corporativa. Mas foi o MP também que, em função dos atos de beligerância, enquadrou tanto o governador como seus auxiliares diretos da área de segurança pelo crime de improbidade.
A tentativa de sugerir que havia proporção entre as forças militares e a daqueles que faziam protesto contra o assalto aos fundos da Paranaprevidência lembra em muito o argumento do lulopetismo de que a corrupção é uma componente normal na vida brasileira. É num caso e no outro uma agressão à inteligência, mas que projeta as suas afinidades de uma forma de socialdemocracia que não hesita em valer-se do fascismo e da roubalheira, vertidos em forma extrema de cinismo, para afirmar-se.

Folclore
Alício Ribeiro da Motta faz discurso entusiasmado na Assembleia Legislativa e recorre a uma sequência de metáforas e se entusiasma tanto com o pique retórico que de repente, como se fosse um ator brechtiano, diz para ele mesmo e de uma forma aberta, sem captar o microfone. "Sossega, leão!" Disse-o baixinho, mas todos ouviram.

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