Arquive-se o caos
Notícia corrente ontem indicava que a auditoria militar, área que investiga e julga crimes de PMs, não teria encontrado indícios claros de envolvimento de milicianos nas ocorrências de 29 de abril no Centro Cívico para inculpar indivíduos ou grupos e em consequência disso pedia o arquivamento do processo. Algo parecido com isso se deu em 1988, governo Alvaro Dias, com o uso das bombas de efeito moral para evitar a iminente invasão do Palácio Iguaçu por uma ala mais radical dos manifestantes. Os IPMs montados só enquadravam civis, o que irritou o então governador. Pois agora isso terá apenas um efeito, o de adensar as manifestações e não apenas dos professores, para celebrar o confronto, e dele tirar dividendos políticos que jogaram o governador Beto Richa na situação de descrédito em que se encontra e dividiram até mesmo o estamento militar dada a notória desproporção entre os manifestantes e o esquema brutal de repressão montado e que fundamentou a ação do Ministério Público estadual de crime de improbidade contra autoridades envolvidas.
Da mesma forma que se criou o "teaser" que fundamentou um livro no "Tortura, nunca mais" é preciso inscrever como compromisso de toda sociedade "Massacre, nunca mais".

Outro Duda Mendonça?
Nada mais comum para um gênio publicitário que opera em grande escala no exterior ter contas em bancos internacionais. É o caso, agora pautado na Lava Jato a investigar, de João Santana, marqueteiro de Lula e de tantos outros como Hugo Chávez, Maurício Funes (El Salvador), Danilo Medina (Rep Dominicana) e José Domingo Arias (Panamá) à procura de repasses da Odebrecht. É investigado desde o ano passado pelo fato de a Polícia Federal ter localizado na casa de lobista ligado ao estaleiro asiático Keppel Fels, uma carta de Mônica Moura, mulher e sócia do publicitário. E anteriormente, maio do ano passado, a PF abriu procedimento para apurar suspeitas de que duas de suas empresas trouxeram de Angola (em 2012 fez a campanha de José Eduardo Santos) US$ 16 milhões em suposta manobra de lavagem de dinheiro para beneficiar o PT.
Esses processos correm em segredo de justiça e têm dado margem a protestos na esfera judicial tanto por parte dos advogados do publicitário e sobre o qual a Odebrecht nega ter qualquer conhecimento. Não parece haver muita consistência nos indícios o que revela a preocupação da autoridade policial em ir atrás de qualquer suspeita por mínima que seja.
Pelo jeito, o antigo marqueteiro, o Duda Mendonça, não tinha tanta sofisticação, mas durante o andamento do mensalão revelou que recebera recursos no exterior por ordem do PT. Em 2008, o João Santana atuou no Paraná na campanha de Gleisi Hoffmann à prefeitura da Capital e na de Marta Suplicy ao Senado por São Paulo.

Golpe terrível
Voltou a ser aplicado em Curitiba um golpe que se tornou comum até no interior dos hospitais com a intervenção de falsos médicos, a pretexto de mediar interesses em favor de doentes, que pegam dinheiro diretamente ou em depósitos. Ontem o fato se deu numa das mais importantes casas de saúde, o Hospital Santa Cruz (lá inclusive houve o caso de preso sob cuidado da polícia judiciária que fugiu e se mandou para o exterior) hospedava em sua UTI uma criança e a mãe que se aprontava em casa para ver o filho recebeu um telefonema de falso médico dizendo que o paciente deveria ser operado com urgência e que era necessário um depósito de R$ 1,8 mil numa conta da Caixa Econômica. Mantida a calma, a senhora entrou em contato com o hospital e tudo foi aparentemente bloqueado. Tomou a cautela de manter seu nome em sigilo por temer represália. Por sinal que no portal da internet o HSC faz grave advertência aos pacientes sobre o risco de golpes do gênero.
Vamos muito mal nessa área de segurança, apesar das melhoras recentes, tanto que moradores da Vila Hauer que são comuns, diários até, assaltos e roubos nas cercanias do Centro Administrativo do HSBC.

Temer de novo
A deflagração da campanha massiva pelo Exército contra os focos da dengue, coordenada pela prefeitura de Curitiba, contará com a presença do vice-presidente Michel Temer. Apesar da alta prioridade da questão sanitária será difícil impedir articulações políticas diante da campanha já lançada de candidato próprio à presidência pelo PMDB.

Folclore
Dá para imaginar, já que o PMDB exige candidatura própria à presidência que lançassem entre eles o senador Roberto Requião. Com Alvaro Dias saindo pelo Partido Verde e Requião como "vermelho" teríamos um espectro cromático inteiramente da terra. Haja delírio.

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