LUIZ GERALDO MAZZA
Uma tênue esperança
Mais uma vez o agronegócio paranaense dá sinais de vitalidade: tivemos, graças a esse fator, alta de 1,5% no fluxo de cargas em rodovias pedagiadas em janeiro em relação a dezembro, enquanto o País registrava queda de 1,4%. Ora, se existe um sinal reativo na economia é esse que se observa nos movimentos de cargas nas estradas, tal qual a acuidade do caiçara, o nosso clássico pescador artesanal, detectando a chegada no mar nos cardumes de tainhas. Mesmo com a predominância agora no feriadão dos carros de passeio na proporção com os de carga dá para perceber que a recessão é forte mas não ainda o suficiente para sugerir uma transição rápida, como alguns mais pessimistas imaginam, para a depressão. Nada disso se deve ao governo compulsivo na apropriação indevida de dados macroeconômicos, todavia isso não escapará ao alento do marketing afirmativo quando houver melhora fiscal à qual se conectará as melhoras, ainda que precárias, à conjuntura triunfal.
Como corolário disso houve o movimento, em janeiro, de 1,34 milhão de toneladas de grãos, alta de 34% sobre o recorde anterior de janeiro do ano passado no Corredor de Exportação do Porto de Paranaguá. A marca distintiva do Paraná é que o seu setor de agronegócio representa bem mais para a economia local do que no restante do País, o que se torna ainda mais expressivo num momento em que a indústria padece com a crise. Nessa malha produtiva entra o setor também de serviços que aglutina valores.
A melhora fiscal, graças ao torniquete fazendário, será certamente um dos foguetes a celebrar aquilo de que jamais se duvidou, a despeito de maus governos, que é a capacidade histórica de recuperação de nossa economia, tantas vezes evidenciada.
Merchandising 'pecaminoso'
O merchandising promovido pela prefeitura de Apucarana em favor da indústria de bonés da região inserido, com a discrição de hábito, em capítulos da novela Ti ti ti da Globo, mais uma vez foi visto como pecaminoso pelo Tribunal de Contas com a multa de R$ 140 mil, isso ao longo do transcurso do folhetim eletrônico entre 2010 e 2011. Que há regras públicas feridas não se discute, embora esse rigor não exista contra o governo estadual quando se apropria de indicadores econômicos como prova de seu desempenho. Como a grana no caso apenas de forma oblíqua beneficiou a prefeitura, já que foi um investimento institucional em favor da indústria de bonés, proíbe-se, antes de tudo, na sociedade competitiva, o uso da inteligência e também da sutileza na promoção dos seus produtos. Botar dinheiro público em time de futebol como a administração portuária tantas vezes fez pelo Rio Branco de Paranaguá ou ainda como se viu no festival da Copa do Mundo isso pode, é tolerável e visto até como fato necessário.
Professorado
E a valente APP Sindicato comemorou os feitos históricos da resistência ano passado. Dá para imaginar que no 29 de abril teremos festa no Centro Cívico, tal qual as que marcaram feitos de 1988 contra Alvaro Dias e que prejudicaram tanto a sua carreira que, além de voltar ao Senado com votação ciclópica, está animado até a disputar a presidência da República. O professorado precisa convencer-se de que tem parcela de culpa no mau desempenho do Paraná no Ideb e Enem e que não fica bem atribuí-la a um fator genérico em torno da gestão escolar, até porque entendia que com as eleições diretas o problema estava enfrentado. Urge também que o governo providencie, o quanto antes, o que prometeu pela capacitação dos diretores das escolas, pois ficará devendo parte da responsabilidade pelo caos imperante.
Tragédia
Houve menos mortes nas rodovias federais: oito contra nove de 2015. Dessas oito, em pelo menos quatro havia o registro da ingestão de álcool. Conclusão: além do rigor dos radares agrupados na fiscalização intensa, é indispensável a campanha educativa, persistente e até saturante, para que não fique a impressão de uma prioridade concedida à multa.
Tarifas
Programam alguns movimentos manifestações até diárias contra o aumento da tarifa dos ônibus já em pleno vigor e que se atualizará com o acordo coletivo de motoristas e cobradores. O grave nisso tudo é que preços controlados como esses é que sobem mais do que a inflação.
Folclore
Essa punição de Apucarana por ter ajudado a indústria de bonés local em escala nacional é mesmo um caso de tirar o chapéu ao Tribunal de Contas.





