LUIZ GERALDO MAZZA
Menos traumático
Mauro Ricardo Costa, o salvador fiscal que veio de Salvador, Bahia, anuncia que o arrocho não acabou, todavia que doravante será menos traumático. O secretário parece estar anestesiado para as razões políticas, justamente o setor de maior cupidez na gastança, e encontra o máximo respaldo para as operações do ajuste até nas fragilidades do governo enleado nas fraudes dos fiscais e na da farra das construções escolares para as quais não revelou a mínima percepção, embora nelas aparecessem como envolvidos gente ligadíssima ao governador Beto Richa.
Não é uma intervenção, ainda que soe como tal em função de sua abrangência, já que dá a justa ideia de que o governador não é o autor do processo que se dá à margem de sua vocação e dos seus impulsos mais naturais. Aparências pouco importam porque os áulicos já colocam o Paraná como o Brasil que dá certo não apenas na questão fiscal em que estava tão arruinado até a chegada do homem que está botando a casa em ordem e com isso projetando seu governador transformado de pródigo em obsequioso austero.
Anuncia cuidados com a previdência, inclusive a complementar, mas não se sabe se afinal o poder estadual resolveu pagar a sua conta, a cota que lhe cabe na Paranaprevidência e que foi esnobada em várias gestões, e é bem relevante para a capitalização do fundo, recentemente garfeada para acertar as contas. Por sinal que isso está sub judice e se o governo levar a pior acaba logo esse ar de triunfalismo e de saúde de vaca premiada e pelo menos do suposto triunfalismo cairemos na desolação e novamente no marchar em areia movediça como se deu na primeira gestão.
Dengue
A primeira morte por dengue se deu agora em Curitiba, mas não se trata de incidência autóctone já que o doente teria se contaminado no Paraguai. Isso é relevante porque especialmente a América Latina está sob vigilância sanitária, tanto que anteontem a China confirmou o primeiro caso do vírus zika em Jiang-xi, sudeste do país e de um homem que havia retornado da Venezuela. Curitiba já teve, em registros oficiais, dois casos de doença autóctone.
Tocar em frente
Depois da suspensão determinada por Sergio Moro em vista das admoestações judiciais da Suíça quanto a divulgação das contas naquele país sem ouvir as empresas envolvidas, agora o processo contra Marcelo Odebrecht vai ter continuidade. De todos os indiciados ninguém revela a fortaleza e a frieza do empresário como se tivesse certeza de que isso, como o carnaval, vai passar. Nas entrevistas que concede revela surpreendente calma, que parece ter faltado aos que recorreram para a delação premiada como salvação e pelo alto grau de envolvimento. O processo se encontra na fase de alegações finais e próximo da sentença.
Vietnã
A Polícia Rodoviária Estadual fechou as contas: 127 acidentes com sete mortos no Paraná. Levantamento da Federal ainda não estava concluído.
Desfocando
O delator Ricardo Pessoa, da UTC, enviou e-mail ao Ministério Público Federal narrando a intervenção do ministro do Trabalho, Manoel Dias, para destravar obra, com bronca sindical, da Petrobras. Questões trabalhistas diziam respeito à construção de plataformas e cascos de navios encomendados pela estatal à Engevix e a um consórcio formado por Queiroz Galvão, Camargo Correa, Iesa Óleo e Gás e UTC. Pelo jeito teremos novas do gênero, saturando o meio campo,
Como dizia o Requião: pegar um caranguejo do saco já vem mais três juntos.
Contubérnio
Dificilmente as investigações sobre o sítio de Atibaia e do tríplex da praia estabelecerão qualquer nexo patrimonial de Lula e sua família, mas apenas enriquecerão o documentário das relações pouco republicanas entre governo e empreiteiras e levarão à revisão necessária daquele conceito da chamada presunção de inocência que nesse esparramado contubérnio, em que é impossível traçar fronteiras entre o público e o privado, só há espaço para presumir a culpa e o dolo.
Folclore
O vereador Milton Anselmo da Silva, um dos homens-chave na eleição de Ney Braga como primeiro prefeito eleito da Capital, tirava sarro dele mesmo ao tratar-se como Mirto Ansermo da Sirva e profetizava que, por ter quatro erres no nome, se elegeria como burgomestre. Pois o eleito foi Ney Amintas de Barros Braga, justamente com três erres, que só encontrou dificuldades ante o pai de Roberto Requião, três erres, o médico Walace Tadeu de Mello e Silva.





