Haja oligarquia
Requião Filho assumiu a liderança de oposição no Legislativo, alavanca importante para que ele se defina com estilo próprio tal qual, de certa forma, seu pai se afirmou a ponto de eleger-se três vezes como governador, além de senador em dois mandatos e também a condição de prefeito da Capital quando bateu Jaime Lerner, um mito, carregado às costas por José Richa. Foi além do pai, o médico Walace Tadeu de Mello e Silva, que foi prefeito de Curitiba por curto espaço e não se elegeu nas duas vezes em que tentou, a principal delas, em 1954, quando perdeu de Ney Braga no primeiro pleito para burgomestre.
Não é uma dinastia, mas pode chegar a tal se o filho tiver arranque semelhante ao do pai e que o tornou o principal eleitor do PMDB no Paraná. Essa amarra parenteral é uma constante, o que mostra que sob a perspectiva da oligarquia não nos diferenciamos de outras unidades como os Calheiros em Alagoas ou os Sarney no Maranhão. De 1982 para cá - e lá se vão mais de 33 anos - tivemos os Richa, pai e filho, na sucessão; os Dias, Álvaro e Osmar e Lerner e Requião. Estenose pura, canal estreito demais. Tudo expresso nos nomes dos Mattos Leão, Anibelli (que também vem do avô), os Barros, desde o avô Silvio do MDB passando pelo Ricardo e agora a filha Maria Victória e também a mãe Cida Borghetti, vice e futura governadora e quem sabe brigando pela reeleição.
Já não podemos chamar nossos irmãos nordestinos de feudais porque somos iguais não apenas no rito parenteral como também no estilo em que pese a suposta modernidade paranaense e do padrão de sua economia que nos impeliria a formas mais republicanas de convívio.
Um dos mais modernos políticos da nova geração, Gustavo Fruet, seguramente a nossa última grande vocação parlamentar, também é condicionado a essa constante: filho de Maurício, que já foi prefeito e também bom parlamentar, e que o superou em termos intelectuais mais sofisticados, mas dele perde feio em comunicação e empatia e incomparável quando travestido numa espécie mais moderna de Pedro Malazarte oposta a introversão quase tímida, tipo Actor´s Studio, do Guga.
Se tomar esse tipo de consciência chega a doer já é um sinal de que acabamos de fazer uma reflexão pertinente, passo tímido para um novo estágio. E como o mais novo integrante da fauna, Requião Filho é provável pré-candidato à prefeitura, tudo vai depender do seu talento pessoal em busca do alinhamento próprio, daí ficarmos todos de olho no Legislativo, onde seu pai não teve tanto brilho e só depois de virar prefeito, no caso conduzido e não conduzindo, é que viria deslanchar com seu inegável talento verbal, posto que terrivelmente desagregador como se vê no que fez em seu partido.

Recalcatti
Aconteceu o que era esperado: o delegado Rubens Recalcatti e os demais integrantes da equipe policial do confronto de Rio Branco do Sul ganharam habeas corpus e responderão às incriminações em liberdade. Obviamente isso conferiu um tom triunfal ao delegado, um dos mais qualificados dentre os operacionais que são raros, que tem expressão muito forte na categoria.
Aliás, há uma permanente fricção entre a polícia e o Ministério Público e que aqui se tornou mais densa com o fato de um procurador, Cid Vasques, ter assumido a Segurança e haver tentado mexer em seu estilo operacional, exigindo revezamento de policiais concedidos. Perdeu o jogo de braço para todos os conselhos e instâncias do Ministério Público, que se mostraram solidários com seu braço de combate ao crime organizado, hoje, numa evidência histórica, inclusive com investigações de corrupção pesadíssima no governo Beto Richa.
A origem do conflito está em termos históricos na derrota da PEC 37, que pretendia tirar do Ministério Público a prerrogativa do inquérito policial (obviamente inaceitável pela imagem da falência da polícia judiciária) o que foi de arrasto no movimento de julho de 2013, o povo na rua, sem bandeira partidária, demoliu a pretensão, apoiada inclusive pelo presidente regional da OAB, o criminalista Juliano Breda, enquanto a entidade nacional tinha posição adversa.
Há quem pretenda atribuir ao MP o controle externo da polícia. Já o Gaeco é uma prova de que as instituições podem agir em conjunto, daí todo esse impacto provocado pelo habeas corpus da equipe policial que atuou no confronto.

Crise no HC
Pelo jeito, os que se opunham ao convênio entre o Hospital de Clínicas com a empresa hospitalar do governo federal ganharam ontem um motivo de comemoração com a notícia da falta de remédios, insumos, matérias primas e que impedem o regular funcionamento da instituição. Bloqueios de ordem burocrática são de tal ordem que repasses financeiros (o que já tinha havido com salários) atrasados estabelecem o caos. Assim as previsões do Reitor, que apostou tudo no convênio, estão indo por água abaixo e prevê-se que se tudo assim persistir é normal que tenhamos mobilizações fortes contra o descaso logo depois do carnaval.

Feriadão
Providências fortes serão tomadas pela Polícia Rodoviária Federal nas estradas do feriadão até a quarta-feira de Cinzas, retorno dos viajantes. Combate sistemático aos abusos está programado para evitar mais um Vietnã no excesso de velocidade e na presença de bêbados ao volante.

Folclore
A celebração pela liberdade de Rubens Recalcatti e de sua equipe no confronto denunciado pelo Gaeco é uma prova de que há pouco esforço para tornar republicanas ou no mínimo sensatas as relações entre a polícia civil e o Ministério Público, responsabilidade que deveria caber ao comandante das duas instituições, o governador do Estado.

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