Sem alarme
A notícia de pedido de investigação do governador no STJ mexeu mais com o meio político do que com Beto Richa, que a encarou como normalíssima, tanto que lá nos primórdios da Publicano contratara o criminalista Renê Dotti para invocar o foro privilegiado. Ocorre que o juiz entendeu que não havia acusação direta ao governador, mas referências vagas sobre sua pessoa e vinculação afetiva com alguns dos envolvidos na trama. Tal se dá também com o ex-presidente Lula, até aqui apenas referido em especulações e sem qualquer acusação direta. É da estratégia e da tática do Ministério Público em não transbordar nos procedimentos para permitir a fluidez das narrativas e evitar a precipitação de traumas.
Richa recebeu como normalíssima a investigação e mostrou-se distanciado dos acontecimentos, o que não se dava com os seus áulicos, que aceitam o enquadramento de Lula, mas nunca o do seu líder provincial.
O PSDB estava meio blindado em tudo o que acontecia, já que as ocorrências dos metrôs e trens de São Paulo não evoluíam, mas agora corre o risco com a maroteira da merenda ocupar o seu espaço de culpa que não pode ser exclusivo do lulopetismo. E aqui, além da truta dos fiscais gravíssima, temos ainda o chunchão das construções escolares. Com um detalhe mais comprometedor no fato de que algumas delas decorrem de empréstimos internacionais, o que pegaria mal no currículo.

Come feijão, arrota caviar
Bastou uma pequena melhora na situação fiscal paranaense para que se insistisse que estamos não apenas no azul como ninguém, nem a União e nem estados, nos supera. Apesar dessa arenga triunfalista, o Tesouro não tem os R$ 15,6 milhões para pagar à prefeitura da Capital em seu racha nos gastos com a Copa do Mundo e já posto em execução pela justiça.
O crescimento da receita, com toda a carga de reajustes, foi de 2,3% e a redução nas despesas de 3,9% e para confirmá-lo tivemos uma queda de 11% em dispêndios com pessoal. O secretário Mauro Ricardo Costa, da Fazenda, estava próximo da euforia na coletiva de ontem exaltando os próprios feitos. Ocorre que se ele não fizer barulho, celebrando vitórias e em cima do chamado efeito-demonstração, na condição de figura de maior relevo do governo, o seu silêncio servirá de apoio aos que se irritam com a austeridade que chamam de reacionária e neoliberal, xingamento enfim quando o debate não oferece alternativas.
Como estamos em safra eleitoral as demandas das bases municipais se tornam, cada vez mais, paroxísticas e afrontosas, razão pela qual o tzar financeiro insiste em mostrar o óbvio de que não há outro caminho possível, posto que seja visível a baba dos ansiosos que querem a volta da "lua de mel" que quebrou o Paraná na primeira gestão.
Saiu-se bem o secretário, mas não deixou claro porque o caixa não tinha os R$ 15,6 milhões e aí ficou a impressão de que estamos comendo feijão, mas arrotando caviar e lagosta.

Suíça apoia
Derrota jurídica da Odebrecht ao tentar bloquear novas informações sobre contas em bancos suíços, mais alento para a Lava Jato. Às vezes dependemos dessas reações, como se deu no caso escabroso Fifa-CBF, que só pegou a mutretagem via Suprema Corte norte-americana e que jamais, em tempo algum, deu qualquer passo à frente no Brasil.

Arregimentação
Saiu o aumento da tarifa e as prometidas reações de grupos organizados não aconteceram. Há uma espécie de perda do timing da coisa e ontem havia promessas de rebelião, ainda mais com a nova alta que virá em fevereiro com o reajuste salarial de motoristas e cobradores, que mais uma vez prometem greve no sábado se o pagamento não sair direitinho. É a simbiose greve-locaute, da chantagem permanente, contra a qual o poder concedente é apenas condescendente. O povo refém de manobra tão sórdida, ainda que com a aparência de luta de classes, é a evidência da deserção da autoridade municipal. Dentro em pouco, pelos quadros que estão sendo montados na Comec, o setor gerencial de transporte metropolitano supera o de Curitiba. Algo até então impensável pelo fato de a Urbs ter massa crítica superior e mais de 30 anos de monitoramento.

Avanço
O item mais importante dos feitos fazendários foi justamente a queda de 11% em gastos com pessoal, área em que num ano eleitoral mais se abusa. Dentro em pouco, por sinal, a lei eleitoral acaba bloqueando essa velha compulsão. Baixou a guarda na austeridade vamos pro saco outra vez como na primeira gestão.

Folclore
Nada mais parecido do que petistas e tucanos quando apanhados em fraude eleitoral dizerem, com a máxima ênfase, que as contas foram aprovadas na justiça eleitoral. Se há delito na origem dessas contas (a representação contra Dilma-Michel Temer), elas podem, e até devem, ser desaprovadas.

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