LUIZ GERALDO MAZZA
Tremor e temor
Londrina esteve durante muito tempo voltada para os tremores, algo que hoje parece um convite a fugir da realidade, de algo mais concreto do que cintilações sísmicas em bairros determinados na onda de crimes que tomou conta da cidade e que já dominava as manchetes desta FOLHA antes do arremate estatístico do fim de semana e que a coloca num ranking indesejável de tragédias.
Evidente que o governo, já alertado pelos eventos anteriores, teve que reforçar o efetivo tanto civil quanto o militar, para não gerar clima psicossocial de desespero, mas a efetiva calma só retornará com o máximo esclarecimento que reclamam, sobretudo, se há ou não, participação afrontosa do crime organizado, o que já fora afastado dos episódios de Curitiba com as mortes de policiais militares, informe agora enriquecido com a notícia da prisão de alguns deles em função de ações do serviço de inteligência.
Como as operações mais recentes se deram em áreas sob a influência dos dois maiores polos urbanos do Paraná, é preciso muito mais do que paliativos e de aparências para fins puramente psicológicos e de respostas concretas sobre tão desagradáveis coincidências. Exige-se a máxima maturidade em termos de desvendamento, aí, sim, o fecho desejável para algo que pode se tornar numa crise permanente como se estivéssemos nos morros do Rio, mesmo com aquartelamentos da chamada e aparentemente sofisticada polícia pacificadora.
Privataria
É claro que a privatização de área pública como a da telefonia trouxe algumas vantagens, sempre lembradas em debates eleitorais, como a da massificação dos celulares. Mas o respaldo desse processo depende da eficiência operacional das agências reguladoras que mediariam tais relações em termos práticos, o que até agora deixa muito a desejar. No ano de 2015, o Procon do Paraná fez 86 mil atendimentos, a maioria dos quais com queixas sobre as quatro principais empresas telefônicas.
Mais mistério
Primeiro foi o caso dos pinguins trazidos pelas correntes glaciais até a nossa costa e agora tivemos em dois dias o encontro de uma doninha, animal em extinção, e de um exemplar de boto, o primeiro em Guaratuba e o segundo em Praia de Leste. Esses achados foram levados para o Centro de Estudos do Mar da Universidade Federal em Pontal do Sul. Essa unidade científica, criada pelo mestre Metri Bacila, desenvolve estudos específicos sobre biologia marinha e formas de proteção da fauna e da flora, criando nichos artificiais de "corais" para adensar cardumes.
Há problemas sérios de educação básica como os detectados na baia de Guaratuba, onde centro de estudos da Universidade Católica lançou milhares de alevinos de robalos na área e isso não contribuiu para que se reduzisse a captura predatória na embocadura dos rios em que eram colocadas redes de malha inferior até para formas não adultas de vida.
Atoleiro
Estudo da Fecomércio aponta que há no Paraná mais famílias endividadas do que na média brasileira: 87,4% contra 61,9%. Em função de ajustes de devedores até o ano passado, agora em janeiro houve queda para 85,7%. Com a quadra que está aí não há lugar para milagre.
Bronca
O prefeito Gustavo Fruet não foi na Câmara Municipal na sessão de reabertura e isso irritou os aliados por se dar num momento de dificuldades e que coincidia com o aumento da tarifa de ônibus que dentro em pouco sobe de novo com a alta salarial de motoristas e cobradores. Por sinal que a Justiça do Trabalho "legalizou" por figurar no contrato coletivo os 2% destinados a um fundo social que assegura assistência médica aos sindicalizados, vista como salário indireto e que não pode ser cortado como sugeriu a auditagem do Tribunal de Contas.
Mais um
Jorge Zelada, que substituiu Cerveró na Petrobras, foi condenado a 12 anos de prisão em sentença do juiz Sérgio Moro. Da mesma forma que os delatores acham que o melhor é negociar e baixar penas há muitos, nem todos políticos como Zé Dirceu, que enxergam alguma esperança no horizonte e a cultivam em meio ao pesadelo. Amanhã o lobista Fernando Moura, contraditório relativamente a Zé Dirceu, volta a prestar depoimento.
Resistente
Puristas enxergaram choque intrapoderes na decisão do STF sobre ritual do impeachment e agora um setor ligado ao presidente Eduardo Cunha da Câmara Federal pretende brecar votações até que a superior instância defina o rito. Quanto mais demorar melhor para a presidente em que pese os números da pesquisa da revista Veja que mostram mais de 50% pela cassação.
Folclore
Até em procedimento judicial o governo estadual confirma a sua quebra ao mostrar que não tem como pagar os R$ 15 milhões que deve à prefeitura da Capital por causa das obras de reforma da Arena da Baixada. Isso nega também crédito ao governo estadual para acesso de novo aos depósitos judiciais. A OAB está de olho em cima disso. O cadastro é negativo para tanto e depósito garante justamente aspirações em trâmite judicial. Governo que trate de arrecadar mais e gastar menos.





