"O poder concentrado é uma das causas da dispersão do PMDB"




Mediocridade sistêmica

O Paraná, ao contrário do lema da bandeira paulista, que está na sua origem, não conduz e sim é conduzido. A passagem do Michel Temer por aqui deixou bem claro que de nada adianta a sua maior liderança regional ser daqui na figura de Roberto Requião, por sua atuação difusa e bastante contraditória, e não se captar que tenhamos alguma expressão nacional. O poder concentrado é uma das causas da dispersão do PMDB e já ficou demonstrado que esse tipo de comando é a causa da perda de espaços por aqui compensada pelos municípios de pequeno ou médio porte; não leva a melhor em Londrina, Maringá, Ponta Grossa e ainda por cima sua expressão na capital é de traço minimalista como se vê na Câmara Municipal.
Requião já ameaçou disputar a Presidência da República, mas permaneceu na intenção e ninguém detém, no entanto, a estatística de ter sido governador por três vezes, façanha que estadistas como Munhoz da Rocha não chegaram nem na segunda. Está longe de ter a expressão nacional de um Ney Braga que devolveu ao Paraná a presença ministerial, obtida primeiramente por Munhoz da Rocha nos anos 1950. Seu estilo não se diferencia dos feudais como Sarney e Renan Calheiros que se valem dos filhos para manutenção do poder, tanto que o deputado estadual Requião Filho é ungido para disputar a prefeitura da capital e na ausência do pai fala pelo PMDB como se viu no meio da semana e timbrado pela pré-candidatura.
Há uma esperança de ruptura dessa rotina com a possível postulação de Alvaro Dias pelo Partido Verde à Presidência, já que o senador fez aquilo que o seu partido, o PSDB, se negava a fazer no exercício de uma oposição sistemática enquanto a tucanada se equilibrava no muro e nem se valia do mensalão, por exemplo, para colocar o lulopetismo na parede. É verdade que tivemos uma experiência dessa ordem com Afonso Camargo Neto, ao tempo uma das nossas vocações para a engenharia política e que se saiu decepcionante da missão com uma participação anedótica.
Alvaro acredita que sua exposição, ao longo do tempo, o favorecerá além de apresentá-lo, de certa forma, como o "novo" na competição: resta para tanto que se aprofunde nas teses, não afeitas ao seu currículo, de uma nova face do ambientalismo. Obviamente, centrará fogo no que mais polui a vida brasileira, a corrupção que nos devasta e que não se conteve nem diante da sacrossanta e simbólica Petrobras, sustentáculo da soberania, como sempre se disse.

O ausente

A grande ausência nacional é o nosso governador: poucos tiveram o tsunami de votos que o elegeu de forma tão categórica. Até hoje, porém nos enlaces nacionais, não apareceu com a frequência e o destaque esperados, mesmo com os trunfos obtidos como um dos mais importantes prefeitos de capitais do Brasil. Percebe-se que tinha tudo para uma carreira aproximada à do pai que na Carta de 1988 foi um dos nomes consulares da bancada do PSDB: José Richa foi deputado federal, senador mais de uma vez, governador e um nome nacional. Beto Richa, ao contrário, dissipa de forma pródiga, o seu histórico, agora tisnado pelos desvios detectados nas operações Publicano e na Quadro Negro.
Seu governo só tem uma chance de salvar-se do naufrágio com o desempenho de rigor do seu secretário da Fazenda, Mauro Ricardo Costa, que foi importado por sugestão de José Serra da prefeitura de Salvador. Embora a prática da austeridade seja abominada pela classe política que adora por formação o desperdício e isso possa gerar atritos como o estabelecido com o presidente do Tribunal de Justiça, qualquer descuido na área fazendária restabelecerá, em pouco tempo, o clima de "lua de mel" e de oba oba que caracterizou o primeiro mandato e jogou o Paraná nas malhas da Lei de Responsabilidade Fiscal, mais do que expostas no ajuste adotado e que ratificou o mau desempenho fazendário que se tentava dissimular com marketing e com o falsete de que éramos perseguidos pela União e que serviu até para reelegê-lo, ainda que mentiroso.
Para dar sequência à sua carreira e enfrentar a disputa majoritária do Senado, Beto Richa carece de uma vitória inquestionável no front fiscal, recuperando-se dos desgastes acumulados e agindo, de forma bem mais clara, no combate aos desvios da corrupção. O resto o Paraná faz com sua capacidade de recuperação tantas vezes colocada à prova na sua condição de sociedade complexa, moderna e aí dependendo também do que venha a fazer na infraestrutura, até aqui o ponto de estrangulamento máximo de nossa economia, tão evidenciado nas enxurradas.
Há tempo para tudo, menos para baixar a guarda na questão fiscal que não é fácil compatibilizar com a vibração de tempos eleitorais como os que teremos agora e daqui até dois anos à frente. Se até a emergência das calamidades, ainda mais em ano eleitoral, reclama recursos do governo, tanto do estadual quanto do federal, é de postar-se numa contenção não habitual para não nos vermos nas malhas da Lei de Responsabilidade Fiscal. Outro cuidado a ser tomado em casos de construções escolares fundadas em empréstimos internacionais e pagas em obras não acabadas, deveriam merecer atenção especial para que não acabemos figurando numa lista negra e desabonadora.

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