LUIZ GERALDO MAZZA
O fim da oratória
Senado e Câmara revezaram-se, na história política do Brasil, como cenário-chave dos embates: hoje isso simplesmente não existe, não há vida inteligente no parlamento como em passado distante tal qual as crises do suicídio de Getúlio Vargas e a da renúncia de Jânio Quadros, ambas vocalizadas na pregação do nosso Marco Túlio Cícero tupiniquim, Carlos Lacerda. Mas não era só ele e havia outros como José Maria Alckmin, Temperani Pereira, Milton Campos, Aliomar Baleeiro.
Hoje o noticiário da Lava Jato e seus desdobramentos domina a cena e o minimalismo parlamentar é ampliado pelo ceticismo da população que enxerga seus integrantes, quase todos, como negocistas e oportunistas, daí a celebração a cada deputado ou senador apanhado em falcatruas. Inimaginável um contexto como esse do Brasil com os oradores daquele tempo marcando posição.
A política faz essas surpresas: quando os partidos perderam a razão de ser com a ditadura, vimos a sua substituição por entidades da sociedade civil como a OAB, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência ( SBPC) e especialmente a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), logo ocupando esse espaço, mais recentemente, na derrubada de Collor, também a Associação Brasileira de Imprensa (ABI). Hoje o que domina é a apuração das corrupções quase institucionais, daí a frase de Michel Temer de que a cena brasileira não se deva limitar a isso.
Como agente do processo, o Legislativo se desmoralizou no jogo das chantagens em cima da questão do impeachment: o governo também se acovardou e agiu em função das ameaças com o que nada fazia em relação ao presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha, de forte resistência e que toma a maior parte das iniciativas, apesar de tudo o que se descobriu dele na Lava Jato.
E aí mais uma vez se nota a precariedade da nossa presença quer no Senado ou na Câmara quando nos saímos tão bem no mensalão com o relator Osmar Serraglio e no embate de plenário Gustavo Fruet. A senadora Gleisi Hoffmann ficou em posição defensiva, Requião não teve presença e Alvaro Dias se destacou no papel abrangente de crítico permanente preenchendo a omissão do PSDB.
Felizmente, é uma dependência da Justiça Federal, juntamente com a PF e o MP, que nos coloca em destaque. Os políticos, muitos dos quais já enquadrados, apenas demonstraram que, pelo vulto dos acontecimentos, perdemos a timidez , um arquétipo tão referido e isso nos dois polos da tensão entre chuncheiros e perseguidores, homens da lei.
Sai a faxina?
Novas denúncias do TC indicam que mais colégios no Paraná passaram por situação semelhante ao dos casos da Quadro Negro, inclusive com o pagamento antecipado de obras inconclusas. Isso vai além do modus operandi para configurar um cacoete de gestão. Se tais coisas se deram com tanta normalidade, como praxe na Educação, sem falarmos na vergonheira dos fiscais da Publicano, é de exigir-se a faxina geral decorrente de tanta imprevisibilidade. Nunca se viu isso na história paranaense, o poder público tão permeável a desvios. E em outras edificações não poderia ter se dado o mesmo?
Sobe
Apesar de o Tribunal de Contas afirmar que a tarifa de ônibus deveria cair (e fundamentá-lo em itens da planilha), a Urbs informou ontem que ela sobe para R$ 3,70 e isso antes ainda do impacto que virá com o reajuste salarial de motoristas e cobradores. Isso não evita aquilo que já não é, para nossos hábitos, surpresa como uma greve na véspera do Carnaval por falta de pagamento salarial por parte de algumas empresas. Elas aqui não temem que o Gaeco chegue porque vivemos no melhor dos mundos como o de Cândido de Voltaire.
Baixou
O Tribunal de Justiça emitiu nota sobre gastos com lanches dizendo que caíram de R$ 43 mil para R$ 20 mil mensais. Há pouco tempo, dois anos, um desembargador montou uma geradora de gelo em seu gabinete e ela estourou levando a água a destruir carpetes, atingir a biblioteca em três andares e atingindo um piano.
Moncada
Um setor mais radical do petismo imaginava que Zé Dirceu faria no seu relato ontem na Lava Jato algo como o discurso célebre de Fidel jovem no ataque ao quartel de Moncada. Não foi nada disso, mas também não houve mancada.
Folclore
Em Londrina houve assinatura de um protocolo de intenções para a instalação de uma fábrica de pneus na cidade que acabou indo para São Paulo. No meio da solenidade um radialista referiu-se a dona Emília Belinati, vice-governadora, reeleita junto com Lerner, como vice primeira-dama.





