LUIZ GERALDO MAZZA
Da 3ª à 50ª
Nos tempos das intervenções lernerianas, Curitiba foi colocada por um arquiteto novaiorquino como a terceira cidade melhor para viver em todo o mundo. Mas passadas três décadas de tal consagração chegamos agora, em função de um ranking mexicano de seguridade social e de justiça penal, à condição de figurar entre as cinquenta urbes mais violentas do universo entre as que contam com mais de 300 mil moradores. A taxa de 34.71 homicídios dolosos por 100 mil lhe conferiu tal destaque negativo em 2015.
Como compatibilizar a medalha de bronze universal com esse registro mórbido é a questão. É claro que os triunfalistas dirão que metodologias diversas investigam situações que não guardam um mínimo de simetria. Todavia é de perguntar-se possível viver numa cidade modelo, por suas intervenções urbanas, com tal passivo criminal. Outro detalhe curioso é que o Brasil aparece na listagem com 21 cidades, das quais Fortaleza, 12ª da lista, com 60.77 e em seguida Natal 60.66, Salvador 60.63 e assim por diante. No ano anterior o Brasil aparecia com 16 cidades e nós não figurávamos.
A morte de vários policiais militares, recentemente, revela que os próprios agentes de segurança carecem de um mínimo de proteção e que usar marketing para dissimular o cenário é prova de irresponsabilidade e escapismo.
Repique
Parece que a intensificação das prisões e de coleta de material de infratores é a melhor resposta quando se questiona a limpidez da Lava Jato: a cada manifesto de juristas ou mesmo do ex e da atual presidente nada como novos rumos de investigação como esses da 22ª operação voltada para identificar novos focos de corrupção e lavagem de dinheiro no espaço internacional. Enquanto isso, vão se conhecendo detalhes de como Zé Dirceu fazia 113 viagens nos jatos do delator Júlio Gerin Camargo, totalizando 105 mil quilômetros percorridos, o equivalente a duas voltas e meia ao mundo e que essas horas de voo foram abatidas de uma conta de R$ 1 milhão de propinas a ser paga por ele ao ex-ministro por contratos na Petrobras.
Quando das primeiras notícias sobre o assalto na maior estatal brasileira, a presidente Dilma fez referência a inimigos internos e externos como nesse momento ainda existisse a conspiração de grupos forâneos ameaçando a nossa soberania. Como se vê a astúcia e ousadia dos agentes do governo dispensa a sutileza característica das jogadas das sete irmãs.
O xisto, um dever
É verdade que a crise da Petrobras é de tal ordem que se vê obrigada a vender seus ativos e bloquear suas unidades ociosas ou de baixo rendimento. É que a ameaça de extinguir o polo do xisto em São Mateus do Sul é bastante possível em tal quadro que provocaria prejuízos incontornáveis àquele município como também ao governo estadual. Não será fácil argumentar pela sobrevivência da Petrosix (cuja tecnologia chegou a ser vendida a países cientificamente mais avançados) em cenário tão hostil. É nesses momentos que se percebe o quanto o Paraná perdeu ao longo do tempo quadros técnicos como nossos geólogos e químicos que comprovaram que a usina experimental deveria ser aqui e não em São Paulo. Quem ajudará o governo, na argumentação, para defender a manutenção da unidade quando vamos tal mal de quadros?
Por exemplo, quando Requião fez a cruzada contra os transgênicos não tinha retaguarda científica para sustentar posições e se baseava em generalidades dos ambientalistas. O Paraná tinha gente quando defendeu o xisto de São Mateus como o ideal de localização e agora o que fazer?
De qualquer forma que pesem os valores políticos, quando carecemos dos técnicos, e aí age bem o governador ao buscar respaldo na nossa representação parlamentar por nossos interesses.
O Gaeco nos ônibus
Pela manhã de ontem se soube da operação do Gaeco na empresa de ônibus Marechal dando apoio ao braço congênere do Ministério Público de Brasília: lá se procede rigorosa investigação em torno de possível direcionamento da licitação dos transportes públicos que a Justiça acaba de anular. A diligência ministerial e policial foi sobre a empresa e a residência e escritório de Garrone Reck que figura também no estafe de empresas brasilienses. Apesar de suspeita arguida sobre a licitação aqui havida, não se moveu nada nesse sentido quando ficou constatado que o oligopólio aqui instalado não perde, sequer em remotíssima hipótese, uma concorrência pelo fato elementar de existir algo com o sentido de vitaliciedade nessas questões: como viria uma empresa de fora habilitar-se se aqui não tem frota, nem garagem e muito menos central de compras?
Sempre quando se fala em concorrência de linhas de transporte sejam locais, nacionais, regionais e até internacionais já se sabe o resultado: as que já estão aí permanecem. Algumas das nossas empresas têm linhas em vários estados e até internacionais.





