Monitoramento urgente
Não é crível que depois dos casos específicos dos desvios fiscais e das construções escolares não se leve em conta a hipótese, pela magnitude dos dois exemplos, de que haja outros focos de corrupção como, aliás, o Tribunal de Contas acaba de detectar em outros eventos na Educação. Duas pastas estratégicas, a mais relevante na mobilização social, a Educação, e a magisterial no esforço fiscal, a da Fazenda, se mostraram vulneráveis, conforme o andamento da "Quadro Negro" e também da Publicano. É verdade que nos eventos educacionais houve mais participação do próprio governo, enquanto no das oficinas que atendem veículos públicos e nodos fiscais toda iniciativa partiu do Ministério Público, via Gaeco.
Claro que há avanços nos dois casos porque normalmente o bloqueio a ações no campo estadual, decorrente das fragilidades do nosso federalismo, é a regra como se vê no caso gravíssimo do assassinato do prefeito de Santo André, em que não foram pequenas as trombadas entre a visão da polícia judiciária e do Ministério Público nem sempre coincidentes. Sem exagerar, esses bloqueios da autarquia lembram o caso da CBF-Fifa só alcançados por ações externas, haja aí a Suprema Corte dos Esteites para timbrá-las.
Essa atuação do Ministério Público, que com isso resguarda prerrogativas ganhas com o processo constituinte de 1988, deveria energizar o trabalho de controladorias internas, capazes de encarar o processo como rotina, o que de certa forma se dá na União. O que não pode é haver esse ar de perplexidade e bobeira como se deu por aqui como se estivéssemos diante de fenômenos inviáveis.
No caso dos fiscais, demorou muito para que a autoridade impedisse que o conselho dos barnabés da área prosseguisse em sua faina de obstruir e até condenar auditores que faziam trabalhos de correição para apurar a extensão dos delitos. A firme disposição do Ministério Público em ir fundo nas investigações é que quebrava um pouco o pasmo da autoridade principal que teve relevante atuação quando se tentou reduzir as prerrogativas e funções do Gaeco que, por sua vez, contou com o apoio de conselhos da instituição. Institucionalmente nos fortalecemos, mas o preço da liberdade é a eterna vigilância como ensinava o brocardo do Clube da Lanterna nos anos cinquenta. A facilidade operacional, havida nos casos concretos, autoriza por precaução uma varredura geral que preserve o interesse público, afinal o bem maior.

Dramático
A sequência de mortes e atentados contra policiais militares desperta muito mais do que as reações associativas das vítimas, mas revela que não apenas os cidadãos comuns carecem de segurança e sim os próprios agentes encarregados dessa missão. Já se discutiu, em termos doutrinários, que a etapa do secretário Francischini, culminada com o massacre de 29 de abril, se caracterizava por uma postura mais ofensiva, o que todavia, fora aquela lamentável ocorrência, não se fez acompanhar com relatos como os de São Paulo, Rio, Ceará com mortes suspeitas nos confrontos. Embora não exista uma conexão definida entre os recentes atentados a PMs, como decorrentes de ação organizada, fruto de possível retaliação, o clima gerado na tropa independente de escalão é de aguda preocupação pelos efeitos psicossociais e que poderiam exatamente repor a questão do foco na beligerância como desforço natural. Ora, os fundamentos da ação policial, seja num tumulto, num confronto ou na singeleza de uma abordagem, são codificados. O uso das bombas de efeito moral em 1988, governo Alvaro Dias, contra manifestantes do professorado tinha toda razão de ser já que se armava o circo desmoralizante da invasão do Palácio Iguaçu. No curso dos acontecimentos, mais as sequelas políticas, percebeu-se nas discussões que havia uma Sorbonne intelectual em nossa Polícia Militar para refletir em torno dos IPMs que Alvaro Dias relutava em acatar por neles ver sentido corporativo.
Quem se mostra desafiado é o governo que comanda a tropa e é a sua liderança. E o arrocho fiscal do momento em nada favorece qualquer apoio mais forte, de origem material e de pessoal, já que é visível a deficiência de efetivo, a despeito das afirmações oficiais já vigorosamente contestadas.

Mais ruído
Como persiste o impasse, pelo menos até o dia 5 de fevereiro, no transporte coletivo da capital, há um esforço dos movimentos populares no sentido de mostrar força e mobilização contra aquilo que é inevitável – o reajuste da tarifa. Estudantes mostraram pouca força com menos de uma centena de participantes em protesto na semana passada e ontem o professor Lafaiete Neves, que comanda uma das entidades de controle dos coletivos, fez uma palestra no centro da cidade. A arregimentação ainda não tem a força da experimentada em São Paulo, mas uma ponderação acadêmica, ainda que de luta como a de ontem, tem a virtude de colocar a razão nas reações e não apenas a emoção.

Chunchos
Casos de superfaturamento em obras e serviços públicos em Santa Teresa do Oeste levaram ontem à prisão de dois secretários municipais e dois empresários de Cascavel. Mais Gaeco.

Incêndios
É alarmante o número de incêndios florestais na Região Metropolitana e eles se dão muito em áreas dobradas e de reflorestamento.

Folclore
Bajulador, quando talentoso, tem saída para saia justa: atribui-se a um deles uma anedota a de que irritara tanto o governador que este acabou lhe dando um chute no traseiro. Resposta: não é para agradar, governador, mas o senhor está com a canhota melhor que a do Rivelino.

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