Estrutura autofágica
O governo no Brasil é autofágico: vale-se das receitas para pagar-se porque tem um custo absurdo. É o que se nota no Paraná, hoje sob um comando mais sério em sua parte fiscal e armado até os dentes para conter a compulsão dos que o detonaram no exercício anterior e o enrascaram nas malhas da Lei de Responsabilidade Fiscal. Não é fácil cobrir a folha de pagamento, hoje em mais de R$ 1,6 bi, ainda mais quando se tem um projeto de investimento superior a R$ 8 bi, dos quais bem mais da metade se devem a estatais como a Copel e a Sanepar.
Essa cobrança do IPVA, meio na marra e com ameaça de enquadramento no Cadim dos faltosos, cobre um dos períodos de vacas magras da arrecadação no primeiro trimestre quando logo de saída em janeiro houve o reajuste salarial superior a 10%. É nesse mecanismo que se capta o impulso autofágico: a prioridade de arrecadar para cobrir custos da máquina improdutiva e, ainda por cima, permeável à corrupção. Pouco se faz de concreto para uma lipoaspiração já que aos políticos, dentro da tradição brasileira, são impermeáveis a qualquer sinal de austeridade que identificam, com aquela burrice piramidal, como uma criação da direita neoliberal.
Tudo vai depender dos cuidados do secretário Mauro Ricardo Costa e do indispensável prestígio que lhe conceder o governador. Deve ser olhado como a Cruz Vermelha numa guerra, já que os pródigos estão à espera do primeiro sinal de recuperação para retornarem aos gastos, mormente os supérfluos. É verdade que a contenção se torna um drama político diante de calamidades como as vividas, especialmente ao Norte, com as enxurradas e seus 200 mil afetados ou ainda em quadros de menor extensão, porém igualmente trágicos como o das áreas epidêmicas da dengue, uma delas ontem vistoriada em Paranaguá pela comitiva governamental.
Compatibilizar isso tudo com os anos eleitorais de agora e o próximo da sucessão estadual é a questão. E aí se pede uma generosidade que os políticos não sabem ceder pela mania de seguirem aquela regra: a de que se pode perder uma disputa fiscal, mas nunca a eleitoral.

Concessões vitalícias
Não é seguramente um repeteco do "baixa ou acaba" de Requião, mas apesar do tom de seriedade o manifesto da Fiep sobre o pedágio é um tiro nágua. Essas analogias entre metodologias diversas em torno das tarifas têm um tom mais civilizado, porém não são novas e tudo depende dos termos contratuais estabelecidos e aí é que há aquele sentido vitalício, não apenas nesse caso como em todas as concessões como as das linhas de transporte municipais, estaduais e federais. Por que na capital não se faz a rescisão contratual? Simples: em qualquer hipótese as concessionárias e ainda para aumentar a ironia recebem lucros cessantes que elas próprias afirmam não existir diante da suposta falta de retorno. A Fiep, no entanto, não adere ao entusiasmo de outras entidades como a Faep, interessadas na prorrogação das concessões em nome de uma suposta emergência como se entre os fatores de estrangulamento de nossa economia um deles não estivesse justamente nos custos e, sobretudo, na ineficiência das respostas do pedágio que mais arrecada do que constrói.

Alerta
O regime de chuvas, previsto para os próximos três meses, está levando os núcleo da Defesa Civil para o alerta necessário. Já tivemos em passado não muito recente situações como as vividas logo nos primeiros momentos do governo José Richa com enchentes do espaço urbano e não há motivo para baixar a guarda.

Confronto
Um dia depois dos feitos da Segurança com a prisão de quadrilheiros de assalto a bancos tivemos uma ação, no Atuba, de um grupo reservado da PM, descaracterizado, de cinco elementos que invadiu uma casa à procura de um foragido da Justiça e que em função de um suposto confronto o matou. Agora vai caber à Polícia Civil o inquérito sobre o evento, já que entidades de direitos humanos no país têm colocado a necessidade de evitar a constância desse tipo de ocorrência.

Orquestração
Depois do manifesto dos criminalistas e constitucionalistas, apareceu um novo ataque à Operação Lava Jato que na perspectiva do público é o caminho civilizatório para o Brasil do momento. Entre os dois o pronunciamento do ex-presidente Lula também na mesma direção e sugerindo que o clima vivido é pior que o da ditadura militar, invocação também de juristas. Revelação de novos e surpreendentes lances das apurações é o caminho encontrado pelos investigadores para manter a população ligada na extensão dos assaltos à Petrobras num dos ciclos de corrupção mais fortes de nossa história.

Folclore
O Tribunal de Contas da União quer monitorar os acordos de leniência em andamento por ação dos órgãos federais. Inimaginável postura semelhante da parte de tribunais estaduais em relação aos governos provinciais.

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