LUIZ GERALDO MAZZA
A fala para dentro
A declaração de Lula de que não há ninguém mais honesto do que ele e que no máximo pode estar no mesmo nível é uma fala dirigida ao público interno mais do que ao externo que, evidentemente, não guarda esse conceito. É também uma tentativa de elidir, neutralizar, as últimas cargas que o atingem, indireta ou diretamente, nas delações, inclusive aquelas que tratam de recursos de negócios internacionais e com a propina, a clássica e celebrada gorjeta, na campanha eleitoral.
A fala foi para um conjunto de blogueiros engajados no Instituto Lula e visa mostrar que o líder está em posição de luta e não nas cordas ou em clinch como aparenta ou acreditam os seus mais radicais adversários. É também mensagem para os crentes, os mais fanáticos, pelo menos enquanto não há um sinal de enquadramento do ex-presidente além das referências nem sempre vagas aos favores que a sua e a campanha de sua sucessora teriam recebido.
Chega até a mostrar-se mais "liberal" e, nesse aspecto, estar à direita de Dilma Rousseff com o que pretende pasteurizar o seu espaço no espectro ideológico e mostrar-se mais experiente como criador do que a sua criatura que acaba de merecer um conselho de Michel Temer para ouvir mais e falar menos como se isso funcionasse ou mudasse a compulsiva postura da presidente. Mensagem é também para os fanáticos que existem em escala assustadora e para alimentá-la unge tanto o Zé Dirceu como os ex-tesoureiros do PT apanhados em flagrante.
É um posicionamento bem mais ativo do que o revelado quando da descoberta do mensalão que tão pouco o aturdiu, embora aquela referência, um tanto quanto dramática, de sentir-se apunhalado pelas costas. Só fez esse pronunciamento ao perceber que a marola do impeachment tinha reduzido sua voltagem como captou também o seu antecessor Fernando Henrique Cardoso. O recado mexeu com as bases mais jovens e radicais, especialmente, no que se refere à necessidade de contrapor-se aos ataques. Se isso, a ofensiva, depender dos alfenins do PSDB vai ser como no mensalão: se postarão em cima do muro, apavorados com o ibope do mito, deixando-o à vontade e só agindo quando as circunstâncias colocarem a bola na marca do pênalti no mais deslavado oportunismo cínico. Quem mais atuou como oposicionista - e talvez esteja aí o fundamento da sua saída para o Partido Verde - foi o senador Alvaro Dias que pretende agora testar o que capitalizou com a sua vigilância como postulante presidencial e do jeito que gosta como livre atirador.
O semestre
A Fecomércio apurou os humores do empresariado com relação ao primeiro semestre da economia e apenas 25% guardam visão negativa do processo, 37% não têm opinião. Pela realidade que iremos enfrentar estão até otimistas. Sinal de recuperação, de pequena melhora da conjuntura, apenas lá pelo último trimestre do ano e há quem acredite que retomada só em 2018.
Ainda o caos
Houve melhora nas condições do tempo e também de assistência em áreas flageladas no Paraná: 23 municípios sob emergência, dois ainda em calamidade, quase 160 mil pessoas atingidas, mais de 10 mil desabrigados e doze pontos de interdição nas estradas.
A multa
A história da multa, quatro minutos antes da tragédia, que parecia esclarecer muita coisa, apenas teve o condão de aumentar as suspeitas de que houve, o que se pensa desde há sete anos, manipulação dos "frames", alimentando a lenda urbana de que havia gente da alta fazendo racha com o deputado Ribas Carli. Não botou luz no processo, que não diz respeito ao Gaeco (aludido até pela fama acumulada em outras investigações como as da Publicano e da Quadro Negro e que botam o governo na parede), e manteve tudo na obscuridade e na suspeição. A circunstância de o motorista multado ter se manifestado só agora sem identificar-se é decorrente do receio de retaliações, uma forma nada construtiva de ver em função o aparato público, cuja imagem para a maioria do público é essa mesmo, em que pese o feito da polícia ao norte desbaratando ontem uma quadrilha que atacava bancos como fez recentemente na pequena cidade de Curiúva e de cuja gangue pelo menos houve vinte presos.
E o nosso PIB
Geraldo Alckmin refez cálculos e apurou que São Paulo pode ter uma perda de 4% em seu Produto Interno Bruto. O olho do furacão da economia brasileira é assim: na recessão o trauma que sofre é sempre maior. O Paraná deve cair, mas bem menos, o que não impedirá, a qualquer sinal de melhora fiscal, que caiamos como sempre, e é da tradição, no triunfalismo. O aperto aqui foi um garrote vil e para o qual o município da capital também contribuiu para fazer daqui a maior inflação nacional e que se confirmará logo com o reajuste inevitável da tarifa dos coletivos.
Folclore
Esperança dos movimentos como o Passe Livre é de que recrie o clima de 2013. Pelo agito de hoje à noite na Boca Maldita vai dar para saber se deslancha ou dá xabu. Passe livre, dizem críticos, nem em centro espírita até porque exige um mínimo de crença.





