LUIZ GERALDO MAZZA
Sustentabilistas, uni-vos!
Marina Silva para levar a sua pregação ao campo da filologia e da semântica chamou seus seguidores de sustentabilistas. É que como variáveis antigas perderam o sentido como o do socialismo, expungido do programa do PT do qual já haviam escoimado a revolução, o que não impedia que seus correligionários mantivessem a barba da identificação e um certo charme de operadores da Sierra Maestra, inventou-se uma palavra que é mais do que um enunciado para impor-se como solução. A sustentabilidade está no urbanismo e na arquitetura com a casa que toma a luz do sol para energia com as baterias, o aproveitamento da água da chuva, o emprego de material reciclável, mas também nos hospitais e casas de saúde, especialmente nas escolas, onde se cultua a prática na base da unção religiosa e ainda no caso das atividades agrícolas e industriais.
Como diria o Dario "Peito de Aço", a sustentabilidade é solucionática e não problemática. Há um aspecto positivo no posicionamento de Marina: rejeita o impeachment, por ausência de base jurídica e constitucional, mas vê como prioridade o julgamento, face às denúncias decorrentes da Lava Jato em torno de recursos do propinoduto na campanha, da dupla Dilma e Temer. Se a ordem jurídica é sustentável, para valer-se do paradigma, essa opção é corretíssima, mais abrangente que qualquer outra, uma solucionática autorregulável. Portanto, sustentável.
Não vai ter Copa
A arrogância dos movimentos populares é sustentada pela passividade do governo, daí os saques, mais idiotas do que presunçosos, como o de que não haveria a Copa do Mundo e, convenhamos, que até foram à tentativa, aproximando-se dos estádios para impedir os jogos. Um mínimo de autoridade e a patuscada frustrou-se. Agora as redes sociais (sempre elas, alegando milhares de apoios que não se sustentam), com reuniões marcadas para a noite de ontem, sob o comando da União Paranaense de Estudantes Secundários, tinham até um teaser rimado para combater a alta nos coletivos de Curitiba "três e oitenta nem tenta".
Se tais movimentos soubessem fazer o policiamento interno como o MST, que evita bêbados em suas marchas e também provocadores, ainda haveria higienização do processo sem a presença dos Black Bloc, a Ku-Klux-Klan na versão brasileira, e que deturparam completamente a melhor das manifestações, a mais limpa e que rejeitava partidos, de 2013, que deu a ilusão de que o Brasil se depurava tal qual se dá com a Lava Jato de que a remissão dos pecados públicos é próxima.
Sem Momo
Pelo visto Tibagi terá o melhor carnaval do Paraná com o corte da festa em Paranaguá e Antonina, por causa da dengue, e em Morretes e Irati por outros motivos. Curitiba surpreende com o seu pré- carnaval que agora perde um pouco da naturalidade e espontaneidade com o timbre da Fucucu, a Fundação Cultural de Curitiba, com seus funcionários aparecendo mais do que os foliões.
A braba Abrabar
Irritada com o grande número de moradores de rua em vãos de galerias de bancos e lojas, a Abrabar que certamente não os vê como clientes e sim empecilhos quer uma higienização das ruas para que eles sejam acolhidos em abrigos decentes. Ora, a política adotada é a de tentar convencê-los a irem para instalações sociais, tarefa cabível aos educadores de rua, prática quase mundial. Obviamente, não os querem nem na porta e muito menos no interior dos bares.
Pelo jeito, a experiência do Palladium, com a liminar que lhe garantiu fazer a seleção dos seus jovens frequentadores para que não se engalfinhem em seu interior, criou jurisprudência e agora chegou a vez de classificar moradores de rua, essa "vaca sagrada" dos nossos dias.
De repente, não mais que de repente, "pinta" uma ONG dos direitos humanos no pedaço.
O relógio
E agora essa história do Rolex que estaria com o governador por obras e artes do pessoal da Valor, aqueles dos chunchos das construções escolares, virou a especulação do momento e que infringiria a lei sancionada por Beto Richa que proíbe agente público de receber mimos de mais de 100 reais.
Enfim, fizeram um rolê com prédios escolares, pagos e não concluídos, o que é uma redundância de mau gosto em chamar de "rolo", e fecharam o trocadilho com um Rolex, Dura lex, sed lex.
Folclore
Fui aluno do mestre Rosário Farani Mansur Guérios, filólogo e dicionarista, e o considero apesar da rigidez de sua posição como católico "integrista", um precursor disso que faz a arte dos professores de cursinhos de um modo geral: comunicativos, abertos à anedota para um ajuste pedagógico. Ao receber o título de mestre emérito da Universidade Federal, logo na abertura do discurso de agradecimento, fez a reflexão de que "imérito" era justo um sem mérito.





