LUIZ GERALDO MAZZA
Sem dinheiro, sem lideranças
De bolsos vazios e ainda por cima sem liderança, o governo estadual não consegue gerar qualquer sinal de esperança para os flagelados da enxurrada e não tem sequer aquele toque de reunir, capaz de fazer crer que a tormenta é provisória. Entre a necessidade dos R$ 100 milhões apurada pelo DER para o socorro imediato da infraestrutura agredida teria somente cinco milhas, e ainda por cima a prestações, para ajudar na demanda.
A secura obriga não apenas o governador, mas sua equipe inteira a ajustar-se a essa condicionante braba, o que talvez decorra da postura mandamental e tecnocrática (necessária especialmente quando o embate maior da prodigalidade é com políticos) do secretário da Fazenda que não abre mão do monitoramento rígido da área, sabendo, aliás, que por estarmos num ano eleitoral, haverá choro e ranger de dentes. Se numa questão grave como a da calamidade que alcança Rolândia e tantas cidades do setentrião com sua sequela de dramas familiares não há dinheiro, percebe-se que o ordenamento pela austeridade se sobrepõe a tudo.
Claro que isso não ficará assim e não será fácil ao governador colocar-se como o escudo de Mauro Ricardo Costa que, na sua inflexibilidade, não admite recuos nessa posição para evitar o pior já vivido no exercício anterior.
Ocorre que demanda política é exatamente essa que resulta de dramas que alcançam centenas de comunidades, onde haverá eleições. Primeiro, os políticos traduzirão isso ao governador que os convocará para debate com o secretário num diálogo entre a emoção, já transformada em paixão e a caminho célere da loucura, e a racionalidade.
É indispensável descobrir matizes entre os dois polos e, para que a conversão não resulte nula, é de esperar-se mais contenção dos políticos do que do secretário porque esse, ao menos, não tem, ao menos até aqui, a consciência culpada.
Por sinal que, ontem mesmo, Mauro Ricardo Costa admitiu a hipótese de atendimento dentro de certos parâmetros já que a execução orçamentária estaria nos trinques.
Mutirão
O que está ocorrendo litoral deveria ser um exemplo para as áreas flageladas pelas cheias: o mutirão de 1.509 pessoas, voluntárias, na luta contra o mosquito da dengue em que vistoriaram áreas de Guaratuba e Matinhos e farão também o mesmo em Pontal do Paraná. São situações-limite e até assemelhadas pelo grau de mobilização centrado no desespero. Claro que o impacto demolidor das cheias tem maior força por estar negando serviços essenciais como o de água e energia em vários assentamentos, inclusive em cidades de porte como Maringá que só agora melhorou seu atendimento. O caso das cheias se repete em outros pontos do país, notadamente em São Paulo e áreas do Mato Grosso do Sul e nem sempre podem as prefeituras, mais os serviços da defesa civil, isoladamente darem resposta adequada aos problemas.
Barragem
Para livrar-se de novas brigas de gangues em seu interior, o Paladium, um dos maiores shoppings da capital, conseguiu medida cautelar na Justiça que o habilita a barrar pessoas no ingresso das suas instalações. Medidas como a de impedir camisas de clube de futebol, torcidas organizadas e versões equivalentes já podem servir de filtro. Todavia, a proibição genérica é marcadamente ilegal como se viu no Rio de Janeiro em que a pretexto de combate aos arrastões bloqueavam na praia todo menor de sandália (ou sem) e de calção, vestuário clássico dos infratores. Esse mimetismo - o de estar na exclusão da pobreza na precariedade das vestes - foi repudiado como infração grave aos direitos humanos.
Encontro
Criou-se exagerada expectativa em torno do encontro entre a deputada federal Cristiane Yared e o presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, que acabou acontecendo com máxima naturalidade. Coube ao ministro explicar o caso do adiamento do júri de Ribas Carli como tecnicalidade e que poderia, inclusive, servir de pleito futuro de nulidade. Ambos cumpriram seu papel, e Cristiane revelou-se disposta a tudo para ver restaurada a ordem jurídica violada que transformou numa causa e que a levou até a ser eleita deputada federal com a máxima contagem de votos na bancada paranaense. De outro lado, o presidente do STF tomou consciência dos problemas do Judiciário paranaense ao conhecer a Casa de Custódia já que no seu entorno estava programada, há anos, a construção de um Centro Judiciário e que tem sido transferida sistematicamente por absoluta falta de recurso, hoje agravada pela crise do país e também em função do ajuste fiscal interno.





