Blindagem impossível
Diante da catadupa de denúncias contra políticos percebe-se que, além da desconfiança geral com a fauna, hoje não se aplica o benefício da dúvida nem aos mitos como Lula, razão pela qual a defesa indignada dos paranaenses recém-listados soa frágil, ainda que tenham todos motivos para mostrar perplexidade em torno do ocorrido. Não há mais espaço e nem cenário para corpo fechado. Claro que aqueles que contam com maior empatia do público se beneficiam como, por exemplo, Jaime Lerner a quem boa parte nega ou aparenta desconhecer sua participação na Banestado CC5 que lançou Youssef, revelado em outras maroteiras de Antonio Belinati, aquelas da AMA-Comurb, em Londrina. Getúlio Vargas, mesmo no fragor da carga maior da UDN e dos militares da República do Galeão, pouco antes do seu martírio, contava com aquela aura que se concede aos quase beatificados. Essa é uma questão que deveria levar a classe política de um modo geral à reflexão em torno da inexistência, até residual, de uma possível absolvição prévia. E é a carência geral que torna as explicações, por mais razoáveis que pareçam, incapazes de um sinal mínimo de aceitação. O pior é que isso não os vacina para a sua atuação e nem refaz o elo perdido de uma conexão nutrida por várias vitórias eleitorais. Se o risco ameaça até os mitos e os santificados, evidentemente que os normais da mediania jamais contarão com o sentimento da absolvição prévia. Mesmo que válidas, suas exposições parecem ocas e, em muitos dos casos, acintosamente ridículas.

Quem denunciou
Jaime Sunye Neto, um dos primeiros a denunciar a trama das construções escolares, foi demitido e esse é o sinal de como o governo reagiu à questão e tirou, também, posto que escudado em outras razões, o secretário de Educação, igualmente quem tomou as primeiras medidas de apuração. O governador é alguém que não acredita também no ditado: "Diga-me com quem andas, dir-te-ei quem és". É recordista em dar "bandeiras" como as das relações suas de lazer, que normalmente ganham sentido da afetividade e privacidade, com gente envolvida. O caso do Ezequias, que dá as cartas no seu governo com a imponência de um príncipe, é bem distante e soa como gesto de lealdade ao companheiro que pisou na bola, e merece uma suposta compreensão. Que não vigora a seu favor nem na Publicano e muito menos na Quadro Negro.

Adiado
Antes, muito antes da 25ª hora, o STF, através de uma liminar do seu presidente, suspendeu o júri do ex-deputado Ribas Carli. Hoje o ministro Levandowski estará em Curitiba para receber comenda do Tribunal de Justiça e participar da inauguração da Casa de Custódia em cujo entorno seriam erguidas as instalações do Judicíário local. Inevitáveis as perguntas que a barragem judiciária buscará minimizar, tal a reação do público e, especialmente da deputada federal, a mais votada do Paraná, Cristiane Yared, e que perdeu o filho na tragédia de seis anos passados e promete tentar um contato com o ministro do STF. Aí, um clima de constrangimento que reclama a presença mais de bombeiros do que de incendiários. Decisões judiciais, ainda que provisórias, se assentem no princípio da liberdade de convencimento dos magistrados.

Sem recursos
O Paraná está "depenado": visitando as áreas flageladas pela chuva no Norte, o governador sabe que há necessidade de R$ 100 milhões para recompor estradas, obras de arte e assistência aos mais de 60 mil afetados, dos quais 36 mil em Rolândia, mas que o tesouro só disporia de R$ 5 milhões. A pobreza é tanta que o governo corre o risco de sofrer sanções por não poder pagar os R$ 15 milhões que deve à prefeitura da capital por causa das obras da Arena da Baixada. Como compatibilizar isso com a charanga de que estamos com a melhor situação fiscal do Brasil não é fácil e ainda mais com aquele ranking do Centro de Liderança Pública e consultoria Tendências que colocou o Paraná em segundo lugar com 80 pontos, atrás de São Paulo com 90, e no qual fomos, imaginem, o primeiro em segurança pública, o segundo em infraestrutura, o quarto em solidez fiscal e sustentabilidade social e o terceiro em educação. Pode ser o que os outros veem, não o que sentimos. Curioso é que Alagoas, que aparece em último, tem o governador de maior pontuação em credibilidade.

A garrafa
Em Caiobá, uma senhora encontrou uma garrafa de água mineral e que trazia mensagem (e não aquele gênio que atende as clássicas três perguntas) denunciando trabalho escravo num navio. O objeto, como na lenda, boiava e a pessoa, sensibilizada, levou a mensagem à administração dos Portos e que por sua vez acionou a Polícia Federal que fez as averiguações. Em tempo de web o meio de ontem é a mensagem e a massagem, simultaneamente. Voltemos aos tambores.

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