Quase igual
O impacto das enxurradas, especialmente ao Norte , levando à desolação com a destruição de lavouras e estradas não é o mesmo das geadas que tanto castigaram a região quando dos tempos do café, afinal um apocalipse quase de dois em dois anos porque mal se acomodava o mercado e surgia uma nova hecatombe. Das chuvas tudo se pode esperar, mas em climatologia não é confiável valer-se, como parâmetro, das séries históricas como ensina o bíblico dilúvio e a racionalidade (ou pelo menos pretensa) dá a esse indicador um certo lastro científico e, em função dele, o planejamento de estradas, represas, viadutos e pontes e assentamentos humanos são concebidos. Não é o mesmo, certamente, até porque já não somos mais uma monocultura na qual se apostava tudo, o próprio sentido da vida e da aventura de cada um. Mas no que diz respeito ao que se possa fazer em termos emergenciais lembra um pouco daquela experiência: pela persistência desses fenômenos temos hoje um aprendizado em defesa civil com alguma força mobilizadora e isso, ao menos, reduz consideravelmente as sequelas da tragédia. É verdade que cicatrizes ficam como as da serra de Petrópolis, onde até hoje os que tudo perderam aguardam as promessas de governos central e regionais. Como de resto, evidentemente com menor impacto, tivemos situações assemelhadas em nosso litoral em deslizamentos e cheias. Tudo o que tem a marca de emergente deixa esse risco, atende-se parcialmente a demanda e dá a impressão que houve uma solução, posto que, seletiva e insuficiente, como na velha reflexão em torno da árvore e a floresta. Nos tempos do café havia em sequência às geadas planos especiais de financiamento da lavoura agredida o que num certo momento teria um fim como se deu em 1975 com a soma das baixas temperaturas com a prolongada estiagem. Certamente, virão os pacotes de socorro, porém o que ressalta é a prioridade da emergência na qual não adianta maldizer os feitos do homem como causa primeira nas agressões ambientais. O proselitismo dessa linha nada resolverá como também não se deu na tragédia de Mariana. E não dará resposta ao sofrimento de mais de 10 mil afetados pelas cheias que interromperam até o abastecimento de água e energia em dezenas de cidades.

Conta gotas
A novela-chantagem da greve dos ônibus na capital teve como novidade mais forte a injeção de recursos (adiantamentos) da Urbs para financiar empresas que permitiu, até o meio da tarde, o pagamento de salários em duas delas e sobretudo a firmeza com que a Justiça exigiu a frota mínima que anteontem não foi respeitada. Segundo o Setransp, até o fim da tarde, 98% dos débitos teriam sido pagos, dado que o Sindimoc, companheiro de pingue pongue sindical, aquele que gira entre a parede e o locaute, não confirmava. Incrível o fato de a Urbs, apesar dos seus trinta anos de gerenciamento, não ter meios de devassar a contabilidade das empresas e seus supostos lucros e deficits e submeter-se a refém do cartel, levando a pior em todos os confrontos, especialmente os de natureza jurídica.

Agora vai?
Foi instalada finalmente a delegacia de furtos e roubos de cargas na Campina do Siqueira. Urge que funcione, pois o momento é de tal gravidade na área que pede máxima seriedade. Em passado não remoto um policial de destaque foi acusado de ligar-se às gangues do roubo de cargas.

Gangorra
No momento em que Alvaro Dias ganha destaque em programa nacional do Partido Verde, o nosso governador é colocado no processo da Quadro Negro junto com vários correligionários seus entre os quais o presidente da Assembleia. Aliás, Alvaro era tão esnobado no PSDB que tanto o Valdir Rossoni como o atual, Traiano, cogitavam disputar a Câmara Alta. Se der delação premiada, como houve em pelo menos um caso na Publicano, a questão se agrava porque bagrinhos e aspones abrirão o bico. É a gangorra política, Alvaro em alta, com o maior eleitor do Paraná, Beto Richa, em baixa. Se Alvaro convencer como ambientalista, pode repetir, em termos, a Marina Silva: ele mais terreno, ela quase beata na sua pregação, levitando. E deverá menos ao seu pragmatismo do que à pobreza notória de quadros políticos no Brasil.

Júri do ano
O júri do ex-deputado Ribas Carli já está definitivamente marcado e a Justiça vai distribuir 130 senhas entre interessados em assisti-lo. Senhas serão nominais.

Folclore
O prefeito Gustavo Fruet foi convidado ontem por um condomínio do Bigorrilho a comparecer à inauguração de um buraco que já tem um ano. E lá estava o cartaz: "O carnê do IPTU já veio, mas o buraco aqui, mais embaixo, não foi tapado". Obviamente Fruet estava com outra prioridade: o buraco das planilhas do transporte coletivo e alegada quebra das empresas. De buraco em buraco, acaba não abrindo aquele desejado do metrô, seu sonho de ascensão.

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