Burla de alto risco
Há realmente uma greve nos transportes coletivos em Curitiba ou uma encenação de locaute que torna a capital refém de uma trama sindical, capital e trabalho associados? O jogo é simples: as empresas não pagam, a greve é deflagrada e a Justiça do Trabalho determina que nos horários de pico funcione 50% da frota e 30% nos demais. Desde a madrugada, justo no pico, não havia nem 30% quanto mais os exigidos 50% em operação.
O lado mais desolador foi a desobediência aos parâmetros estabelecidos pela Justiça e a encenação de uma farsa por parte de todos os agentes, sobrando para o público o maior ônus, isso sem falar no caos estabelecido com faltas ao trabalho, hospitais (aqueles que atendem 70% do SUS) quase imobilizados, incapacidade da frota de táxis atender à demanda forçada, enfim uma violência sem tamanho que no caso testava a eficiência das instituições com um fracasso de tal ordem que dava a entender que a greve era de alguns e claramente contra a população.
A facilidade com que os dois sindicatos exercem pressões para obter o que pretendem virou rotina e reclama justamente do Judiciário uma postura mais ativa no cumprimento de suas decisões para que ganhe o respeito indispensável pelas partes envolvidas. O sindicato patronal pede tarifa técnica de R$ 4 sabidamente um abuso e a prefeitura oferta uma baixa demais como se estivesse praticando um blefe numa mesa de pôquer. Se essa burla persistir, está criado um expediente infalível para jogar nas cordas o sistema que até outro dia era olhado como exemplo nacional.

Agenda positiva
O gabinete da crise do governo estadual pode agora colocar em ação a tal agenda positiva de que tanto falam: o reajuste do funcionalismo que valeu para outros poderes e não para o Executivo pode ser olhado dessa maneira. Tal qual o cumprimento de uma meta, pois se tratava de um compromisso de honra de um governo às voltas com o ajuste fiscal. Agora vem outra notícia positiva: o saldo positivo de US$ 2,46 bilhões na balança comercial de 2015, primeiro feito desde 2010. A retração interna no baixo nível de atividade econômica, a supervalorização do dólar, queda na aquisição de combustíveis e lubrificantes, todos esses fatores deram sua contribuição. Recomenda-se, a partir de agora, que se crie, se é que isso pode ser viável, a cada sinalização de traço positivo como foi, sem dúvida, aquela de o Paraná ter superado o Rio Grande do Sul no ranking da renda interna. Qualquer cintilação positiva na arrecadação deve ser saudada desde que calculado o risco da precipitação como no caso da arrecadação e também com baixa expressiva nas despesas. Um pouquinho de presença nacional, política e administrativa, com o governador Beto Richa conclamando aos demais poderes um esforço comum para debelar a recessão já seria um bom, programa.

Tragédia
Volta e meia, quando enumera investimentos de Estado, o governo se refere às estradas e com o drama de toda a malha, tanto a federal, fundamento dos anéis de integração e do pedágio, quanto a estadual se encontra minada pelas enxurradas e com vários pontos obrigatoriamente condenados à interdição. Tudo isso dá uma ideia de que o esforço a desenvolver é bem mais do que aquele que é normalmente referido. Dá a impressão até que se deve partir do zero tal a desolação provocada.

Recuperação
Já se criticou com muita razão a vulnerabilidade do Judiciário na guarda de armas evidenciadas em episódios aqui em Curitiba e mais recentemente em São José dos Pinhais. Pois neste caso pelo menos as 23 roubadas foram recapturadas e um dos prováveis culpados preso.

Escalada de risco
As mais recentes revelações da Lava Jato, cada vez mais contundentes, agora alcançando até as figuras de Lula e FHC, se mostram transbordantes e como se acumulam atingindo também os presidentes da Câmara e do Senado, ambos da linha sucessória, tendem a criar uma espécie de misturador de vozes que em nada serve aos objetivos da operação. Essa referência, a três por dois, me faz lembrar um caso de corrupção de menores no fim dos anos 50 em Curitiba em que a técnica dos advogados consistia em botar o maior número de figurões como participantes das orgias, de prefeitos a gerentes de banco, e que saturavam o meio de campo das apurações comandadas pelo delegado Almir Chagas Vilela. Jornais mais desligados das raízes como a edição regional do "Última Hora" dava detalhes de tudo e houve até um caso de um advogado que comprou uma edição inteira banca por banca. Só que um gerente pediu novo reparte (tudo vinha por avião) e ao bacharel não houve outra alternativa se não a de estocar cerca de 30 mil exemplares num apartamento para que seu pai não visse as suas façanhas de Don Juan quando Curitiba descobriu, tardiamente, que as meninas davam e que havia roda de tóxicos. Vamos torcer para que as apurações da Lava Jato não saiam de foco. É algo decisivo para o país, embora constrangedor para parte da nossa plutocracia travestida de obreira. .

Folclore
Lição de fé nem sempre se apreende: ando pela 24 de Maio e vejo uma menina com sinais bem acentuados de deficiente a brincar com um inseto que exalava mau cheiro, o fede-fede. Alertei-a para o risco do odor e ela replicou: "Fede-fede é você, esse é um bichinho de Deus!". Fé de mais.

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