Atraso secular
Não é de apenas 20 anos o atraso do Brasil em saneamento, mas a Confederação Nacional da Indústria afirma que para atingir as metas do plano de saneamento básico (concluir até 2013 a rede de água e até 2033 a de esgoto) seriam necessárias mais duas décadas, pois para atingi-la a União e os demais entes teriam que dobrar os gastos com o setor. Tais investimentos pararam de crescer em 2009, dois anos depois do primeiro PAC, barulhento como toda onomatopeia e frágil como retorno. De 1996 a 2013 a rede de esgotos chegou a 58% e a de água saltou de 76% a 84% de casas atendidas entre 1996 a 2006.
O atual surto de dengue, que alcança várias regiões do país, é uma prova das vulnerabilidades na profilaxia das doenças de origem hídrica. Aqui o surto mais importante é o de Paranaguá pelo número de atingidos, mas a situação de insalubridade do litoral leva Morretes a suspender o seu carnaval, enquanto Guaraqueçaba registrava mais dois casos autóctones da moléstia. Paranaguá discutia no fim da tarde de ontem se dava cartão vermelho para Momo.
Por aí se vê a descoordenação governamental: um esforço maior nessa área daria o tom adequado a um tipo de desenvolvimentismo desejado pelas circunstâncias, o que mostra a fragilidade do PAC, por sua ambição abrangente, e que revela fracasso inegável: se um gerente bancário fosse tão impreciso nas metas sucumbiria sob a tortura do assédio moral dos patrões.

Sinais ruins
O boletim Focus do Banco Central prevê queda de quase -3% (-2,99% para ser preciso) no PIB do Brasil e uma inflação de 6,93% para 2016. Se tudo continuar como está, a previsão em Curitiba irá superar os 7%. Nota vermelha como a bandeira do PT.

Transferência
Bumlai deixou ontem a prisão por ter sofrido crise hemorrágica e levado ao Hospital Santa Cruz. Depois das denúncias de investigados da Lava Jato que teriam sofrido intimidação (ameaça de morte) por um operador de Eduardo Cunha, Lúcio Bolonha Funaro, a notícia da crise do amigo de Lula cortou a sequência de informes em escalada.

Polinter
A polícia prendeu em Pato Branco o paraguaio Flavio de Assunção, procurado pela Polinter pelo assassinato do jornalista Pablo Medina e sua assistente Antonia Almada.

Precipitação
O Chile, normalmente um cenário moderno na América Latina, ante a queda de popularidade da sua presidente Michelle Bachelet, pretende aplicar até 2020 a universalidade da gratuidade do ensino superior, recuo na seriedade, como se fôssemos exemplo a ser imitado quando, na verdade, apesar da discurseira, de cada dez universitários brasileiros apenas três são de escola pública. Com um detalhe que gostaria de lembrar: tanto no primário como no médio, em escola pública, anos 40 e 50, tive que recorrer a bolsa para não pagar as taxas exigidas e no universitário tive que levar minhas razões ao diretório acadêmico para beneficiar-me da liberação. Aqui, no setor estadual, o terceiro grau era pago até que Alvaro Dias resolveu adotar a gratuidade que é um dos maiores ônus já comprovados do setor. Aí também falharam os ministros que tivemos na Saúde e Educação e que poderiam nos ter proporcionado a federalização das universidades estaduais e ainda por cima no caso do Hospital de Clínicas assegurar a sua manutenção com verbas federais. Até pouco tempo o HC era um dos raros hospitais escola que não contavam com essa provisão e que não saiu da crise com o convênio com a empresa hospitalar federal tanto que há ameaça de greve por falta de pagamento de salários.

Aborto
Diante da frequência de casos de microcefalia em bebês cogita-se de liberar o aborto como na questão dos anencefálicos. Obviamente a matéria provocará choques como também a avaliação pelo governo do implante subcutâneo e DIU ( dispositivo intrauterino) para adolescentes de 15 a 19 anos com objetivo de evitar a gravidez nessa faixa etária. Mais fermento nos nossos conflitos.

Folclore
Em entrevista o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, declarou que a Olimpíada no Rio será uma chance de mostrar que o país não é só roubalheira como as decorrentes da Lava Jato. Ocorre que se não houver desvios já será uma surpresa, bastando lembrar a vergonheira que foi o Pan no Rio, onde o orçamento inferior a R$ 800 milhões se transformou numa bomba de efeito retardado de quase R$ 4 bi sem falar nos defeitos das obras como as da Vila Olímpica e do Estádio Engenhão. Por sinal que estava programada a despoluição da baía que será um dos transtornos previsíveis já que, de lá para cá, pouco foi feito nessa direção e isso já foi denunciado.

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