LUIZ GERALDO MAZZA
Quem é mais conservador
Diogo Castor, procurador da República e que já passou pelo Ministério Público estadual, um dos mais jovens integrantes da força-tarefa da Lava Jato, declarou-se impressionado com os níveis de corrupção do Paraná em referência especial aos fatos apurados pela Publicano na roubalheira fiscal. Das suas declarações à revista "Ideias", que tiveram a mais ampla repercussão, ressalta a de que "a Justiça estadual é mais conservadora e vemos algumas decisões de soltura inexplicáveis como por exemplo a de Luiz Abi". Defensor intransigente dos métodos das "mãos limpas" da Itália com a eficácia das delações premiadas e consequentemente da matéria probatória faz paralelo impossível entre a Lava Jato e a operação do Gaeco, visivelmente de dimensão menos abrangente, e a questão cultural condicionada pelo modelo federativo que tem nos estados-membros uma tradição acomodatícia em função da autarquia provincial: não há como esperar o fluir das ações judiciais e isso em especial em sociedades cartoriais como a nossa, já que hoje não nos distanciamos tanto quanto no passado de Alagoas, Maranhão e Rio de Janeiro em solidez oligárquica.
De outro lado, a Justiça federal não deixa de ser leniente como Diogo Castor demonstrou em sua tese de mestrado criticando o casuísmo dos seus tribunais quando versam sobre crimes da elite. E cita o exemplo de que o crime de um traficante é tratado de forma muito mais rígida do que o praticado por um empresário.
Se a Publicano tivesse o ritmo da Lava Jato, não seriam poucas as forças arregimentadas para "melar" todo o processo. Aliás, isso se dá, por exemplo, no questionamento do gravador posto na cela de Youssef que advogados dos empreiteiros apontam com um fator capaz de anular todos os procedimentos até aqui adotados, esperança curtida também em cima de conflitos de depoentes.
Embora se diga, com algum exagero, que a Publicano é a nossa "Lava Jato" há distância de anos luz em função da maior eficácia dos bloqueios da oligarquia nos feudos. Aliás, o jurista Rui Cirne Lima, em seus estudos de Teoria Geral do Estado, compara os valores da Federação e das unidades que a compõem com o feudalismo.
Fruet oitavo, Beto lanterna
O Paraná e Curitiba não vivem um bom momento: sondagem da Paraná Pesquisas sobre índices de popularidade em treze unidades federativas e suas capitais atribui a Gustavo Fruet com 48 pontos de aprovação o oitavo lugar e a Beto Richa com 71 de rejeição o último lugar, um pouquinho à frente de Pezão, do Rio, com 68,1 negativos.
O governador, depois da primeira reunião do secretariado, voltou a explorar o velho filão da nossa política, o vitimalismo, no qual ele seria o mártir do ajuste fiscal que já estaria redimindo o Paraná que, após o sofrimento geral, voltaria, estuante, a ser o que sempre foi, glória do país.
Tanto governadores como prefeitos da capital sempre foram listados entre os primeiros e isso se deu com Beto Richa nas duas posições. O primeiro a surpreender foi Luciano Ducci nas proximidades do pleito, em que buscava a reeleição, ao figurar como décimo quarto.
A ironia a registrar é que tucanos festejaram a situação de Fruet sem saber dos resultados mais gerais da pesquisa que botou Beto em último lugar, na lanterna. Um áulico palaciano, confiante nas ações do secretário da Fazenda, viu essa lanterna como metáfora, luz enfim no fim do túnel.
O Ahú de volta
Ainda que durante vários governos se tenha falado no Centro do Judiciário nas imediações da Prisão Provisória do Ahú, juntamente com um parque, como propunha Roberto Requião chegou-se a uma conclusão: o projeto ambicioso fica para depois e enquanto a crise não é amainada faz-se do prédio sem uso há dez anos um Centro de Custódia para desafogar os dramas prisionais. A edificação, bastante arruinada, já tem 110 anos e precisa ser convenientemente adaptada para as novas funções com as quais já teve tanta semelhança. No entorno da área o Instituto Nacional de Seguro Social trava antiga batalha com 250 famílias que a invadiram e que aos poucos vem recuperando. Alegam herdeiros da sesmaria de Caetano Munhoz da Rocha que alguns lotes do presídio são alvo de uma demarcatória.
Folclore
Irati, por causa da dengue e também da crise, decidiu não fazer carnaval e em Paranaguá um vereador acha que Momo deve abdicar em favor do combate ao mosquito. Paranaguá tem uma tradição centenária de carnaval e, em certo momento, contou até com o apoio do maior gênio da música brasileira, Villa Lobos, que lá morou e ali apresentou seu primeiro concerto no Teatro Santa Celina. A proposta do legislador é que se utilize a verba de R$ 600 mil, reservada para ajudar as escolas de samba e aprimorar a festa, para a campanha de combate à dengue. Só falta agora um carnavalesco produzir marchinha sob o título "não me venha de dengues".





