Até aqui tudo bem
A decisão da Secretaria de Administração e Previdência de acolher recomendação do Ministério Público para suspender pedidos de aposentadoria de auditores fiscais, enquadrados na Operação Publicano e formalmente denunciados, é mais um passo correto dado pelo governo ao lado daquela outra iniciativa de exercer contrapressão aos órgãos da categoria funcional empenhados em "melar" os procedimentos no exercício de baixo corporativismo e retomar as sindicâncias e inquéritos na área administrativa.
Credite-se, historicamente, ao governador Beto Richa o empenho em fortalecer o Gaeco em função dos conflitos gerados pelo secretário de Segurança, Cid Vasques, que pretendia impor normas de rotatividade de policiais, civis e militares, postos a serviço daquele braço do Ministério Público e também na resistência compacta de promotores e procuradores nos seus vários conselhos a qualquer tentativa de obstaculizar ou restringir as ações do órgão que tanto projeta a instituição.
É evidente que a suspensão soa como cautela já que a concessão dos benefícios terá que ser vista em função de fundamentos jurídicos e apreciada com o cuidado de não ferir direitos subjetivos por mais que se entenda a reação ao gesto oportunista de consumar a inatividade como já obtiveram concessões como a do exercício de férias, deferidas judicialmente.
A mensagem que estabelece um arco de maior punibilidade a infratores fiscais é apenas uma prévia revelação de que o aparato legislativo é precário e, além de tudo, não tem utilidade para a emergência, uma vez que não pode alcançar os acusados pela circunstância elementar de que a lei não retroage, fundamento essencial. Cuidados administrativos maiores poderiam ser tomados contra os conselheiros que tentavam demonizar colegas encarregados das correições. É que da forma como agiram ao menos praticaram um ato claro de prevaricação e de bloqueio aos procedimentos.
O atentado é grave demais e, pela repercussão obtida ao envolver gente ligada direta e indiretamente ao governador, reclama um exame aberto e rigoroso dos fatos por se darem justamente na pasta ora encarregada do ajuste para tirar o Paraná da areia movediça da recessão.
Até aqui, portanto, tudo bem no comportamento governamental.

Rede solidária
A turista curitibana, Elisa Catalini, achou numa trilha da Ilha do Mel uma câmera de filmar e ocupada em saber quem era o seu dono valeu-se das redes sociais, nas quais obteve mais de 8 mil acessos, e o dono, um visitante paulista, foi encontrado. Uma das curiosidades foi a de integrar a rede uma turista que conhecera o proprietário em Miami.
Uma notícia dessas, pelo que tem de densa humanidade, vale mais do que anúncios destacando as belezas das Encantadas e sua gruta histórica, seus faróis e o monumento militar de defesa das águas territoriais, o mar de dentro e o canal da Galheta. A Ilha foi o que restou a Paranaguá com o processo de municipalização das praias iniciado com Matinhos e concluído com Pontal.

Urbs de novo
Embora detendo o maior acervo de massa crítica do sistema de transporte coletivo, a Urbs é uma reincidente, específica e genérica, em mancadas como a de ontem em que seus serviços da internet ficaram fora do ar e impediram que centenas de interessados fizessem a compra de créditos. Apesar da onipotência demonstrada quando negou validade à pesquisa de origem-destino da Grã Curitiba por instituição universitária e levou o prefeito Gustavo Fruet ao erro de botar uma pá de cal na integração do sistema, a pretexto de querer participação maior do governo estadual em subsidiar o sistema. Agora, quando as contas da nova tarifa fecharem, se percebera que nada se ganhou com o fim da integração que inclusive gerou menor número de passageiros e queda de produtividade.
É verdade que um vexame eletrônico pegou a Caixa Econômica em cima da mega da virada que põe em dúvida a fidelidade das suas loterias como também se dá com as estatísticas e números da Urbs diante do ocorrido. A soberba não salva e nem justifica os que erram.

Água viva
Caiu o registro de praias interditadas, o que é um avanço respeitável, em termos de balneabilidade, melhora óbvia nas condições de saneamento, mas para descompensar cresceu, de forma extrema, a presença de águas vivas, o que tem sido um tormento, a mais entre tantos, aos banhistas com milhares de casos sérios de queimaduras. O princípio urticante é a soma de dois fatores, a talassina e a congestina. O toque no corpo é suficiente para levar a dores nos rins, vômitos e quadros inclusive neurológicos que em certos casos exigem internação hospitalar, conforme o grau de sensibilidade do paciente ao choque anafilático.

Folclore
Ney Braga era o oficial de dia do quartel. Atleticano roxo, permitiu que dois soldados fossem liberados para um Atletiba, ambos coxas, o centroavante Neno, que anos depois seria um dos trunfos do Furacão, e o ponta-esquerda Altevir. Esse gesto generoso de fair play não foi nada compensador já que o Coritiba ganhou de dois a zero, gols de Neno, o demônio louro, e Altevir chamado de "bazuca" por causa da força com os chutes de canhota.

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