Sonegação estimulada
Levantamento recente da Secretaria da Fazenda apurou que nos últimos cinco anos o montante de tributos sonegados chegaria a R$ 310 milhões, indicador que parece extremamente suave se levarmos em conta o já apurado pela Publicano sem falar naquela referência pelo Gaeco de que o esquema fraudulento viria desde 1983, gestão José Richa. De José, o patriarca, a Beto haveria por certo imensidão maior de perda de recursos.
Estamos, por força da crise, vivendo um momento incomum na vida fazendária: o titular, Mauro Ricardo Costa, é a viga mestra do governo e dotado de moral e liderança, jamais conferida a qualquer dos seus antecessores até porque não detinham o raio de autonomia, ora prevalecente e que dá aos integrantes da pasta uma condição excepcional, ainda mais agora com o andamento das ações de profilaxia contra a ladroagem no contubérnio entre empresários e fiscais.
É essa condição de figura-chave do governo que devolve a imagem perdida da pasta pela delegação de poderes recebidos e que com isso transforma seu quadro de fiscais, expungidos os acusados enquanto não provarem inocência, num exército de libertação do governo da mediocridade e da incompetência para um trabalho que despreza a política em favor da tecnocracia até por não haver outra alternativa imaginável.
Qualquer recuo nessa operação e voltaremos à areia movediça da crise fiscal que o governo sempre escondeu mesmo quando pressionado por órgãos federais por seu desprezo sistemático às normas da Lei de Responsabilidade Fiscal e negando o carimbo a empréstimos. A malandragem de parque de que havia perseguição da União ao Estado pegou eleitoralmente, mas os fatos mostraram, com máxima clareza, em que lugar estavam os delinquentes.
Boa parte da evasão fiscal, não apenas da sonegação, é ação compartilhada entre empresários e fiscais como o Gaeco demonstrou com exuberância documental.

Mal nos trilhos
Segue a queda no volume de carga transportada por trem: em 2014 foram 46 milhões de toneladas levadas aos portos do Paraná contra média anual de 48,5 milhões de toneladas de 2011 a 2013. E há ainda quem acredite no trem pé-vermelho ao Norte quando o monopólio da área é abertamente contra a carga de passageiros. Outro absurdo: o ramal para Rio Branco do Sul na capital atende apenas os interesses de um cliente, a fábrica de cimento, o que, aliás, é histórico. Continuamos com a mente rodoviarista, também em permanente crise e expressão de um dos gargalos da economia, apesar da suposta flexibilidade das concessões de pedágio.
De outro lado, apenas na iniciativa privada há alguns (pequenos) avanços em hidrovia, uma das mais importantes, e de caráter público, a Tietê-Paraná com defeitos no dimensionamento de cargas quanto ao porte dos graneleiros e a fixação de eclusas Graneleiros portuários modernos não estariam em condições de operar face à infraestrutura montada.
Aquele sonho de estabelecer uma intercessão no Rio Ivaí em Porto Camargo jamais chegou ao estágio de estudo, posto que volta e meia, em época de eleições, insistentemente lembrada, em tempo de delírio que se transfigura em sonambulismo.

Pressão
Já apareceram na polícia mais de duzentas vítimas da agência de viagens Interlaken num prejuízo calculado em pelo menos um milhão de reais. Ministério Público está em cima do processo e a polícia judiciária desenvolve com as inquirições das vítimas e dos acusados um trabalho para ver até que ponto houve ou não fraude na quebra da empresa e na forma como toou os seus negócios.

Sismo e a cisma
Afinal pode uma estatal, seja ela a Copel ou a Sanepar, provocar abalos sísmicos como é a cisma no caso de Londrina de muitos dos seus cidadãos? Ora se a empresa de saneamento entra em operações como a desenvolvida no "carst" metropolitano é evidente que os efeitos podem se dar além dos tremores e esvaziamento de represas e poços como aconteceu e ainda por cima em eventos dolorosos como o dos deslizamentos. Igualmente uma represa hidrelética, e isso se deu, com o Salto Capivara, tocada pelos paulistas na região Norte paranaense cujos abalos tectônicos provocaram rachaduras em Primeiro de Maio. Como a área competente da USP não esclareceu a ocorrência, a cisma persiste embora a Sanepar negue envolvimento com o sismo.

Folclore
Uma das maldades é a de afirmar politicamente que o prefeito Gustavo Fruet não rouba, mas também não faz, como no dístico de Adhemar de Barros. Não há perspectivas de grandes obras em sua segunda gestão, já que tem como Beto Richa possibilidades de reeleger-se, mas se tocasse o metrô, o que parece cada vez mais distante, e sem roubo seria absolutamente original, exemplo para todo o país.

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