Luiz Geraldo Mazza
Capitalismo é assim
Houve chio do público pelo fechamento de unidades do Walmart, dentre elas algumas de origem bem paranaense, o umbigo enterrado no fundo do quintal, da antiga Rede Mercadorama da família Demeterco e que antes disso passara pelo grupo português Sonae. Há décadas assistimos o fim de empresas de destaque latino americano como a rede Hermes Macedo, a transportadora Nossa Senhora da Penha, Móveis Cimo, Refrigeração Paraná do grupo Prosdócimo e a extinção, dentre elas a mais traumática, do Bamerindus que substituído pelo HSBC terá o Bradesco na condição de derradeiro dono.
Por que fecham essas unidades? Porque são antieconômicas na perspectiva de seus donos e não alcançam performance mínima nos padrões de rentabilidade exigidos. Concentração é processo natural, ainda que se ressalte o seu aspecto darwinista, pois aí não vale o peso nostálgico das bandeiras e logomarcas provincianas, a que tantos se referiram, como se valores meramente de traço afetivo fossem dominantes no mundo competitivo.
Vá, no entanto, fazer isso no setor público brasileiro e aí é como se irrompesse o juízo final com o impasse estabelecido tal qual se viu na história da busca de rendimento nas unidades escolares que se tentou mais em São Paulo do que aqui, onde o recuo foi alimentado também pela lembrança do massacre de 29 de abril no Centro Cívico.
Procuravam os técnicos reduzir a ociosidade desses equipamentos, especialmente aqueles que já não se justificavam por terem mais bedéis e merendeiras do que alunos. Foram infelizes na comunicação e perderam, tanto Paraná como São Paulo, uma oportunidade de botar um pouco de racionalidade naquilo que é tão abagunçado e cujo desempenho está evidenciado nas avaliações nacionais que nos colocam em nível de pau de galinheiro. Se o setor privado tivesse tratamento igual ao público os trabalhadores ocupariam as unidades por fechar e estabeleceriam um clima de guerra com desgastes para todos os envolvidos e com um surto de demagogia e populismo com a força multiplicadora da dengue.
É, no entanto, o que o anticapitalismo (o nosso tem que ser esse de Estado e no qual ele indica seus sócios de ações como as expostas pela Lava Jato) prega: razões de mercado não podem prevalecer na educação e a ojeriza é tanta que um grupo forte prega o fim de convênios com fundações privadas que poderiam investir em pesquisa pura ou aplicada, algo normalíssimos no mundo que não é o nosso, o civilizado.
A fonte luminosa
Houve um momento, no regime militar, em que a despeito do discurso de austeridade e também de eficiência em que se via os municípios, então aureolados com a criação do ICMS e um suposto maior raio de autonomia, a pleitear fontes luminosas como expressão de lazer. Foi tanto o abuso que depois se usava o exemplo para identificar um caso de prodigalidade e maus emprego de recursos públicos. Mas a ideia-força (que mais me parece ideia-farsa) dominante era a do Brasil grande como Itaipu, ponte Rio-Niterói, ferrovia do aço e mais modernamente os trilhos da Norte-Sul e da Leste-Oeste. Uma das ondas recentes, da qual Curitiba, apesar de sua suposta expertise urbana, não escapou foi a do metrô, algo incompatível com seu custo à realidade de uma recessão em passos largos para a depressão. Incrível é que o autor das mudanças que emplacaram na capital, Jaime Lerner e seu "brain" de altíssima qualificação, que é radicalmente contra, não foi ouvido e se foi não levado a sério.
Recentemente, o metrô de Salvador, Bahia, teve sua linha Lapa-Pirajá, de 12 km, inaugurada depois de dezoito anos e da triplicação do preço da obra. Suspeitas de superfaturamento marcaram a trajetória do feito como sempre, tal qual se dá em São Paulo com os cardeais do tucanato sob suspeita de propinas que não fariam inveja às do PT, seu oposto.. São Paulo deveria ter no mínimo uns 200 km de metrô e conta apenas com 78 km e 67 estações e isso, vejam só, desde 1974 e dá para imaginar a que custo e com expectativas de retorno em eficiência e comodidade que jamais aconteceram, como se sabe. O avestruz enfia a cabeça na areia e nós no subsolo, aliás mal estudado e mal identificado e tanto em Curitiba que os engenheiros municipais não perceberam ao mexerem no asfalto do Juvevê que ele passava sobre um rio com o mesmo nome e por isso tiveram que recompor o pavimento por quatro vezes. E com essas credenciais querem tocar o metrô para o qual no primeiro estudo não tinham sequer reservado espaço para o material escavado. Uma inversão de Mariana, por favor, não merecemos.





