Dureza seletiva
É bom que o prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet, mantenha a máxima firmeza em sua decisão de endurecer no caso dos dispêndios com a Copa do Mundo e, sobretudo, não ceder aos apelos do Atlético Paranaense para reajustar os valores que caberiam ao clube, ao governo estadual e ao municipal na pretensão de Mario Celso Petraglia. O pior é que no meio da refrega um dos hierarcas palacianos admitiu acatar a tese do Atlético que quase triplicaria esses gastos.

O absurdo é visível: a situação estadual é bem pior do que a municipal e os sacrifícios impostos à população com o ajuste fiscal são extremos e visível também no risco, já admitido pelo Mauro Ricardo Costa, o titular fazendário, de não haver como pagar as folhas do funcionalismo, hoje, com o último reajuste, superando os R$ 1,6 bi. Credores têm que se submeter a regras leoninas mesmo para requisições de pequeno valor, obrigados à fila interminável da angústia dos precatórios.

Da mesma forma, porém, que admite que os outros poderes ganhem automaticamente a reposição da inflação acumulada (como se deu com o Judiciário, Legislativo, Ministério Público e Tribunal, de Contas), enquanto a negava radicalmente ao pessoal do Executivo, o que afinal se deu ao longo
do ano, agora também estaria disposto a afrouxar as regras para atender a demanda do Atlético Paranaense em função das obras na Arena da Baixada.

Essa falta de equilíbrio nas decisões, exacerbadas pelo que têm de injusto, minam o esforço do secretário da Fazenda que pela "causa" trombou até com o chefe do Judiciário (e quase gerou um conflito intrapoderes, algo impensável nos hábitos históricos da aldeia) e que assume como marca pessoal os ônus de tudo, enquanto Beto Richa se autopromove numa recuperação em que sua participação maior foi na quebra do Estado e não no desgaste do aperto fiscal.

Se na decisão de quebrar a integração metropolitana dos transportes, Fruet poderia não ter toda razão, nessa da resistência ao pleito atleticano é plenamente virtuoso.

Natal murcho
Os dados divulgados ontem pela Associação Comercial do Paraná indicando que o movimento comercial de Natal em Curitiba foi de 15,7% abaixo do registrado no ano passado dá a ideia de que da recessão caminhamos celeremente para a depressão. É o pior número desde que a entidade passou a fazer pesquisas a respeito. Curitiba não é uma ilha e mesmo se fosse estaria, a essa altura, num arquipélago comum à crise brasileira.

MP vigilante
Como o juiz da 3ª Vara Criminal de Londrina autorizou réus da Publicano a tirarem férias fora do Paraná a reação do Ministério Público foi imediata ao pedir providências ao Tribunal de Justiça. O promotor, que se encontra de plantão no recesso, Renato de Lima Castro, lembrou que preso não tira férias. O juiz estendeu o benefício a outros réus que fizeram pedidos de viagens de férias e participação em festas de formaturas. A maioria estava em prisão domiciliar, daí a reação do MP.

Distanciadamente parecido com o indulto presidencial que seria concedido em favor de Zé Dirceu e fortemente criticado em todo o país. Ainda bem que nenhum dos envolvidos entrou na lista de heróis da pátria. Aqui no Paraná, até por suas vinculações, Zé Dirceu era tido como tal, um Guevara alimentado a pinhões, mas teve até o seu título honorífico retirado o que também nada tem de herico, apesar dos que o festejaram como algo épico.

Um novo polo
É surpreendente o esforço político-empresarial para promover em São Paulo a Ilha Comprida, área até então explorada pelo turismo ecológico tal qual se faz no litoral norte-paranaense, no qual se evita, por todas as formas, a exploração massiva. Surpreende o registro em camisas de futebol como no jogo das estrelas de Zico no Maracanã e também em anúncios de jornais e televisão, isso sem falar na temporada de shows, agora nas férias, com grande nomes do estrelato brasileiro. Enquanto isso no Paraná assistimos o "arrastão" de turistas na BR-376 em direção a Guaratuba. De repente, os seguidos engarrafamentos na pista facilitam essas operações não percebidas por nossa polícia que sempre está bem distante do local do crime como na explosões de caixas eletrônicos.

Folclore
Um pessimista com as nossas praias – e como os há! - dizia ao ver a promoção de Ilha Comprida que não se pode imaginar algo parecido em nossas praias e comparava o teleférico de Matinhos, que inclusive feriu e matou pessoas e mais parecia coisa de parque de diversões, como resposta ao moderníssimo de Camboriú. O mau humor, às vezes, ajuda a refletir e é pedagógico.

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