O fim dos matizes
Quando vivemos um tempo de radicalização há o predomínio de um maniqueísmo asfixiante como se entre os polos do espectro da luz não houvesse matizes entre o infravermelho e o ultravioleta. Alguns filósofos como Jacques Maritain, neotomista no catolicismo (no Paraná um dos homens dessa vanguarda era Munhoz da Rocha), foi tido como um pensador dos matizes por recusar-se a esse reducionismo.
Há muita semelhança entre a quadra atual e a de 1964, conquanto sem qualquer perspectiva de solução militar, na postura das correntes em conflito e não temos a nutri-la a Guerra Fria com seu poder psicossocial. Tudo é visto numa pendência ideológica e que justamente leva toda e qualquer questão a essa asfixia do pensamento.
O pior é que nunca ficou tão clara a baixa qualidade das nossas lideranças como vemos no perfil dos assentados na lista da sucessão presidencial, comprometidos por desvios e atos presentes na Lava Jato e que pelo papel desempenhado desfiguram o impeachment da presidente, essa também vulnerável não apenas pelas pedaladas e também pela ausência de condições mínimas para enfrentar a crise e expressar uma esperança de superação.
Pois em 1964 no ministério de João Goulart, um dos mais bem constituídos de nossa história republicana, tínhamos expressões como Santiago Dantas, Hermes Lima, o nosso Amauri Silva, o engenheiro Eliezer Batista, mas isso não foi suficiente para impedir que o arrastão ideológico de características internacionais o engolfasse. Como se vê nem sempre a existência de quadros é suficiente para evitar a debacle, razão pela qual o cenário atual tende a ser pior.
A pobreza do pensamento atual, posto a serviço dos conflitantes, suas supostas e pretensas concepções de vida, dá a medida do mau momento que passamos por maior que seja o esforço de marqueteiros para transformar a mediocridade em algo aceitável. Em 1964 as pessoas eram vistas por supostas adesões no mundo geopoliticamente rachado em visões inconciliáveis, hoje vemos apenas uma competição pelo poder e despojada de doutrina. É o império do grito, do ódio e do mais claro dos primitivismos, o uivo contra o canto e a reza.

Pesquisa
Em quem acreditar? Recentemente, sondagem atribuída ao Ibope botou Luciano Ducci na dianteira e Requião Filho na frente do Fruet numa abordagem de intenções de votos para prefeito da capital. Agora saiu uma da Paraná Pesquisas em que aparecem empatados tecnicamente Ratinho Júnior e Gustavo Fruet com 20,9 e 17,9, por causa da margem de erro, todavia com viés favorável ao primeiro. Em janeiro Ratinho tinha 38% e Fruet registrava a mesma pontuação.
Pelos erros seguidamente cometidos, um deles histórico ao dar menos de um dígito a Rubens Bueno que obteve dois, o prejudicado teria ameaçado ir à Justiça contra o Ibope e até ensaiou-se uma CPI para o tema no Legislativo estadual. Claro que as pesquisas, embora mais confundam do que esclareçam, são necessárias, mas percebe-se que o sistema de autorregulação da área é insuficiente para sanar dúvidas.
Na espontânea, Fruet leva a melhor por estar em mandato com 6,8% contra 2,7% de Ratinho, 1,6% de Requião Filho, 1,8% de Rafael Greca e Luciano Ducci, 0,8% de Tadeu Veneri, O,5% de Ney Leprevost e 0,3% de Franceschini.

Imagem
O chio de contribuintes suspeitando que o boleto do IPVA fosse falsificado dá bem uma ideia de como está a imagem do ambiente oficial. Anos anteriores a cobrança era da metade do ano para a frente, agora é em janeiro, fevereiro e março e mais ainda o Dpvat, seguro obrigatório. É o garrote vil que não paga o terço do adiantamento de férias dos servidores, como se fazia anteriormente, e muito menos progressões e promoções. Só falta atrasar o pagamento das folhas. Aí não haverá mais o que pasteurizar. A farsa se transformará em tragédia. Última vez que isso se deu foi com Lupion.

Folclore
As peças publicitárias oficiais em torno da ascensão do Paraná à quarta unidade federativa é ao menos despojada no decantar o feito e atribuí-lo a todos, mas com a logomarca estatal para sugerir um sujeito da oração principal, a "humildade" participante, quando a visão do setor produtivo é a de que mais atrapalha do que ajuda e, além de tudo, como garfeia!

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