LUIZ GERALDO MAZZA
Teatro à moda da casa
Edmond Rostand em Cyrano de Bergerac, poeta sensível, feio e narigudo, para declarar-se à sua amada, valia-se de um recurso teatral: punha em cena para conquistá-la um homem bonito, estilo William Bonner (a jornalista Ruth Bolognese o acha parecido com Beto Richa), enquanto ele versejava, escondido, a sua fala angustiada de amor.
Como no teorema de Bergerac, aqui subvertido, colocou-se o secretário Mauro Ricardo Costa, o guarda das chaves do tesouro, na postura que deveria ser do governador e que ele assumiu diante dos demais poderes, recomendando contenção nos gastos. Como o papel era para um homem duro e com histórico de resistente, pegou a parada em lugar do chefe que afinal se empenha na arte de não desgastar-se, mesmo quando se revela cordial não apenas com os chefes de poderes, mas com alguns amigos de lazer envolvidos em estrepolias detectadas pelo Gaeco, tanto na "Publicano" quanto na "Quadro Negro" .
O que pareceu traumático - e isso por causa dos nossos rituais de praxe - é um solavanco de traço eminentemente pedagógico, notadamente para quem conhece a profundidade da crise e não aceita as tais "ilhas de tranquilidade" num cenário recessivo e incompatível com prodigalidade até porque há ameaça concreta de não haver numerário para a missão sacramental de pagar as folhas do funcionalismo em meio a concessões nos demais poderes com verbas assistenciais e até uma grana atrasada (ah!, como isso se dá com frequência seletiva no Ministério Público estadual e em outros órgãos que reclamam até das históricas URV, moeda de transição do Plano Real). Houve um decreto, decorrente da crise, que proíbe o pagamento das progressões aos policiais, e por que não se faz o mesmo com qualquer tipo de atrasados até porque está no disparo de R$ 1 bi em prêmios supostamente devidos a auditores fiscais, muitos deles enrolados nos chunchos da "Publicano"?
Turismo e truísmo
Para que não vire um truísmo quebras de agências de turismo, é da maior conveniência que o caso da Interlaken, que quebrou com uma enorme carteira de clientes e agora não pode cumprir aqueles contratos de viagens ao exterior, seja o mais amplamente esclarecido. Daí, porque, a decisão da Procuradoria especializada na Defesa do Consumidor do Ministério Público de entrar na parada é a melhor possível. Não é o primeiro caso no mercado e se os anteriores fossem devidamente punidos haveria, certamente, maior cautela porque é indispensável que se analise todos os fatos elencados para ver o grau de responsabilidade empresarial, ainda que se leve em conta a fragilidade maior de alguns setores num quadro de recessão em marcha para a depressão como os menos otimistas no momento alardeiam.
Terror
A mãe, ensaiando estrangular o filho, foi postada com a maior naturalidade na internet e isso dá uma noção do clima de morbidez que vivenciamos. Felizmente, o fato não ficou impune e a própria mãe se entregou à polícia. Trata-se de uma jovem de 21 anos, Thais Caroline Chagas, que estava em disputa com o ex-marido pela posse da criança e que foi o autor da denúncia.
Folclore
A primeira eleição de Curitiba em 1954 (ano do suicídio de Getúlio Vargas e que não beneficiou o candidato do PTB, Estevam de Sousa Neto) foi vencida por Ney Braga que ultrapassou Walace de Mello e Silva, pai do Requião. Para ganhar a eleição, Ernani Santiago de Oliveira, prefeito de plantão, tocou o asfalto para Santa Felicidade, roteiro da estrada do Cerne que nos ligava ao Norte, gratuitamente, mas isso significou o aceno para o fim da poesia e lirismo com o fim dos carroções de colonas que cantavam em coral "ói a galinha, o pepino, o pimentão" e ao estalar o chicote vinham com a palavra de ordem "uia, baio!". Dalton Trevisan registrou o cromo em texto.





