O racha saudável
Com as posições radicalizadas em torno do impeachment a próxima convenção nacional do PMDB entre o vice Michel Temer e o senador Renan Calheiros, ambos denunciados ou pelo menos alvo de referências em processos administrativos ou judiciais, dividirá o partido como um laranja, fruta adequadíssima para caracterizá-lo. Como é hora de aquecimento há mais bravatas do que fatos nas intenções, ao menos declaradas, dos contendores. Renan cogita de algo singelo: a expulsão, pura e simples, do atual presidente da agremiação.
Não será, como no passado, um divisor ideológico entre "autênticos" e fisiológicos pela circunstância de que hoje todos se igualam na ambição por espaços no governo. No caso Renan esperando, com a derrubada do impeachment, assumir um papel consular no sistema e o outro, o Michel Temer, que já anda com um ar presidencial, entendendo que reverte a tendência revelada no STF e derruba a presidente e o lulopetismo e engendra uma nova República tal qual Sarney.
O racha é saudável para mostrar que não há virtudes, posto que maliciosamente colocadas em má doutrina, em qualquer dos lados. É a competição dos oportunismos. O PSDB, que nunca passou de um PMDB encabulado e consciente das vilanias, tende a acompanhar o vice Michel Temer pelo grau de ansiedade de novamente partilhar o poder.
O MDB velho de guerra, volta e meia lembrado pelo senador Roberto Requião que nunca o integrou, que mesmo com os limites impostos pelo regime militar era superior ao seu sucedâneo que nunca honrou aquelas tradições, tomado por um pragmatismo revoltante e que foi sócio primeiro dos dois governos do PSDB de Fernando Henrique, inclusive na batalha da reeleição, e depois nos quatro de Lula e Dilma. Como biruta de aeroporto tenta agora nessa disputa macunaímica dar sequência à sua vocação essencial de servir-se e nunca de servir. Claro, porém, que ambos dirão como se estivessem no Rotary que sua disposição sempre foi a de servir.

Segura?
Uma operação no entorno do terminal Guadalupe, antiga rodoviária, área marcada pelo marginalismo, foi denominada de "Curitiba segura" e apreendeu menores e executou nove mandados de busca e apreensão, exploração de prostituição e tráfico de drogas. Hotéis, pensões, casas de cômodos configuram o local, posto que ali esteja erguida a igreja que era o sonho do padre arquiteto Valério Alberton e instituições de ensino. Enquanto isso, quase no mesmo horário, na outra Rodoferroviária, taxistas (autorizados a estacionar em fila dupla pela Urbs) eram multados por outro órgão municipal, a Diretran. Como se vê, a ação do universitário sertanejo cada vez mais impõe o seu estilo.

Bronca
O sindicato dos delegados de polícia foi à diretoria da Polícia Civil protestar contra as diárias da Operação Verão: era de R$ 180 para hospedagem e alimentação e caiu para apenas R$ 70 para alimentação, já que a hospedagem o governo garante. Isso deve ser imposição do tzar financeiro Mauro Ricardo Costa preocupado com a vocação de relaxo e desperdício. Frouxou um pouco, tudo se solta.

Metrô
Ontem, depois de 18 anos, em Salvador (BA) foi inaugurada a primeira linha de 12 km do metrô, que triplicou seus custos ao longo do tempo como, certamente, se repetirá por aqui se a conjuntura melhorar lá por 2018 no país com o retorno dos investimentos. Fomos buscar em Salvador o secretário da Fazenda que estava na pasta municipal e ajudou a passar o trambolho para a responsabilidade do governo estadual para concluir a obra. Deveria ser ouvido, já que ajudou direta ou indiretamente a descarrilar o comboio.

Pessimismo
Segundo a Federação das Indústrias e o Sebrae, quem no setor não for pessimista está muito mal informado de acordo com pesquisa recente que mostra que 54% do empresariado não vê com boas perspectivas o exercício de 2016. E convenhamos que ainda no ano passado, em vários meses, o Paraná surpreendeu com médias de desempenho superior à nacional. Assim mesmo há contingentes (32,8%) que acham possível uma reversão de expectativas.

Folclore
Hoje os dados negativos da classe política viram consolo para as pesquisas de mercado que indicam para 2016 queda mais acentuada na atividade econômica. "Estamos mal", reconhecem, "mas bem melhor do que o Ibope da Dilma e do Beto".

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