LUIZ GERALDO MAZZA
O papo de sempre
Condenado na primeira instância, depois de procrastinar o processo por longos anos, Eduardo Azeredo, o tucano mineiro, primeira cobaia do mensalão, saiu-se como petistas e pepistas com aquele ar espantado de quem sofreu uma injustiça e reafirmando que ao fim de tudo provará a sua inocência. É entediante a monocórdia explicação dos acusados como se vítimas de conspiração articulada e isso se dava, desde lá no início, com hierarcas petistas como Zé Dirceu, olhado pelos correligionários como um Guevara levado à masmorra pela causa.
Ao mesmo tempo que a polícia e Ministério Público passam a se ocupar do PMDB, como se deu nos últimos dias, percebe-se que a aquela imunidade crônica do PSDB já está minada: se é verdade que os procedimentos com supostos desvios em trens e metrôs não andam com um mínimo de agilidade, essa condenação do caso original do mensalão pode significar uma inflexão para generalizar a noção de que ninguém está livre de ser preso como se deu aqui com o parente distante do governador Luiz Abi e agora mais recentemente com o irmão da vice-governadora, Juliano Borghetti, que já estivera em cana por aquela carnificina entre vascaínos e atleticanos em Joinville.
Também pelo que já vivemos uma suposta transfiguração do PMDB de fisiológico, que sempre foi, em um padrão de austeridade e até de liberalismo, quando seu discurso sempre foi o da calhordice populista das mais primárias, como o Michel Temer de olho na vaga de Dilma tenta sugerir é algo que exige doses prévias e maciças de Engov.
Aliás, ao que se saiba, Engov não neutraliza a násea sartreana e existencial.
Atrasados
Nas universidades estaduais problemas de falta de pagamento de terceirizados, que induzem à greve, exibem a crise que o governo tenta mimetizar com o fato de ter solucionado a crise fiscal, mentira sistematicamente desmoralizada em questões pontuais como a do pagamento das progressões a cerca de 2.500 policiais atrasadas desde maio ou esse incidente com o campus de Paranaguá que se viu impelido a encerrar, antes do tempo, o fim do ano letivo. Agora quem está numa ofensiva de traço técnico e doutrinário é o Ipardes deitando e rolando em indicadores macroeconômicos em que o Paraná e a maioria dos seus municípios se sobressairiam em ranking nacional. Credores estaduais ainda aguardam na fila, mas o discurso é o da plenitude gástrica e um arroto de satisfação.
Na Universidade de Londrina há a cobrança de um débito de R$ 23 milhões.
Pop star
O japonês da Polícia Federal, que acompanha as diligências da Lava Jato, além de letra de marcha de carnaval, não se faz de rogado e se comunica abertamente com público na internet. Empatia forte que o sinaliza como participante de um momento único da vida brasileira tornou-se um símbolo de um ciclo inesquecível e também figura obrigatória em anedotas sobre indiciados e condenados.
Com a barriga
Até meados de fevereiro, quando teremos a revisão do contrato coletivo de trabalho de motoristas e cobradores, o prefeito Gustavo Fruet (teve que assimilar a nova tarifa técnica e sem os descontos que pretendia que o Judiciário rejeitou) se obrigará a encarar o reajuste das passagens. Ate aqui, a pretexto de prolongar ao máximo o debate sobre a tarifa técnica, empurrou com a barriga apesar de auxiliado pela CPI dos vereadores e a auditagem do Tribunal de Contas no cerco ao cartel.
É verdade que ao longo do tempo o usuário está se preparando para a facada inevitável e mesmo com todo o contorcionismo o prefeito sofrerá desgaste na campanha pela reeleição.
Abundância
Um do sinais de estranha e patológica abundância, nas sociedades de consumo, é encontrar nas ruas utensílios domésticos como refrigeradores e também automóveis. Na capital há oitocentos deles, alguns inclusive estacionados regularmente, abandonados em vários pontos da cidade. Nem sempre é sinal de fervor consumista, pois em alguns deles é inviável retomar o veículo pelo acúmulo de multas e com possível origem criminosa.
Folclore
Em Toledo pegaram um médico a cobrar por procedimentos do Sistema Único de Saúde. Poderia perguntar, com ar pasmo como o de apanhados da Lava Jato: "Só eu?". Primeiramente, você, depois o resto como está agora na moda, embora não saibamos até quando, pois até o Sérgio Moro não tem lá muita confiança.





