Entrevero crônico
O governo fecha o ano prometendo mais retaliações aos sindicalistas restabelecendo medida, já adotada em gestões anteriores, de suspender os descontos automáticos na folha oficial. Estava na lista das mensagens urgentes, que acabaram reconstituindo o tratoraço, mas ficou para 2016, o que permite que grandes sindicatos como o dos professores possam celebrar tranquilos as festas de fim de ano sem o sobressalto de improvisar às pressas formas de receber a mensalidade dos seus associados.
Com isso, o governo inicia o ano jogando sindicalistas nas cordas, obrigando-os, na pior hipótese, a um pesado esquema de negociação em torno de uma obrigação que ameaça renunciar e que era uma praxe nos seus procedimentos. Essa renúncia, cogitada anteriormente, foi revertida à base também de entendimentos.
Como o governo já inicia o ano com o aumento anunciado de 10% (depois daquele corte dos 8% que deveriam ter sido pagos em maio e foram suprimidos para o pessoal do Executivo, embora vigorando nos demais poderes) posta-se numa posição de ataque e estreita as perspectivas do setor mais combativo do sindicalismo funcional que é a APP Sindicato. Ao lado disso, já derrotou as pretensões da classe alterando a formatação do colégio eleitoral da direção das escolas, diminuindo o peso específico dos mestres e funcionários e ampliando o da comunidade periescolar.
Algo que nunca fez é cogitado: em caso de greve a cobrança dos dias parados será praticada a não ser que o tema, a posteriori, faça parte da negociação entre governo e sindicato. Objetivo é evitar greves de longa duração como a deste ano que afetou profundamente o sistema e que está presente no sacrifício de férias para a recomposição das aulas, além dos transtornos àqueles que cursavam a terceira série e se preparavam para os vestibulares.

Outra novidade
Ao lado da proposta de corte dos descontos, que obrigará sindicatos a uma logística substitutiva, há uma que facilita as compras dos servidores com dispêndio de até 70% do vencimento, aliás uma grosseira proposta em termos de educação financeira. Tem todo o jeito de negócio como aquele do "Tudo aqui" adotado em outras unidades federativas em favor de algum amigo do rei.

Vetos
Gustavo Fruet vetou pontos técnicos, em número de quatro, no Plano Diretor da cidade, mas de suas iniciativas até agora só emplacaram o posto de distribuição de lixo reciclado e a tal da via calma. A rotina de um modo geral fraca sem inovações a não ser o esforço, ainda medíocre, para abrir a caixa preta do Instituto Curitiba de Informática e do transporte coletivo urbano, cuja tarifa técnica acaba de reajustar por imposição judicial. Aliás, nessa área, a advocacia do cartel dá de dez a zero. Coisas marcantes: ter operado como Cruz Vermelha no massacre do Centro Cívico e agora encarado para disputa a privadinha do Sítio Cercado. Curitiba é o sítio e mal cercado.

Manicomialismo
Ontem uma seletiva manifestação de psiquiatras e psicólogos na Boca Maldita contra o fato de o diretor nacional da área, Valencius Wurch, não se postar radicalmente contra o velho tema da área, alvo de muita ideologia, o manicomialismo, visto sem nuances. O fato de não existir mais como no passado um Juqueri em São Paulo não justifica resistência radical ao internamento, mormente em patologias que coloquem a família (paranoia maníaco-depressiva, surtos psicóticos) sob risco. Ademais não é nada boa a imagem que se tem de doentes sob guarda e nem são poucos casos de pacientes que ficam longo tempo nos asilos sem condições de retorno à família.

Divergências
Como convém em matéria complexa, alguns ministros do STF divergiram do voto de Fachin: Luis Barroso, por exemplo, é pela votação aberta na escolha da comissão julgadora, repele a candidatura avulsa e entende que o Senado pode, como câmara revisora, opor-se à denúncia, fulminando, enfim, o processo. Pelo jeito, a coisa vai longe e busca-se uma solução de consenso.

Folclore
No Passeio Público de Curitiba já houve coisas inimagináveis como um recanto de pinguins, o que era facilitado lá pelas décadas de 40 e 50 no frio da capital. Volta e meia os bichos aprontam por lá como o búfalo, que saiu da represa para amedrontar gente que se despedia na Rodoviária e foi levado de volta ao seu lugar por um bebum transformado em pastor e também o caso da sindicância que descobriu que macaquinhos fora da grade dos cativeiros é que roubavam marmitas dos trabalhadores e as comiam no meio das árvores.

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