Nossa presença

O impasse nacional relativo ao impeachment da presidente Dilma Rousseff oposto ao impedimento de Eduardo Cunha que comanda a Câmara Federal é mais uma oportunidade para que o Paraná não se omita e tenha participação relevante nesses acontecimentos que podem, tanto um quanto outro, abrirem caminho para uma descompressão do processo político e que tanto contamina a economia. Se é verdade que a economia não sai do atoleiro tão cedo, pois os números acumulados de queda da atividade econômica se dão enquanto a espiral inflacionária se exaspera e o desemprego acentua, é na esfera política que precisamos de afirmação.
Relembrando a CPI dos Correios, a do mensalão, projetou alguns paranaenses como o Procurador Geral da República, Antonio Fernando de Souza, que não é aqui nascido, mas teve sua carreira jurídica no Paraná, incluindo a sua formação acadêmica, mais o deputado federal Osmar Serraglio, relator com brilhante desempenho, e Gustavo Fruet nas escaramuças da comissão parlamentar.
Agora no andamento da Lava Jato, além do brilho da ação dos procuradores e delegados, sobrepõe-se a figura magisterial do maringaense Sérgio Moro, mitologizado até como herói pela forma como conduz o julgamento das pessoas envolvidas e restabelece o clima de crença no Judiciário obtido pelo ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, no mensalão que pela primeira vez botou em cana ministros e a elite do lulopetismo.
É verdade também que o Paraná se destaca entre os enquadrados como o falecido José Janene, um dos articuladores do propinoduto desde o mensalão e também no lado de delatores como Youssef e Paulo Roberto Costa e no dos delatados como o ex-tesoureiro do PT, ora encanado, João Vaccari, também da terra. Até por esse lado ficou demonstrado, no mínimo, que perdemos a timidez, afinal um dos arquétipos paranaenses junto com aquele, batidíssimo clichê, da introversão.
Para satisfação nossa o ministro "paranaense" Luiz Edson Fachin teve brilhante intervenção agora suspendendo os procedimentos relativos aos rituais do impeachment com argumentação sólida.

Maringá em alta

Maringá está numa ofensiva de propaganda institucional com um vigor raramente visto até por governos estaduais no Paraná. Primeira do Brasil em responsabilidade social, terceira do Paraná na criação de empregos e 13ª do Brasil, primeiríssima estadual em gestão fiscal (chocante diante da situação estadual e mesmo de Curitiba, essa pela demolição do modelo que sustentava), primeira do país em planejamento urbano (revista Exame), primeira do Paraná e oitava do Brasil para criar os filhos, quinta do Brasil no combate à mortalidade infantil. A invocação de todos esses títulos sobreveio a decisões judiciais que colocaram mal os Barros, do líder Ricardo, deputado federal, ao ex-prefeito Silvio, secretário de Planejamento estadual pela prática de irregularidades.
Esse tipo de resposta, na perspectiva política, é mais construtivo do que submeter-se ao peso das acusações enquanto o processo rola. Aliás Ricardo é uma das pessoas mais fortes desde a primeira gestão de Richa e tanto que foi o candidato preferencial ao Senado quando Gustavo Fruet, do partido do governador, reunia mais condições para superar Requião e que perdeu por mínima diferença.
Há mesmo ciumeira em Londrina, pois o governador é oriundo da cidade, pelo prestígio excessivo a Ricardo Barros quando secretário de Indústria e Comércio com vantagens locacionais a Maringá e isso expresso nos investimentos.
Maringá dá a impressão de que está sob o impacto de intervenções como as havidas sob Lerner na Capital. Na verdade leva a vantagem no processo de ocupação da civilização cafeeira por ser um front bem mais novo do que o representado por Londrina, o núcleo polarizador daquele ciclo, que se viu cercada pelo fenômeno da cissiparidade das cidades-cogumelo. E ao Noroeste há uma lenda que atribui aos colonizadores a intenção de fazer de Cianorte, uma capital do processo pelo fato de usar para nominá-la a marca denominadora da empresa na codificação telegráfica. Cianorte teve um fator a prejudicá-la na existência de parte do solo ser do arenito Caiuá.

mockup