Descendo a ladeira
Justamente no dia em que o governo pagou o décimo terceiro do funcionalismo estadual, numa folha de R$ 1,4 bilhão, algumas notícias ruins: a agência de classificação de risco Moods baixou a nota do Paraná em seu desempenho e, como se isso não bastasse, ficou demonstrado tanto num como noutro levantamento, divulgado ontem nesta "Folha", que vamos muito mal em termos de transparência. Embora não haja necessariamente um nexo causal entre um fato e outro, pode-se concluir que a transparência não é bom instrumental na recessão, ainda mais se considerando aqui a existência de uma cultura promocional assentada no triunfalismo como se viu na exploração feita ainda recentemente em torno da obtenção do quarto lugar em renda interna do país, superando, depois de mais de 60 anos, o Rio Grande do Sul.
É verdade que gigantes do Sudeste, área mais desenvolvida do Brasil, como São Paulo e Minas Gerais, também aparecem com inclinação descendente. Aí, até o Maranhão, normalmente aquele que fecha a lista da depressão, também aparece. Aliás, recentemente em outra estatística, aquela que trata do aparato policial-militar, estamos em penúltimo (relação PM por 100 mil habitantes) lugar apenas à frente do Maranhão.
Tem-se como certo - e isso é uma característica brasileira - que ultrapassado o período de crise o quadro mudará para melhor. No Paraná, aliás, sempre foi assim: depois do flagelo da estiagem, das geadas, dos incêndios florestais a decolagem, a vitalidade, a confiança. Mas nunca o governo foi tão negativo nessa contribuição não só pelo seu tamanho hipertrofiado, seu gigantismo inútil, seu custo intolerável como por sua incompetência especialmente no campo social e na parte produtiva, ações das estatais Copel e Sanepar, para citar as mais fortes, um desempenho também frágil.
Para complicar, nunca tivemos, na história recente pelo menos, tanta corrupção que tem dado justo destaque ao Gaeco envolvendo gente muito próxima da administração estadual como primos remotos e amigos de curtição automobilística.

Opereta bufa
Prefeitura da capital embargou e vai demolir o banheiro químico feito pelo Sindimoc no Sítio Cercado sob o argumento de que não tinha alvará. Jamais se ouviu esse tipo de argumento quando há uma invasão, mesmo que seja em terreno municipal. A tolerância é extrema porque se trata de movimento social, ainda que furando a fila da Cohab. No entorno da estação-tubo não há qualquer sinal de comércio para esse tipo de demanda dos cobradores.
Isso não é nada para quem detonou a integração metropolitana do transporte coletivo e cujos reflexos mexeram com a produtividade do sistema, reduzindo, conforme alegam as empresas, o número de usuários, isso é a sua eficiência operacional.

Natal ladrão
Pesquisa apurou diferença de até 78% nos preços de produtos natalinos. Dá a impressão que todos se louvam na proporção divergente, de banco para banco, nas taxas de serviços.

Enxurradas
O drama dominante das enxurradas foi em Manfrinópolis, onde há um morto e um desaparecido, e cerca de 300 desalojados. No total paranaense, há cinco mil afetados pelas chuvas.

Resposta
Estudiosos da comunicação social, como Carlos Eduardo Lins e Silva, estão mostrando que se vigorasse a lei do direito de resposta como está redigida nem o mensalão muito menos o petrolão da Lava Jato teriam como prosperar. Talvez, esteja aí a explicação do entusiasmo, especialmente de petistas, com relação à lei de autoria originária do senador paranaense Roberto Requião. É que se a cada denúncia, como as havidas nos dois casos, todas as pessoas envolvidas ou citadas pudessem se
manifestar o meio de campo ficaria saturado e se inviabilizaria a cobertura por qualquer meio de comunicação. Há a referência ainda, que lá atrás, essa lei beneficiaria Collor.

Folclore
Bento Ilceu Chimelli, que eleitoralmente passou a ser Bento Benelli, costumava dizer no jornal que comprou para revelar-se poderoso que seus colegas trabalhadores não tinham ideia da sua fortuna. E explicava tudo com as iniciais do seu nome, BIC, dono, enfim, da caneta famosa.

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