LUIZ GERALDO MAZZA
Longa jornada
A discussão de emendas às leis orçamentárias na Câmara Municipal de Curitiba, apesar de circense, se ajusta ao título da novela de Eugene O´Neal "Longa jornada noite a dentro" e que levará, mantido o ritmo até aqui observado, mais de 200 horas de debates. Quem proporciona o entrevero é a dupla de líderes Chico do Uberaba (PMN) e Valdenir Soares (PRB) com cada emenda levando 10 minutos e que depois acabam derrubadas pela maioria situacionista. Quente, sem dúvida, mas divertido.
Por sinal que tanto o governo municipal como o estadual tem seus sustentáculos fiscais nos seus secretários da Fazenda, Eleonora Fruet e Mauro Ricardo Costa, guardiões da secura e daquilo que a escumalha política detesta - a austeridade. Diz-se, por exemplo, que as diárias da Operação Praias para o pessoal da segurança que era de R$ 180 no ano passado é agora, segundo informes, de R$ 70. Salgada demais e mera redundância para a praia. O monstro flácido estatal sucumbiu: promoções e progressões funcionais, essas desde maio, não estão sendo pagas.
Capa
Em passado recente cara de político em capa da revista era a de candidato até porque se usava o subterfúgio, em anúncios, para burlar bloqueios da legislação eleitoral. Pois a última capa (número 170) da revista "Ideias" traz o suplente de deputado federal do PSC, jornalista Paulo Martins, em acalorada pregação contra a elefantíase estatal e em tom doutrinal. Desde, então, a especulação de que sai candidato a prefeito no partido do Ratinho. Na eleição de 1985, pega entre Requião e Lerner, o mais denso da história política de Curitiba, aquele se valia dos anúncios da papelaria da família Requião, então existente, e esse do bicicletário Jaime, jogada mimética para fugir das proibições e fazer merchandising.
WC improvisado
O estrato público é grande, mas nas estações-tubo falta privada por ser incompatível com o lay-out e o Sindimoc resolveu construir uma, em sua guerra de sutilezas com a Urbs, no Sítio Cercado. Resta saber para quem manda a conta de R$ 3.500: ou Urbs ou cartel dos ônibus, conforme orientação do Ministério Público. Por sinal que até o meio da tarde ainda havia três empresas que não tinham pagado os salários e renascia a ameaça de greve.
Tratoraço
Como estavam programadas no Legislativo estadual, além dos oito projetos do governo (entre os quais o da regularização do Badep que pode significar, lá na frente, a transformação da Agência de Fomento em banco, sonho desesperado dos gastadores) , as contas dos exercícios de 2012-2013, motivos suficientes para a convocação do trator de sempre aqueles que juraram obediência no mais sagrado dos confessionários, o do camburão.
Cautela
Faz bem o governador de adotar posição cautelosa em relação ao impeachment de Dilma Rousseff: além da falta de consistência jurídica pega mal para o PSDB tentar, logo ele o derrotado eleitoral, comandar o processo. Beto já acumula negatividade suficiente para não ser ampliada. Ainda bem que cortou o andamento da questão das escolas.
Safra mórbida
A cada fim de semana um Vietnã na capital: 48 a 55 mortos por violência ou acidentes e o IML, Instituto Médico-Legal, vive uma de suas piores fases com o legista fazendo laudo a caneta e o drama da falta de pessoal e de instalações inadequadas. Na gestão Lerner prometeu-se nova sede junto à Escola de Polícia e que até hoje não saiu do papel. O Estado acabou e não sai sua certidão de óbito por falta de papel que pode, aliás, ter sido desviado.
Folclore
A deselegância municipal é notória: até um recurso clássico e dramático das democracias, o da obstrução nos parlamentos, momento de intenso e árduo conflito, vira uma opereta bufa na versão da Câmara de Curitiba em torno das mais de 700 emendas das leis de Diretrizes Orçamentárias e da Orgânica Anual. Revezam-se na tribuna, cinco minutos para cada uma delas, dois líderes de oposição, ainda que sabendo que a maioria chapa branca as derrotará em plenário. Como o pão está caro e difícil de comprar, que se salve ao menos o circo, como ensinavam os césares.





