LUIZ GERALDO MAZZA
Pressa necessária
O governo Dilma Rousseff percebeu que embora a pressa seja inimiga da perfeição é indispensável a máxima concentração no sentido de acelerar o ritual do impeachment para evitar que o fermento das ruas em mobilizações populares crie um background insustentável para evitar o pior. Já está marcada para dia 13, via blogosfera, uma de caráter nacional, abrangendo o maior número de cidades possível e, daí para a frente, o quadro tende a complicar-se com os cálculos de oposição indicando que na Câmara Federal o processo emplaca, tal a arregimentação interna e a pasmaceira do situacionismo.
Perceberam os arautos do governo, que já sabiam do fracasso das tentativas para trancar o rito no Supremo Tribunal Federal, que a protelação não os favoreceria e mudaram o timing dos contatos com as bases ao mesmo tempo em que obtinham apoios em alguns governos estaduais. Como será mais uma emulação nas ruas, uma convocação necessária, especialmente a de movimentos sociais de porte como o MST dos sem-terra, o MTST dos sem-teto, Via Campesina, UNE, centrais sindicais entre outros, para tentar um equilíbrio com os grupos já organizados que querem a destituição da presidente.
Setores do empresariado, menos emocionais, entendem que o jogo do futuro do país está nessa equação e que a enxergam como um fato descompressor e melhor do que a amarra anterior, ainda que divididos quanto ao seu desfecho.
Em 1964 a maioria esmagadora do empresariado era favorável a saída de Jango porque via a sua permanência como um mal maior, razão pela qual, além das ações em comum com os grupos radicais, apoiou as marchas religiosas e de ultradireita que tomaram conta do país. O lulopetismo se ligou e muito com o empresariado e, talvez, por isso uma boa parte dele acha que Dilma reverte o quadro e se habilita finalmente ao trabalho de união pelo país que um setor mais pragmático já vê tal missão entregue a Michel Temer, reproduzindo a coreografia da queda de Collor.
Como prelecionava Marx, corrigindo Hegel quanto ao fim da história: os fatos que se dão como tragédia se repetem apenas como farsa. Haverá algo mais do que farsa na história brasileira?
Novela
Apesar de ter adiantado grana à Urbs para evitar a greve, a conjuntura persiste negativa e o cartel se declara sem capital para pagar salários dos trabalhadores e Curitiba chega a um novo fim de semana de apreensão com a possível greve no dia 8. Esforços se desenvolviam entre as partes na tarde de ontem no Ministério Público do Trabalho para evitá-la. Evidência de que a prefeitura está tão mal quanto o governo estadual se viu no fato de ela pedir uma autorização para empréstimo na Câmara Municipal de R$ 96 milhões na Caixa Econômica Federal para obras de mobilidade urbana como o corredor do aeroporto, viaduto na linha verde sul, isso pelo menos na perspectiva do Gaeco.
Bangue bangue
Roteiro de filme na caça aos assaltantes que roubaram banco em Apiaí (SP) e se deslocaram para Cerro Azul onde fizeram reféns e acabaram se refugiando em Almirante Tamandaré depois de tomarem uma ambulância da cidade de Doutor Ulysses. A ambulância foi encontrada, mais tarde, no bairro da Barreirinha. Policiais paulistas e daqui na empreitada.
Publicano
A mensagem que o governo mandou ao Legislativo ampliando as sanções a fiscais desonestos vai ser discutida na próxima semana, depois de passar na CCJ e tem todo o jeito de uma resposta ao trauma provocado pela Publicano, posto que não possa ser aplicada aos eventos recentes. Esse alerta bem tardio não absolve a administração e também as anteriores por se tratar de uma "cultura", ora facilitada pela desídia que permitiu uma formação criminosa, verdadeira metástase no fisco.
Metrô
Embora sem saber como sair da amarra do transporte coletivo urbano, Gustavo Fruet, mesmo consciente da inviabilidade do metrô (recessão, falta de recursos, taxa de retorno que dobra custos) não assume a desistência do projeto, o que mantÉm parte do seu estafe envolvido na fantasia, o que aumenta despesas nesse ócio nada criativo.
Folclore
Quem não for trabalhar na terça-feira, se houver greve dos ônibus, sabe que há uma jurisprudência trabalhista que favorece o faltoso e isso quase o equilibra com os professores contra os quais jamais se cobrou os dias parados.





