LUIZ GERALDO MAZZA
Papo repetido e furado
Também o deputado Bernardo Ribas Carli, que teve o mandato cassado em 2011 por suspeita de caixa dois, está às voltas de novo com o TRE, após ter revertido provisoriamente a primeira denúncia. Seu argumento-chave é o mesmo de todos os envolvidos na Lava Jato: suas contas foram aprovadas. Situação que se repete com o governador paranaense apontado como beneficiário de recursos drenados de uma gangue fiscal que lhe teria transferido mais de R$ 4 milhões para a campanha da sua reeleição e, segundo a delação premiada, fruto de uma coordenação de agências em vários pontos do Paraná, o que configuraria "organização criminosa".
Por que só o PT é alvo dominante de cautelas do gênero e o PSDB sempre tem um meio de protelar, como o caso de Eduardo Azeredo, lançador do mensalão até hoje livre, e que tramita na primeira instância, o que não confere maior rapidez ao processo? É de perguntar-se em função inclusive da questão, sempre travada, dos trens e metrôs de São Paulo e que atingem alguns dos cardeais do tucanato e seus estafes se o processo é seletivo.
Quanto ao argumento de que as contas foram aprovadas pelo TRE e TSE, urge clarear que se a origem do dinheiro for delituosa, como se sugere, o processo tem que ser restabelecido porque a ordem jurídica foi violada. No caso de Bernardo Ribas Carli, ele foi cassado, mas uma liminar do TSE o livrou enquanto o mérito do caso não é julgado. Agora, há o repique com a denúncia de novos delitos caracterizando a compra do voto (pagamento de contas, cestas básicas, dinheiro em espécie) e que embasam o novo inquérito. Se ambos os casos forem comprovados, estará ainda colocada a questão da reincidência específica e genérica.
Seletividade
Para os servidores do Executivo (os demais receberam tudo), o governo estadual negou o reajuste automático de 8%, mas agora esse mecanismo operou, sem necessitar de lubrificante especial, em favor dos consórcios do pedágio com alta média de 10,28%. Depois dessas, inclusive do garrote vil do ajuste fiscal com aumento do ICMS e IPVA, o governo se diz ator do feito de sermos agora o quarto no ranking da renda interna. Essa pancada vai afetar mais ainda os custos de produção nos fretes e serviços. Só o índice relativo ao pedágio é o dobro do custo do ano passado (10,28% contra 4,88%). Aconselha-se ao usuário que for ao litoral na hora de pagar os dezoito paus erguer o braço como quem está sendo assaltado e nada pode fazer.
Impotência
Como percebeu que não tem habilidade suficiente para desbaratar as gangues que explodem caixas eletrônicos, a Secretaria de Segurança exigiu que os bancos melhorem as condições de proteção desses equipamentos até julho de 2016.
Bruxas
O caso controvertido das bruxarias em Guaratuba ainda tramita na Justiça: o STF negou o pedido de habeas corpus de Beatriz Abage. Muita gente quis surfar politicamente em cima da ocorrência com Anibal Curi defendendo os familiares do prefeito Aldo Abage e o secretário de Segurança, José Moacir Favetti, delegado da Polícia Federal, carregando o máximo contra os acusados de rituais satânicos. Isso teve o condão de dividir a polícia nas investigações. E num momento emocional, Favetti chegou a declarar, e isso publicamente, que se soltassem os indiciados ele os entregaria ao público. O que dá bem a ideia da cisão havida na área de segurança e o clima estabelecido no governo Requião. Favetti era um dos homens de ouro da PF e no governo Requião ainda esteve nas operações de Campo Bonito onde o MST matou três PMs descaracterizados e a corporação revidou com a execração e morte do Teixeirinha, líder sem-terra, fato que levou a Organização de Direitos Humanos da OEA condenar o Brasil.
Autocrítica
O reclame em favor dos deficientes dava a impressão de tiro no pé, mas visava mostrar que no dia a dia não são poucas as pessoas que ignoram direitos como os que se opõem à inclusão de pessoas especiais em escolas comuns ou os que singelamente se adonam das vagas no estacionamento.
Folclore
A disputa entre empregados dos Correios, leituristas da Copel e Sanepar e cães bravios continua e, para evitar mal maior, o setor dos carteiros decidiu suspender as entregas onde haja totó brabo. De repente, a Copel e a Sanepar fazem o mesmo e as pessoas ficam sem saber o que fazer porque dependem dos bichos já que não temos polícia, à qual é inútil apelar.





