LUIZ GERALDO MAZZA
Ofensiva no parlamento estadual
Em menos de dois dias tivemos investidas da Justiça Eleitoral contra deputados, tanto estaduais como federais, uma delas alcançando o PPS pelo pecado, na verdade uma praxe, a de servidores operarem como cabos eleitorais e no interior do partido, isso atingindo o líder regional e destaque nacional, Rubens Bueno, que faz a apologia do voto limpo. Outro também visado por sanções eleitorais mais graves que expressariam compra de votos foi o deputado Bernardo Ribas Carli numa operação do Gaeco e que alcançou ainda dois vereadores de Guarapuava e mais o ex-prefeito Luis Fernando Carli, pai do parlamentar e também do ex-deputado, aquele do acidente que matou dois jovens.
Sutileza extrema está na designação da empreitada, que parece querer concorrer com nominações intelectualizadas da Polícia Federal, como "capistrum" que no latinório significa cabresto. Se visarem pôr fim ao voto com essa característica, o que é um tanto quanto utópico para os nossos padrões, já que alguém entendeu que a distribuição de renda pelo Bolsa Família também configurava a distorção e pretendeu impedir os beneficiários do exercício eleitoral, uma insanidade contra os mais pobres e que restabeleceria a exigência do passado remoto de que só poderiam eleger e ser eleitos os bons cidadãos e que tivessem condição econômica, aqueles do bem e com bens . De qualquer modo as bolsas geram, direta e indiretamente, um fator que beneficia inequivocamente quem está no governo.
O corpo auxiliar de parlamentares sempre foi um tema polêmico: quando tentaram exigir que como ocupantes de cargos em comissão assinassem o ponto houve a explicação de que os assessores distantes do Legislativo, isso é atuando em municípios eram agentes políticos como se dava com Rafael Greca em Curitiba como parte do estafe do senador Roberto Requião em Brasília.
O processo de depuração do voto ganhou impulso com a lei de iniciativa popular, liderada pela CNBB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, mas é indispensável que novas medidas formem uma consciência em torno do tema e para tanto no plano institucional fica visível que a atual fase do Ministério Público, tanto regional como federal, é de primeira ordem.
Criatividade de risco
Na propaganda é comum o uso de mensagens oblíquas para alcançar objetivos de proselitismo, mas certamente a criatividade da Comissão Municipal de Defesa do Deficiente extrapolou com o apelo pleiteando o "fim dos privilégios para deficientes" em outdoors o que rendeu uma polêmica e recebeu ainda uma crítica pesada do setor de acessibilidade da Ordem dos Advogados do Brasil. É claro que o desejável seria que não fosse necessário tanto ordenamento quanto por exemplo aos pontos de estacionamento em favor de deficientes, seguidamente transgredidos, e com as facilidades que devam ser proporcionadas nas ruas, nos veículos de transporte coletivo, enfim no aparato urbano para ampará-los.
O apelo fala em privilégio que originariamente significa "priva lex", isso é lei privada. O tal outoor é assinado por um suposto Movimento pela Reforma de Direitos e, obviamente, o exemplo gerado pela leitura é o de que tal privilégio mereceria revisão e não se trataria de um esforço consciente para igualar os desiguais. Assim, o objetivo, embora a confusão provocada, é efetivamente o de chocar, mensagem "soco no olho" na gíria publicitária, pela circunstância de que há sempre tudo por fazer pelos deficientes.
Greve
A greve dos transportes foi parcial, mas serviu para demonstrar as fortes diferenças de porte das empresas que operam tanto na capital como no sistema metropolitano que deve sua ruptura ao prefeito Gustavo Fruet ao tentar transferir um ônus maior, ainda que sem demonstração clara de caráter econométrico, ao governo estadual no subsídio. E o peso maior foi justamente nas linhas metropolitanas onde se tornaram mais evidentes a falta de recursos para o pagamento do abono de Natal em sua primeira prestação e consequentemente a fragilidade empresarial.
Operadoras se encontram em desequilíbrio financeiro notório pela desatualização tarifária e se percebe que o empenho prefeitural é de conceder o aumento em fevereiro quando há o dissídio coletivo dos trabalhadores e evitar seu cumprimento em duas etapas com os desgastes políticos, daí decorrentes num ano eleitoral. Ocorre que não há clareza nem de um lado nem de outro quanto à crise, já que ninguém até hoje tirou o time de campo e os que quebraram foram absorvidos.
Folclore
PT está deixando o governo Fruet com muita elegância, tanto que Mirian Gonçalves, vice-prefeita, deixou ontem a Secretaria do Trabalho, que acumulava, mas se mantém obviamente como regra três do burgomestre no posto para o qual se elegeu automaticamente.





