Chantagem, ética da moda
Não apenas nos episódios da Lava Jato se percebe que a chantagem é arma essencial para negócios quando envolvem a política. Aqui mesmo na aldeia essa anunciada greve dos transportes não passa de uma grosseira manobra dos empresários pela cooptação dos motoristas e cobradores, valendo-se do terror de que não tem como pagar o 13º e pretende demitir 2 mil trabalhadores. Consequência também da falta de clareza do que pretende o prefeito Gustavo Fruet que detonou a integração metropolitana do sistema alegando que a participação estadual no subsídio era insuficiente, algo que no frigir dos ovos em pouco influiria na baixa da tarifa, como se observará.
Tudo mais ou menos assim: ou concorda ou rompo? O estilo, a coreografia da moda. E é dessa forma também que os empresários agem nesse momento: ou revisa a tarifa técnica ou declaramos nosso estado de insolvência? É o que chamo de apelo ao tacape num jogo de peteca, tal qual fez nosso governador no massacre de abril contra os professores. Sair da peteca, a tentativa da construção do diálogo, da negociação, para a ruptura, o tacape, ajusta-se aos padrões éticos momentâneos que nem a Lava Jato, com todos os seus efeitos positivos, consegue modificar como lamentou, dias passados, o magistrado Sérgio Moro dizendo que aquele processo era uma fala no deserto, talvez um minúsculo grão de areia.
Se Curitiba viver, a partir de hoje, o caos decorrente da greve dos ônibus perceber-se-á que não há espaço para inocentes nessa história: prefeito, Urbs, sindicatos patronal e obreiro, todos têm contas a prestar com a massa de usuários e as consequências daí decorrentes como ausência ao trabalho, impossibilidade de exercer o direito essencial de ir e vir, o risco de tragédia na opção que se venha adotar para substituir a frota e enfrentar a emergência.

Refundação
Ao PT, o último partido ideológico (me refiro à viabilidade do poder, coisa impensável aos PCs), ainda sobrevivente no país, só resta uma saída depois do mensalão-petrolão: a refundação que foi uma das alternativas europeias aos partidos comunistas. O fato de uma de suas figuras mais fortes, a do promotor de Justiça, o mítico Bicudo, que enfrentou o esquadrão da morte, um dos fundadores da agremiação quando ela podia exibir a bandeira ética, estar entre os signatários do impeachment da presidente Dilma Rousseff é evidência suficientemente forte do clima reinante.
Como a mancha não alcança todos, dá para perceber que alguns dos seus quadros, como se viu no encontro do Diretório Municipal, estão dispostos a encarar a próxima eleição, dentre eles o Tadeu Veneri, líder inconteste do partido no Legislativo estadual e sugerido como uma das soluções, o que é também uma forma delicada de afirmar que não apoia a reeleição de Fruet sem tensão.
Quantos militantes, dirigentes partidários e parlamentares terão cara limpa para negar esse "mix" tenebroso que se enxerga na agremiação, cujas principais figuras permanecem presas. Quem sair não salpicado por esse lamaçal que lembra o apocalipse de Mariana, certamente, poderá cogitar da refundação, a que não terão direito a maior parte dos seus quadros históricos.

Seis anos de espera
Não se ajusta aos melhores momentos do Judiciário a demora, ainda que no esgotamento do máximo direito de defesa com seus recursos infindáveis à instância superior, do júri popular do ex- deputado Ribas Carli, finalmente marcado para 21 e 22 de janeiro. O ritual já deflagrado com a indicação dos jurados parece indicar que a novela de mais de seis anos está para chegar ao fim do roteiro.

Mutirão
O receio das consequências virais da endemia da dengue (em algumas localidades configurando níveis de epidemia) parece estar motivando mobilização em mutirão em vários pontos do país e também no Paraná. Ontem Paranaguá, como já se deu em lugares do Norte, assistiu a um esforço coletivo para combate aos focos do mosquito. Com a dengue e a forma hemorrágica vieram outras patologias que justificam todas essas cautelas preventivas, inclusive efeitos virais da zika, com o temor de novos casos de microcefalia em bebês.

Folclore
No Brasil é preciso cuidado com as palavras: o fato de haver necessidade de uma devassa em determinado órgão público não pode ser confundido com a contratação indispensável de uma garota de programa, normalmente o caminho por alguns logo sugerido.

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