LUIZ GERALDO MAZZA
Luta sem classe
Normalmente, se atribui aos casos mais agudos de reivindicações salariais a um capítulo da luta de classes. Não é certamente - e isso quase sempre - nas frequentes do transporte coletivo, muitas delas mal dissimulando um locaute, justamente o desejo do empresariado. E isso ficou nítido quando um dos dirigentes trabalhistas se referiu com preocupação à tarifa técnica, obsessão patronal em seu conflito com o poder concedente.
Isso tudo é consequência das relações históricas e de caráter pactual que unia os dois sindicatos, o empresarial e o trabalhista, mais a Urbs e a prefeitura. Agora há tensões localizadas nesse convívio e a situação contratual se mostra esgarçada o que se agravou seriamente com a ruptura da integração metropolitana, sempre buscada e induzida pelo município, e que reduziu, segundo as empresas, o número de passageiros nas linhas, consequência do tumulto e causa das últimas greves na área como decorrentes do não pagamento de vales.
Essa greve, anunciada para o dia 30, com efeitos em escalada para toda a população, não é contra o capital e, a rigor a favor, sob o fundamento de que ele está oprimido. Algo, portanto, adequado, a um outro tipo de marxismo, o do Grouxo Marx, pois conflita em tudo com o velho Karl.
Um desafio para o prefeito Gustavo Fruet que se frouxar pode esvaziar como seu vizinho de Centro Cívico, o governador, que derrotou na eleição municipal: Beto foi duro demais na repressão, posto que fraco no combate à corrupção e o burgomestre pode se enrolar se não enfrentar o oligopólio com um mínimo de determinação como ainda se confia que irá fazê-lo, inclusive indo ao Poder Judiciário pelo respeito aos contratos, rompidos unilateralmente pelo cartel com o uso do mais primário dos terrorismos ao afirmar que não paga o décimo-terceiro e demite milhares.
Virão outras
Uma liminar do STF obriga o governador a devolver à Defensoria Pública os R$ 100 milhões que dela tomou em "pedalada" e agora isso o obrigará a alterar o orçamento. O autoritarismo é assim: anestesia quem o pratica e o estimula a novas incursões, entre as quais aquela de botar a mão no capital até então indisponível da ParanaPrevidência. E se perder mais essa - e isso a qualquer momento pode ser levado a julgamento - o que fará com seu plano fiscal de contingências?
Sem dim-dim
Uma agência do Banco do Brasil da capital que não aceitava transações em dinheiro por uma crise pontual foi devidamente multada pelo Procon por essa infração. Aliás, a instituição recebeu dezenas de queixas sobre fridays acusando propaganda enganosa. Gente insatisfeita nem liquidação veraz consegue satisfazer.
Vale tudo
150 famílias invadiram áreas de mananciais, sob tutela da proteção ambiental, e agora protestam, bloqueando a PR-506, contra aquilo que sabiam inevitável na ordem de despejo judicial. Hora bem adequada para o exercício daquelas medidas como a do aluguel social, uma fantasia como tantas obras da nossa vocação populista e curtidora de ilusões.
Plano b
Com o caso dos cem milhões devolvidos ao orçamento da Defensoria Pública estrategistas do governo estadual têm que se debruçar em planos "b" para hipótese de novas derrotas judiciais em inúmeras demandas já levantadas, como a da previdência ainda em trâmite. Preocupação mesmo é com a delação premiada da "Publicano" com o relato de que R$ 2 milhões das propinas e achaques de fiscais drenaram para a campanha da reeleição. No caso da Defensoria, se verá obrigado a nova mensagem com alterações na Lei de Meios e ainda em prazo apertado por causa do recesso próximo.
Folclore
Greve é ou, ao menos, deveria ser um conflito entre capital e trabalho, que aliás inexiste quando das paredes dos professores, já que os prejudicados são os alunos e os pais, e não o dono de negócio fabril e comercial. Também na programada para o transporte é uma greve em que o capital e o trabalho se associam para atormentar a população e o prefeito, apalermado, fica sem rumo como em tantas outras situações.





