LUIZ GERALDO MAZZA
Auras perdidas
Entre as auras que beneficiavam o PT havia a da ética, há muito desprezada em favor da escalada pragmática da nova classe, e a de um certo espírito guerrilheiro, de quem está agindo para mudar a sociedade. Já naquele debate entre Collor e Lula, vencido pelo conservador, apesar de no primeiro o sindicalista levar a melhor, dissipou-se essa visão guerreira, pois se tratava de um embate final entre duas concepções diferenciadas do mundo. Verdade que houve a sórdida manipulação que aumentou as vantagens para Collor pela Rede Globo, da qual é também donatário da mesma capitania.
Mesmo como alegoria o confronto desmistificou aquilo que a barba tentava caracterizar como herdeiros de Fidel e Guevara e os episódios seguintes, do mensalão ao petrolão, evidenciaram o uso da fuga e do abandono dos companheiros tal qual se deu agora com a prisão de Delcídio Amaral e a nota oficial do partido e houvera antes com Zé Dirceu, Delúbio e o André Vargas, tratado como um cadáver insepulto.
Partidos ideológicos, como é o caso do PT, mais do que qualquer outro, carecem de mística no conceito do nosso liberal Munhoz da Rocha. O amarfanhar da bandeira ética dá para lembrar o canto de Castro Alves aquele do: "Antes te houvessem roto na batalha// do que servirdes a um povo de mortalha//". E essa é uma perda sem retorno, como se percebe na Lava Jato, e quem a invocar será olhado como um ingênuo, um quixotesco no mais caricato dos sentidos.
Como não temos um teatro de guerra, mas ainda balizado em parâmetros institucionais, é aí que vemos a fragilidade desse pessoal para o sacrifício, o sentido heroico da resistência, apesar da idiotice colocada numa faixa no encontro da juventude do partido em que os condenados do mensalão e do petrolão são tidos como "guerreiros do povo brasileiro". Meter a mão no pote é também montar trincheiras para a conquista do poder no imaginário dos fanáticos.
Para valer
Escaramuças entre o cartel dos ônibus da capital e o prefeito prosseguem na negativa agora de instalar banheiros químicos nas cercanias das estações-tubo e no anúncio dramático de ontem de que não há recursos para pagar o décimo-terceiro e que há um plano para demissão de 2.000 trabalhadores. Como tudo tem o jeito de provocação ensaiada, se espera como consequência outra "greve preventiva" como a ocorrida, dias passados, na empresa de Araucária a essas alturas já convocada pelo Sindimoc, PHD em greve como a APP Sindicato.
Não temos na prefeitura uma pessoa decidida como Ney Braga, nosso primeiro prefeito, que encarou o locaute empresarial na base do improviso com caminhões do Exército e como o general Iberê Mattos, seu sucessor, que desmontou a artimanha do cartel descobrindo onde haviam escondido a frota e obrigando-a, por via judicial, à retomada do serviço. Nesse evento uma pessoa, o integralista Edgar Távora, procurador do município, que foi vereador em Londrina e depois deputado estadual, comandou no front judicial todas as ações contra o oligopólio que não tinha a força de hoje.
Agora haverá a convocação do "sertanejo universitário", do estafe prefeitural, dado a delongas para as ações mais elementares como a de responder desafios do Tribunal de Contas com a baixa de tarifas e, no momento, com a fiscalização dos radares em função das vias calmas.
Como se viu ontem, o TC é seletivo em termos de dureza: diplomático e cauteloso com o governo estadual, todavia beligerante e rígido com a prefeitura da capital.
Deu zica
Autoridades sanitárias da União, governos estaduais e prefeituras alarmadas com desdobramentos do agente da dengue com os sete primeiros casos de constatação do vírus zika em São Miguel do Iguaçu, cinco importados e dois autóctones. Outras patologias são esperadas em decorrência do alastramento do surto, emboras os temíveis casos de microcefalia em bebês tenham se dado mais no Nordeste e um deles em Goiás. Prioridade urgentíssima em saúde pública na convocação do aparato possível de profilaxia.
Bloqueio
Persiste a interdição em pelo menos seis pontos das rodovias paranaenses com deslizamentos, ruptura do pavimento e pontes levadas pelas águas nas cheias dos rios. Paraná pra frente!
Folclore
Num dos locautes dos ônibus em Curitiba, o governador Moisés Lupion chegou a encampar o sistema de Curitiba pelo DSTC (Departamento do Serviço de Transportes Coletivos) do DER. João Feder, diretor do "Estadinho", tascou a manchete "Lupion ficou louco". A Justiça reverteu.





