LUIZ GERALDO MAZZA
Próximos da República
A sequência dos últimos acontecimentos - dentre eles a convocação do Bumlai, amicíssimo do ex-presidente Lula e agora do senador Delcídio Amaral, líder do governo, e do banqueiro André Esteves - nos torna ainda mais próximos de uma República, que proclamamos mas não temos em todos os seus desdobramentos. Quem colocava a questão seguidamente era o senador amazonense Jefferson Peres indicando a busca desse ideal como prioridade. Essa trajetória, a da República, é como a do "ser" na construção existencialista: faz-se no processo político e através de lances afirmativos, que não são muitos e constantes, como o dos anões do orçamento, a derrubada de Collor, a extinção da CPMF, o mensalão e o petrolão e como, lá atrás, na campanha das diretas.
Maior obstáculo de nossa formação, e que impregna instituições e comportamentos, é a força do patrimonialismo, presente, com toda a sua pujança, nessa corrupção endêmica, que não é de hoje,
que alcançou, todavia, e com tal abrangência toda máquina pública na decorrência do maior processo de ocupação com o lulopetismo. Diante do qual se tornam microscópicas as ocorrências do passado sob Getúlio Vargas com o peleguismo sindical e a manipulação de importações e de JK com lances como o da construção de Brasília, implantação das montadoras e a prioridade quase de traço ideológico ao rodoviarismo e mesmo as etapas do Brasil potência dos milicos com abertura dos contratos de risco na Petrobras, Itaipu, Ponte Rio-Niterói, Ferrovia do Aço, fundamento nuclear de Angra dos Reis.
Quanto mais esses eventos se tornarem comuns - decisão do STF sobre a prisão do senador e do banqueiro - mais republicanos seremos. E é isso, mais do que qualquer coisa, que devemos por ora comemorar porque tal posicionamento implicaria no respeito à dinâmica institucional e aos seus ritos e teríamos superado o estupor e a surpresa ante tantos bacanas enjaulados.
Presunção de novo
Da atoarda das decisões de alguns ministros como a do relator da Lava Jato no STJ e de outros do STF bem como de juristas alarmados com as delações premiadas, a insistência no bordão de que se deve cultuar a presunção da inocência quando pelo que fazem empresários e políticos, ainda mais ao agirem no mundo dos negócios públicos a presunção deveria ser de culpa pelo que se conhece da tradição da área. Já invoquei o "juris et de jure", a presunção legal punitiva que se dá na violência sexual contra menores caracterizando o estupro em matéria criminal e visível também nessa anomalia nada republicana, ainda vício de todas as democracias, na promiscuidade que não fixa lindes entre o público e o privado.
Rodovias interditadas
Em função do aguaceiro há neste momento nada menos de sete rodovias estaduais interditadas, o que revela a nossa realidade e não a oficial com o governador tentando surfar no informe do IBGE que nos colocou, depois de 66 anos, na quarta posição do ranking nacional de renda interna como obra sua, hábito não apenas dele e sim de todos os governos independentemente do nível se local, estadual ou federal. Essa apropriação é publicitária como se o governo regesse uma orquestra do qual todos dependem quando na realidade é usurpador, mau gestor das rendas e o causador inequívoco do estrangulamento fiscal e pelo qual pagamos. Essas deficiências básicas estão aí apontadas no surto da dengue, na desarticulação escolar, na ausência de segurança, na falta de estradas e para a qual os gestores só têm uma solução: mais negócios com o pedágio por ter perdido a capacidade de investimento ao sustentar o monstro que de um orçamento superior a R$ 50 bi conserva menos de R$ 6 bi para inversões. Enxugar a máquina flácida nem pensar, ainda mais perto de eleição.
Bom senso
Arquivar o projeto que pretendia combater o Uber, para que se posasse como defensor dos táxis, foi um momento de lucidez da Câmara Municipal. Curitiba não tem escala (tamanho, densidade) para os interesses do novo sistema que virá de qualquer jeito como se dá em outras partes do mundo e em megalópoles como Sampa, Belô e Rio. O que taxistas, pioneiros desse mercado, deveriam fazer é brigar por alguma regulação que não os marginalizasse como se já não bastasse o que sofrem nas mãos da Urbs, famélica em taxas e ineficiente, tanto aí como na gerência do transporte coletivo.
Folclore
Plano Diretor de Curitiba consagrou o bloqueio ao revezamento de placas e ao pedágio urbano, essa hipótese mais remota ainda. Proibições inúteis como a pretendida com o Uber. Aliás, políticos andam atrás do ubre de alguma vaca leiteira com as suas múltiplas clientelas. Ubre si, Uber não.





