LUIZ GERALDO MAZZA
No topo do pior
Durante anos Curitiba ficou, como modelo urbano e qualidade de vida, como a capital detentora dos maiores méritos. Pelo jeito a euforia passou: já temos a maior inflação do país (a deste ano, segundo previsões, passa dos 10% na nacional e a regional crava onze) e agora figuramos na crista das famílias mais endividadas, atingindo o respeitável índice de 87%.
Essas coisas - inflação, padrão de vida e dívidas - formam um arco bem coerente, ainda que oposto ao triunfalismo anterior que olhava a cidade como a mais salubre de todas. Degradamos alguns modelos e o da desintegração do transporte coletivo é obra inequívoca de Gustavo Fruet, um especialista em indecisões (desde o fim do exercício passado há à disposição da prefeitura para fins de saneamento, aí obviamente entrando a drenagem e desobstrução dos rios e canais assoreados, uma disponibilidade federal de R$ 1 bi, só recentemente acionada por causa do estilo enrolado do sertanejo universitário da equipe de "inovadores") como as que marcam o seu cotidiano. O pior é que o suposto ganho que teria com maior participação estadual no subsídio das tarifas se revelará mínimo e não dará uma aura de defensor do usuário ao prefeito, todavia o firmará seguramente como aquele que diluiu o modelo, posto que a administração municipal tenha sido a indutora do sistema e tanto que Lerner teve que ir ao Judiciário para livrar-se dos bloqueios de Requião governador.
Civilidade
A recepção da torcida ao Londrina no aeroporto é para os dias atuais de irracionalidade, ante os excessos do confessionalismo, um marco civilizatório. A despeito de ter curtido a ilusão, aliás possível e necessária como motivadora, de obter um título nacional, o feito já conquistado, o do acesso à Série B, encheu de orgulho a comunidade e a levou à brilhante manifestação, a despeito da goleada sofrida. O esporte não vive só das vitórias e dos títulos e o ocorrido se insere naquela máxima do fair play, indispensável nas celebrações.
O time de futebol tem agora um calendário para todo o ano ao figurar entre os quarenta disputantes das duas principais competições nacionais e pode, em função disso, dar mais retribuições ao público que o apoia e mormente aos seus atuais dirigentes.
Calamidade
Salta da "emergência" para a calamidade a situação vivida em Marechal Cândido Rondon na sequela do tornado que a atingiu, semana passada, com prejuízos materiais acumulados em mais de R$ 88 milhões. Há um senso da retomada do desenvolvimento e da solidariedade que sempre marcou o modo de ser daquela comunidade do Oeste. Expressivas também as preocupações da área oficial e dos grupos de voluntários que se organizam para ajudá-la.
Araupel
Afinal um movimento expressivo contra os sem-terra em função das invasões na Araupel em nome do emprego e da sobrevivência das famílias que nela trabalham. É que estávamos acostumados e isso se deu por mais de duas vezes aos acampanamentos dos sem-terra (às vezes em parceria com os professores, diferenciados pelas barracas de praias destes e os barracos de lona daqueles) como se expressassem inquestionável justiça, afinal tolerados mesmo quando cometem violências. Neste momento, o caso de Quedas do Iguaçu é o mais grave pela persistência das invasões admitidas pelos poderes como se válidas fossem e a hipótese de criticá-las incluídas na faixa da criminalização, velho e batido bordão, mas há em Porecatu (lá nos anos cinquenta, século passado, tivemos as primeiras organizações campesinas em função de conflitos) uma delas em que a Justiça admite a intervenção federal por falta de cumprimento de decisão judicial, o que já ocorreu várias vezes.
Nada justifica o discurso oco do deputado Pedro Lupion de que o esporte preferido da sua família é o de combater sem-terra, mais do que um ato mesclado com bravata e que não sintoniza com os feitos do seu pai, um doutrinador à direita, e do seu avô, governante do Paraná por duas vezes.
Folclore
O repórter de campo da rádio anunciou: "Está chovendo granito!". Aí, o corrigiram dizendo que era granizo ao que replicou: "Granizo uma ova!. Nem um capacete de rugbi me salvaria do 'galo' enorme que arrumei na cabeça. Vou já para a tomografia".





