Um pequeno salto
O Paraná, depois da revelação do IBGE, em que teríamos passado, ainda de raspão, o Rio Grande do Sul em renda interna no País, poderia repetir como o astronauta Armstrong ao movimentar-se na lua que esse singelo passo tem um pouco da marcha da humanidade. Descontado o exagero da analogia não se deve esquecer que há 66 anos conservamos a quinta posição, longe do G-4 como se estivéssemos falando do campeonato nacional.
Por sinal, que a despeito das vitórias ocasionais, primeiro do Coritiba e depois do Atlético, numa das quais se habilitou à final da Libertadores, está aí um front inimaginável em que possamos sair à frente dos gaúchos e isso passa, inclusive, pelo tempo das seleções estaduais em que vencíamos os catarinas e acabávamos derrotados pelos sulistas.
Esse desenho de superação era aguardado entre estudiosos já no fim do século passado: a revista "Amanhã", sediada em Porto Alegre mas voltada para todo o Brasil meridional, já fazia, há tempo, esse tipo de previsão e com fundadas razões especializadas em estudos de mercado. Mesmo atrás do Rio Grande do Sul, a nossa participação na renda nacional era menor em um ponto como agora o conseguimos em 2013, pela vez primeira, a vantagem. Não há sinais de decadência da economia gaúcha, que talvez tenha perdido o empuxe comparativo em função da bobagem nacionalista no caso da montadora expulsa da sua Região Metropolitana por idiossincrasia ideológica, e também em função da crise de gestão pública herdada do ciclo petista, visível no drama fiscal que obrigou o governador a parcelar salários do funcionalismo. Por sinal, que aqui se fez o mesmo, mas de forma oblíqua: a lei que impunha o reajuste automático da taxa de inflação acumulada foi submetida ao drible da vaca e negada apenas à maioria dos servidores do Executivo que só terão os 8% a que tinham direito em janeiro do próximo ano, enquanto que o pessoal do Judiciário, do Legislativo, do Ministério Público e Tribunal de Contas já conta com esses ganhos normalmente.
Se esse fato, o da revelação estatística, se desse num momento positivo do Paraná, como os da fase neysta até Canet Júnior, tudo sincronizaria e poderia ser assumido pelo governo, já que era indutor do desenvolvimento o que hoje não acontece. O governo hoje é apenas um ente autofágico que muito arrecada e pouco investe, não sabendo como financiar-se para funcionar apelando a saídas como a de por a mão em depósitos judiciais (no Rio Grande do Sul o problema começou aí), fixar o tal de Caixa Único raspando o caixa dos fundos sociais, depois de capturar o capital até então indisponível da ParanaPrevidência. Aliás, os governos nunca pagaram a cota que devem nesse fundo de pensão que caminha para uma crise gravíssima ao longo do tempo enquanto persistir essa forma de inadimplência sistemática.

Fracos politicamente
Os gaúchos têm tradição de força política, reafirmada tanto nas esteadas democráticas como na vigência de regimes duros, desde o Estado Novo até a Redentora de 1964. Lembrei na semana a disputa que tivemos com os gaúchos em relação ao terceiro polo petroquímico. Nosso estudo era, tecnicamente, melhor, mas perdemos politicamente. Mas aquele tempo, o das obras em energia elétrica e telecomunicações, emplacamos até por esses fatores alguns ministérios porque afinal tínhamos quadros e hoje a piora é visível. Como o governo não se afirma nem politicamente (dá para imaginar o nosso governador como expressão nacional, um presidenciável?) e no campo administrativo não sai do chão, embaralhado nas confusões que arma em qualquer decisão por mínima que seja, dá para concluir que não há como esperar, a não ser na iniciativa privada, que esse feito da ultrapassagem do Rio Grande do Sul sirva como fator de alavancagem. Se o governo recuperasse sua capacidade de mediação, pelo menos não ficaria tão à margem de algo que diz respeito ao conjunto da sociedade. E se não explorar o feito em seus institucionais, como faria normalmente, é, antes de tudo, um sinal agudo de autocrítica, consciência do imobilismo, num Paraná dinâmico e oposto à apatia oficial.

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