LUIZ GERALDO MAZZA
De Pinochet a Pinóquio
Dentre os poderes de Estado o político é o que mais beneficia o governo na submissão do Legislativo, bem caracterizada naquele encontro da maioria no camburão. Percebeu a oposição que não pode nem deve limitar-se às suas expansões no Legislativo e buscar, sempre que possível, guarida no Judiciário para as suas demandas.
A partir do episódio do massacre dos professores no Centro Cívico, quando Ministério Público e a Justiça enquadraram o governador e os auxiliares envolvidos na repressão no delito claríssimo de improbidade administrativa, percebeu-se que há um novo momento na história institucional com uma disposição mais evidente de aplicar com rigor a lei até porque não teria sentido o silêncio e a omissão ante tanta violência com mais de duzentos feridos.
Pois agora a oposição, por ver-se anulada pelo trator da maioria no caso da propaganda enganosa da administração estadual com a lorota de que teria contratado dez mil policiais, o que é negado pelo próprio setor da pasta da Segurança no Portal de Transparência, buscou a Justiça e essa concedeu três dias para que o Palácio Iguaçu se explique e se não o fizer será compelido a devolver a grana gasta no comprovado exagero.
Há ainda o episódio desastrado do pit-stop da viagem ao Exterior com a estada em Paris, também assimilada judicialmente pela Vara da Fazenda Pública e obrigando o governador a explicar-se, já que passou o tempo de tirar de letra esse tipo de ação oposicionista.
Curioso é que entre a primeira ação, a do massacre, e a mais recente, a da propaganda enganosa, a autoridade saltou do Pinochet para o Pinóquio.
Escravo
Ministério Público do Trabalho flagrou em São Sebastião da Amoreira numa empreitada do governo nada menos do que oito trabalhadores de uma empresa contratada em situação análoga à de escravos. Ironicamente o projeto é nominado de "caminho das pedras". Se essa for a via normal, pode transformar-se em caminho das pedradas.
Belvedere
Lá no Alto São Francisco, finalmente, vão por em funcionamento o belvedere histórico, recuperado do vandalismo das pichações, para sediar na parte superior a Academia Paranaense de Letras e na inferior um café-escola do Senac.
Calado
Nelson Martins Ribeiro, ex-funcionário da Petrobras, permaneceu calado na vigésima etapa da Lava Jato, mas estaria disposto a valer-se de uma delação premiada.
Chantagem
Virou rotina agora haver greve por coisa mínima, como pagamento de vale (até o de refeição entra no rolo), e no caso do transporte coletivo ela se tornou endêmica porque as empresas mais fracas, tanto da capital como da Região Metropolitana, se dizem descapitalizadas (muitas sem condições de pagar o abono de Natal) e que só se equilibrariam com reajuste tarifário. Se até a meia-noite de ontem o dinheiro não aparecer na conta bancária, segunda-feira amanhece em greve em todas as linhas. É visível que se trata de uma forma indireta de rever a tarifa técnica e suspeita-se de que tudo isso seja meio combinado, o que é uma tradição da área.
Criou-se, inclusive, com essa deliberação uma figura nova na jurisprudência trabalhista, a greve preventiva: como se presume que a suspeita se confirmará abandona-se o basquete como ameaça e prensa nos patrões. No meio de tudo a prefeitura perplexa e atordoada como o cão que caiu do caminhão de mudança.
Folclore
A venda dos prédios públicos vai render muito mais: entre os que estão ocupados por comodato há a sede do Instituto dos Cegos e o prédio utilizado pelo Sindicato dos Jornalistas há décadas, mais do que a usucapião trintenário, ali na Praça Carlos Gomes e já foi sede do Departamento de Águas e Energia Elétrica e uma delegacia de polícia. O absurdo é que tantos edifícios renderão um máximo de R$ 100 milhões, algo à altura do que o governo pode acabar dando para o Atlético Paranaense por causa da reforma da Baixada, padrão Fifa. Percebe-se nessa possibilidade que o governo não tem noção exata dos seus gastos e muito menos de prioridades.





