De olho no bronze
De 2013 para cá, depois de muitas oscilações mínimas, ultrapassamos o Rio Grande do Sul no "ranking" de renda interna do Brasil. Isso era esperado há muitos anos pelos avanços de nossa economia nos agregados de indústria e serviços e o deslanche e modernização do chamado setor primário. Estamos à frente, "raspando", com 6,3% de participação contra 6,2% deles.
Antes que os corneteiros oficiais tentem se apropriar, como de costume, do que não lhes é devido, convém esclarecer que isso se deve a uma sequência de acontecimentos históricos que definiram o porte complexo de nossa sociedade, bastando lembrar que durante 66 anos figuramos, conforme registros do IBGE, na quinta posição e o distanciamento de agora em nosso favor era como rotina em favor deles.
Em 1966, na sequência da revolução interna do neysmo com Paulo Pimentel, lançou-se como uma espécie de ideia-força o "teaser" de que aspirávamos ser o segundo estado do país. Tratava-se de uma utopia com o objetivo generoso de estimular uma emulação interna. Lembro da pendência, mais política do que técnica, para sediar o terceiro polo petroquímico numa época em que tínhamos quadros (o que hoje é impensável) para um pega desses com o comando de áreas do planejamento e da inteligentzia do Badep, lá sob orientação de expressões como Karlos Rischbieter e Luis Antonio Fayet. Linha de argumentação paranaense, inclusive em indicadores como o do consumo de combustíveis e frotas circulantes, era incontestável, mas a força política e clânica dos gaúchos levou a melhor com fundamento na Refinaria Alberto Pascoalini. Em compensação ganhamos a unidade, há tempos privatizada, de amônia e ureia. Confronto desses hoje seria impossível: não teríamos time apto para a disputa.
De lá para cá, o Paraná deslanchou, mas em termos de políticas públicas se tornou leigo no poder de
intervenção e planejamento como se vê na falta de rumo das decisões governamentais em que o aparato oficial mais atrapalha do que ajuda, apesar da manutenção ainda do Ipardes como um sinal de resistência ao desmanche generalizado.
Nessa olimpíada estamos de olho no bronze, a prata sonhada dos anos 60 era um delírio e, ainda por cima, em termos sociais, perdemos no Sul para gaúchos e catarinenses como acentuam indicadores relativos à escolaridade, segurança e à expectativa de vida.

Consciência
Nas redes sociais percebe-se o inconformismo daqueles que pretendiam entronizar como feriado o Dia da Consciência Negra, aliás razoavelmente celebrado, na proposta de um boicote ao comércio para lembrar, é claro, que a maior resistência veio da Associação Comercial. Esse tipo de embate só estimula as mais variadas formas de intolerância.

Carga
O Tribunal de Contas grudou no pé da prefeitura da capital: no estudo que pediu a baixa das tarifas com a retirada de itens da planilha apurou-se que os acidentes com ônibus teriam subido em 507%. Recentemente, decidiu inspecionar os radares da Urbs, o que passou a fazer como rotina. Se fizer pressão desse tipo ao governo estadual, ficaria mais harmônico e um dos caminhos, além da anulação dos contratos das edificações escolares, seria o de maior dureza no balanço com sanções menos cordiais como as costumeiras recomendações e restrições doutrinárias.

Décimo terceiro
Vereadores da capital ingressaram com ação na 4ª Vara da Fazenda Pública pelo décimo terceiro, o abono de Natal. Dá para imaginar o estrago se firmar jurisprudência e as câmaras o adotarem.

Syngenta
Justiça de Cascavel condenou a Syngenta pela morte do líder Keno e outros sem-terra que a invadiram com indenização aos familiares.

Folclore
Requianistas acham que o governo, além da residência do governador no Canguiri, levará ao pregão as instalações praieiras implantadas na Ilha das Cobras só para tirar o conforto e o prazer do senador em seu quarto mandato governamental. Além de autofágico, o Paraná é sadomasoquista.

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