Mitos urbanísticos
Curitiba mereceu um culto extremo pelas intervenções urbanísticas de Lerner e que precedem até o seu ingresso na prefeitura da capital, já que como presidente do Ippuc deu o máximo relevo à instituição que apelidei de "Sorbonne" do Juvevê. E houve exageros como aquele que colocou a cidade entre as três melhores do mundo proclamada por um arquiteto ianque, seu amigo.
Recentemente, saiu um estudo sobre os resíduos de Mata Atlântica em que aparece a nossa capital com o menor de todos, um por cento, o que não lhe retira o axiomático tratamento de modelo ambiental e possuidora de uma das mais densas reservas de áreas verdes.

Junte-se a revelação ao fato de que tem o segundo mais poluído rio do Brasil, apenas atrás do Tietê, o Iguaçu, hoje detonado desde as suas cabeceiras, para que se constate que estamos diante de uma cidade como a Maracangalha de Caymi e a Pasárgada de Bandeira idealmente construída com requintes barrocos pelo marketing.

Outra coisa: Maringá, que não teve os atropelos de Londrina, é rigorosamente mais planejada e com mais visível área verde e melhor sistema de circulação do que Curitiba, e agora acaba de desbancar outra hegemonia que não aguentou os dois períodos de Beto Richa e o sequencial de Luciano Ducci e mais os anseios claudicantes de Gustavo Fruet na gestão do modelo financeiro. Também aí, com todas as broncas do Ministério Público sobre desvios administrativos, Maringá se sai melhor.
A bagunça de ontem, centrada no fato real da falta de segurança reclamada por motoristas e cobradores às voltas com arrastões de gangues juvenis, que tumultuou o transporte, evidencia que perdemos as técnicas de manejo da cidade. Sem segurança, vamos acabar sem ônibus e é o mínimo para que amanhã interpretações subjetivas sobre o que é terrorismo, em função da paranoia como se deu na Guerra Fria com subversão e comunismo, veja nessas manifestações o embrião de tudo, o ovo da serpente.

Anos cinquenta
O senador Roberto Requião, no encontro nacional do partido, denunciou os autores de recente estudo sobre a conjuntura brasileira de "entreguistas", neoliberais, reproduzindo clichês dos anos 50 e 60 e que ajudaram a desembocar as reações do golpe na cartilha primária do Iseb, Instituto Superior de Estudos Brasileiros, entidade criada para contrapor-se a outra fábrica de ideologia, a da Escola Superior de Guerra. Não há um intelectual sério que assimile como válida aquele forma de interpretação da realidade nacional. Como se vê em nossos dias, quem rouba a Petrobras não são os defensores do imperialismo, mas os que se escudam na defesa do Estado gigante e inerme e nessa velharia chamada nacionalismo.
De tudo o que falou, o melhor está na defesa do mandato da presidente Dilma Rousseff, alvo do oportunismo dos seus colegas de partido de olho na "boca".

Nizan
Uma testemunha de peso na defesa de Zé Dirceu, o abandonado pelo petismo: Nizan Guanaes, papa da propaganda, confirmou contrato de R$ 20 mil com a Consultoria JD.

Blackside
Cada momento uma nova mancada: é o governo paranaense em ação, agora querendo liquidar num friday alguns dos muitos imóveis de que dispõe o Estado eventualmente ociosos para arrecadar R$ 100 milhões. Tudo o que faz aumenta e reafirma a sua participação predominante na quebra do Estado, inclusive no diagnóstico feito pelo seu secretário da Fazenda e no sufoco da emergência a que estamos condenados no ataque à ParanaPrevidência e nos fundos sociais.

Linha Verde
Gustavo Fruet foi a Brasília e a vários ministérios, dentre eles o das Cidades, para ver se consegue recursos na continuidade da Linha Verde em sua porção norte, há tempo sem obras. No varejo empurra a questão das tarifas dos ônibus com a barriga e lança as vias calmas que apostam mais nas multas do que em processos educativos e doutrinários, como se viu desde as primeiras incursões, e que melhoram o combalido caixa.

Folclore
O que é factível em função da Lava Jato além da experiência maravilhosa da prisão de donos de empreiteiras e de políticos que se envolveram no petrolão: a perspectiva de que crie novos patamares de justiça, que recupere boa parte do dinheiro afanado e que anime delegados da Polícia Federal e procuradores de Justiça a acreditar em algo inimaginável como a reversão do escândalo da compra da Pasadena. Os feitos são tantos, gradualmente obtidos, que a fronteira do possível fica, a a cada momento, mais perto da imaginada para o desejável.

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