Lupa nos detalhes
Quando da decisão pelo "fatiamento" da Lava Jato foi inevitável o trocadilho de que terminaria em pizza e é claro com assento crítico ao Judiciário, posto que este invocasse razões fortes para fazê-lo. Uma das consequências foi a de cultuar a figura de Sérgio Moro como o dono de toda a razão e pôr em dúvida a condição de julgador dos que assumiriam os chamados casos conexos em outras regiões do país como o referente à senadora Gleisi Hoffmann. É claro que tudo decorre do ceticismo popular em torno das instituições e das nossas tradições de acerto em lugar da punição de corruptos, mormente os de colarinho branco.

Conformados com a decisão judicial que afetava a força-tarefa montada, pelos riscos notórios de uma dispersão, tanto a Polícia Federal quanto o Ministério Público concentraram sua atuação na Petrobras, botando uma lupa em detalhes aparentemente periféricos, como os que levaram ontem vários ex-funcionários da estatal supostamente envolvidos com a propina. Dentre eles Agosthilde Mônaco de Carvalho, engenheiro, que, consciente dos atos praticados e das penas a que estaria exposto, acertou, de cara, um acordo de delação premiada. É a vigésima etapa da Lava Jato e provavelmente a última em função inclusive do recesso do Judiciário.
A extensão dos delitos, deflagrados como consequência da mais abrangente ocupação do aparelho estatal brasileiro de todos os tempos, torna suspeita a defesa que setores do lulopetismo fazem da Petrobras como se fosse possível minimizar o ocorrido por estar dentro da nossas praxes, ser enfim "normal" em nosso comportamento como se também, ao lado disso, não estivéssemos diante de erros brutais de gestão como a aquisição de Pasadena que faz parte dos motivos das mais recentes apurações. O delator premiado Agosthilde atuava justamente na área internacional e, daí, se esperava mais revelações sobre a tumultuada e prejudicial operação.

Mais agito
Motoristas e cobradores, angustiados com a frequência dos arrastões em linhas periféricas, vão fazer desse tema o assunto principal de suas mobilizações, mas não desprezarão os temas corriqueiros como o das empresas que não fazem regularmente os depósitos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, sinal de descapitalização que atinge muitas delas sem recursos para pagar o décimo terceiro, face à questão inconclusa, que a Urbs empurra com a barriga, da tarifa técnica. O cartel alerta para um possível colapso do sistema.
Um detalhe curioso do caráter pactual da relação Urbs, cartel e Sindimoc ficou evidenciado agora nos recursos que moveram contra a decisão do Tribunal de Contas que deu 30 dias para que a gerenciadora do sistema retirasse vários itens da planilha e reduzisse a tarifa. Deu trinta dias para a Urbs fazer o expurgo na planilha.

Sul maravilha
Na recente Pesquisa Nacional por Amostra Domiciliar do IBGE ficou demonstrado que o Sul do país é a macrorregião com melhor desempenho em avanço de igualdade. Aí, quase sempre, justamente em questões sociais levamos a pior diante de gaúchos e catarinenses. A próxima Pnad deve mostrar um outro quadro mais afetado pela recessão.

Juranda
A prisão de três vereadores de Juranda em flagrante nas imediações de Campo Mourão no domingo revela a atuação conjunta do Gaeco e Polícia Civil. São eles José Theodoro Alves Neto, PTB; Pedro Gonçalves, PMDB e Nelson Richard Pinto, PSL, em tentativa de chantagear ex-prefeita.

Ativismo
Ministério Público foi ao Judiciário contra o ataque a fundos (o do Consumidor e Meio Ambiente) por parte do governo estadual. Essa questão foi suscitada pelo Ministério Público do TC no seu parecer pela reprovação das contas do Executivo no exercício de 2014. Nunca, na história recente do Paraná, experimentamos tão durável experiência de democracia: ainda agora a mídia mostrou que o governo prorrogou, sem licitação, os contratos da Risotolândia para o fornecimento de alimentação aos presídios, escudado legalmente em decreto. Detalhe realçado pela circunstância de o dono da Risotolândia ter integrado a comitiva oficial ao exterior certamente não nutrida pelas "quentinhas" da tradicional empresa paranaense a substituir restaurantes de primeira.

Folclore
Nessa quinta-feira, 19h30, na OAB, lançamento do livro vermelho, que não é do Mao Tse Tung, mas sim do Nego Pessoa, em que vaga do futebol à física quântica e sempre com seu texto conciso e revelador. Renda reverte em favor do lar O Bom Caminho causa permanente do médico Júlio Gomel.

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