Melhora institucional

Não há como negar a melhora institucional no país com o mensalão e agora com a Lava Jato e com o Judiciário indo além do ativismo a que se obrigara, por várias vezes, devido à omissão do Poder Legislativo, no encaixe exato de suas prerrogativas na sustentação do Estado de Direito Democrático. Se houve a evidência de alguns personagens, como Joaquim Barbosa levado ao exagero da comparação com personagens de história em quadrinhos e agora numa certa medida se repete com a firmeza das ações de um juiz da instância inferior como Sérgio Moro, o que é apenas concessão à sociedade do espetáculo e ao imaginário de um povo oprimido, nada disso retira do Judiciário o papel que assume historicamente nesse momento da vida brasileira.
As perspectivas de que tais exemplos frutificassem no plano regional sempre esbarraram naquilo que é específico do modelo federativo: mesmo o raio de autonomia obtido pelo Ministério Público na Carta de 1988 era difícil de aplicar, tal a condicionante de uma acomodação histórica que fazia dessa uma relação de dependência. Mas no Paraná, que nesse aspecto não se diferenciava dos feudos como os do Maranhão e Alagoas, as coisas mudaram e os exemplos mais recentes como o do processamento do governador e seus auxiliares da área de Segurança por improbidade em função do massacre de 29 de abril no Centro Cívico indicam nova postura.
Há mais do que isso: a investigação judicial em torno da "parada técnica" em Paris, determinada pela Vara da Fazenda Pública, que teve a mais ampla repercussão nacional, da missão externa da comitiva oficial é uma conquista da transparência que o Legislativo não permite por sua vocação submissa, histórica, e que encontra na cena bufa da maioria andando de camburão a expressão máxima de contingência tão desmoralizante. Nesse ciclo, que se espera transformar-se mesmo numa era, ações do Ministério Público e da Justiça se irmanam como se denota na Operação Publicano que devassa a ação quadrilheira de parte do fisco estadual.
Junte-se a isso o estabelecimento de uma rotina como se capta na arremetida judicial contra a cena surpreendente da licitação do Anexo do Tribunal de Contas já interditada, todavia que deixou visíveis as pegadas do delito como também nas cautelas daquela corte no bloqueio aos desvios nas construções escolares, mais um front de irregulares do governo mais permeável à corrupção que já tivemos no Paraná não apenas pela frequência dos eventos e mais ainda pela ação despudorada de agentes públicos.

Folclore

O jornalista Dicesar Plaisant, o velho, já que o filho atuou também em Londrina, era um comício ambulante e em pleno Estado Novo fazia discursos com a sua linguagem gongórica excitando notadamente grupos de jovens da Curitiba, cidade universitária, dos anos 40 e 50. Condenava os pardieiros da universidade e que se deve talvez conceder a ele as melhoras conquistadas com o passar do tempo. "Instituição de pardireito, como ensinava Camilo Castelo Branco, é instituição de merda!" E abria suas falas com a autoidentificação de bacharel da República. Um dia um delegado da DOPS endureceu dizendo que ele estava subvertendo a ordem e lá vinha a resposta apoiada pelos estudantes. "Eis aí milagre que não posso fazer: subverter uma ordem já subvertida!" O policial perdeu a paciência e ameaçou: "O senhor para ou eu lhe prendo". Aí, o bacharel replicou com veemência: "Vou até a um pelotão de fuzilamento, mas não me mate a língua portuguesa, a última flor do Lácio inculta e bela, já que não é correto dizer eu lhe prendo e sim eu o prendo". Sob palmas o jornalista, aquela altura meio de porre, mergulhava na escuridão.

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