'Melar' ainda possível
Com os conflitos nas revelações do doleiro Youssef e do diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, renasce a perspectiva, sempre buscada, de "melar" a Lava Jato quanto à drenagem de recursos das propinas na campanha de Dilma Rousseff feita, supostamente, a Antonio Palocci. Igualmente foram festejados pela defesa dos réus as versões diferenciadas de Fernando Baiano, lobista do PMDB, e de Costa. Como a mentira de qualquer colaborador premiado pode criar nulidades essenciais e até afastá-los das vantagens concedidas em redução de pena, o processo perde a linearidade buscada pelo juiz Sérgio Moro. E anteriormente ele tornou inócua acareação sugerida entre Youssef e outro indiciado em torno da história de R$ 10 milhões em favor de Sérgio Guerra, presidente nacional do PSDB, em troca do arquivamento de uma CPI da Petrobras e que beneficiaria outro político do Paraná não nominado.
Rompida a barragem processual, teremos uma investigação dentro do processo para apurar quem teria mentido e, portanto, ferido de morte a delação que o protegia. Assim, a despeito das cautelas para que o andamento processual não saísse da trilha já temos mais de um incidente, um deles em meio à demorada acareação, capaz de abrir uma perspectiva para a defesa que desde o início esteve atrás de uma saída fulminante e apta para "melar" toda a arquitetura daquilo que parecia uma obra sólida e sem riscos e que tanto atendia a aspirações nacionais para sepultar a impunidade.
Se a confiança na rigidez e no embasamento jurídico-doutrinário do magistrado Sérgio Moro ainda persiste, o mesmo não se pode dizer dos relatos premiados que podem estar contaminados com o traço da malícia e da mentira no sentido da autoproteção. O advogado de Palocci, José Roberto Batochio, deve ingressar na Justiça com pedido de anulação dos acordos com o doleiro Alberto Youssef e o lobista Fernando Baiano, o que geraria nulidades incontornáveis. Não é o primeiro respiro da defesa que já apostou em tudo, inclusive no fato de Youssef ter mentido ao juiz Sérgio Moro desde o caso de corrupção da CC5-Banestado no governo Lerner.

Grevilha
Bloqueio das estradas lembra, em parte, as grevilhas de bancários no pré-1964: uma agência era fechada e mais tarde reaberta, esforço para vencer pelo cansaço. Anteontem chegamos a ter 24 pontos de bloqueio no Paraná, quando ontem no meio da tarde estavam reduzidos a 13. Ausência de unidade de pauta, fragmentação representativa por parte dos amotinados, fragilidade extrema do governo sem autoridade moral e mesmo institucional, associada ao caos político indicam extrema dificuldade para o consenso.

Racha
Comuns os "rachas" entre camaristas e deputados e assessores raramente dão motivo à denúncia, como se deu agora com o deputado Edilberto Ribeiro, e já havia ocorrido antes com o vereador e depois deputado Custódio que chegou a ficar longo tempo na prisão, mas visto com uma ocorrência excepcional. O mais recente e rumoroso foi com o deputado Edson Praczic ainda em trâmite.

Anexo
O Gaeco venceu o jogo de braço na questão do Anexo do Tribunal de Contas, que chegou a contar com uma decisão unânime de câmara criminal do TJ, que anulava o processo ab-initio por faltar legalidade na gravação telefônica, a despeito do flagra do coordenador da licitação recebendo grana do dono da empreiteira. Há seis indiciados e o então presidente do TC, Mattos Leão, teve seu caso encaminhado ao Conselho Nacional de Justiça e à instância superior.

Mal no social
Até na estatística de homicídios de mulheres o Paraná vai mal: números de 2013, de eventos por 100 mil habitantes, aparecemos com 5,2 contra 3,8 dos gaúchos e 3,1 dos catarinas. Índice de Curitiba supera média das capitais brasileiras. No Sul, levamos uma tunda no social: escolaridade, expectativa de vida e saúde e o governo botou a mão nos programas da família e também no Fundo da Adolescência e da Criança para agravar a situação. Da segurança, enfim, sem comentários, mormente na questão prisional: ontem a cadeia pública de Jaguariaíva foi interditada.

Folclore
Vereador Chicarelli quer que nas placas oficiais haja a expressão "Deus seja louvado". Uma emenda aditiva à proposta exigirá que se acrescente "Não invocar seu santo nome em vão".

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